AGRONEGÓCIO
Agrária investirá R$ 1,1 bilhão em Guarapuava para produzir maltes especiais e gerar mil empregos
AGRONEGÓCIO
A Cooperativa Agrária e a Ireks do Brasil anunciaram um investimento de R$ 1,1 bilhão em um ambicioso projeto industrial no distrito de Entre Rios, em Guarapuava (PR). O plano prevê a construção de duas novas plantas, a modernização da maltaria existente e a implantação de um novo centro de análises laboratoriais e de um centro logístico integrado.
O investimento foi oficializado nesta terça-feira (11) com a assinatura do protocolo de intenções entre o governador Carlos Massa Ratinho Junior e o diretor-presidente da Agrária, Adam Stemmer, no âmbito do programa Paraná Competitivo, que concede incentivos fiscais a projetos estratégicos.
Primeira produção nacional de maltes especiais
Com o novo complexo, a Agrária se tornará a primeira cooperativa do Brasil a produzir maltes especiais, como os caramelizados e torrados, que atualmente são 100% importados. A produção nacional em escala industrial deve fortalecer o setor cervejeiro e reduzir a dependência externa.
“Estamos falando de um parque industrial de R$ 1,1 bilhão que vai gerar empregos e impulsionar a economia regional. O Estado tem orgulho de apoiar este investimento por meio do Paraná Competitivo”, destacou o governador Ratinho Junior.
Obras começam ainda em 2025 e devem gerar mais de mil empregos
As obras têm início previsto ainda para este ano e devem ser concluídas até 2028. A expectativa é de geração de mais de mil postos de trabalho durante a execução do projeto, beneficiando diretamente a economia de Guarapuava e da região Centro-Sul do Paraná.
Segundo Eduardo Bekin, diretor-presidente da Invest Paraná, o investimento tem potencial para mobilizar toda a cadeia produtiva. “Esse projeto envolve o agricultor, o transporte e a produção de um novo produto de qualidade feito no Paraná. É toda uma engrenagem que se movimenta em torno do desenvolvimento”, afirmou.
Modernização industrial e inovação tecnológica
A maltaria original, em operação desde a década de 1980, também passará por revitalizações e automação completa, seguindo o conceito de Indústria 4.0. A modernização deve tornar os processos mais eficientes, sustentáveis e confiáveis.
“O uso de tecnologia e inovação com foco em sustentabilidade é essencial para o futuro da agroindústria”, destacou Adam Stemmer, diretor-presidente da Agrária. Ele acrescentou que o projeto contará com transferência de tecnologia da matriz alemã da Ireks, referência mundial na produção de maltes especiais.
A Ireks do Brasil, parceira da Agrária, já atua no país com foco em produtos para panificação, confeitaria e malte, e mantém sua sede também em Guarapuava.
Guarapuava se consolida como polo da agroindústria paranaense
Para o prefeito Denilson Baitala, o investimento reforça o papel estratégico do município. “Com esse projeto bilionário, o Paraná passa a fabricar um produto de referência para o mercado cervejeiro. O Estado já é o supermercado do mundo e amplia sua presença na indústria alimentícia”, ressaltou.
Centro de Análises e Logística Integrada garantem eficiência e qualidade
O projeto também contempla a instalação de um Centro de Análises Laboratoriais Físico-Químicas e Reológicas, que ampliará os serviços de controle de qualidade e segurança de alimentos.
O Laboratório Central da Agrária já é referência nacional e possui certificações ISO/IEC 17025 (análises cromatográficas) e ISO/IEC 17043 (ensaios de proficiência), sendo o único na América Latina com esse reconhecimento.
O Centro Logístico Integrado trará melhorias à movimentação de insumos e produtos acabados, com novas portarias, moegas e balanças, reduzindo o trânsito de caminhões no perímetro urbano e garantindo mais agilidade e segurança no transporte.
Presenças e apoio institucional
A cerimônia contou com a presença do vice-governador Darci Piana, dos secretários estaduais Norberto Ortigara (Fazenda) e Marcio Nunes (Agricultura e Abastecimento), além de representantes da Ireks do Brasil e da Cooperativa Agrária. Também participaram o deputado federal Rodrigo Estacho e os deputados estaduais Artagão Junior e Fábio de Oliveira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor
Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.
A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.
Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.
Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.
“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.
Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.
A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.
A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.
“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.
A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.
Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.
As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.
Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.
Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.
Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.
Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.
“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.
Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.
No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.
A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.
A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.
O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.
Fonte: Pensar Agro
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