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Agro brasileiro bate recorde no 1º trimestre de 2026 com US$ 38,1 bilhões em exportações e superávit de US$ 33 bilhões

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O agronegócio brasileiro registrou um primeiro trimestre histórico em 2026, com exportações que somaram US$ 38,1 bilhões entre janeiro e março, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado é o maior já registrado para o período.

As importações do setor totalizaram US$ 5 bilhões, com recuo de 3,3%, o que garantiu um superávit de US$ 33 bilhões — avanço de 1,8% na comparação anual.

Abertura de mercados impulsiona crescimento das exportações

O desempenho do agro está diretamente ligado à estratégia de ampliação de mercados internacionais. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram abertos 30 novos mercados para produtos brasileiros.

O número se soma a mais de 500 aberturas registradas nos três primeiros anos da atual gestão, ampliando o alcance global da produção nacional.

Apesar do crescimento de 3,8% no volume exportado, os preços médios recuaram 2,8%, influenciados pela queda nas cotações de commodities relevantes, como açúcar bruto, algodão, milho e farelo de soja.

China lidera destinos e mercados emergentes ganham espaço

A China manteve-se como principal destino das exportações do agronegócio, com US$ 11,33 bilhões e participação de 29,8%, registrando alta de 4,7%.

Na sequência aparecem:

  • União Europeia: US$ 5,67 bilhões (14,9% de participação)
  • Estados Unidos: US$ 2,24 bilhões (5,9% de participação)

Além dos destinos tradicionais, países como Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia ampliaram participação e contribuíram para o crescimento das exportações.

Complexo soja e proteínas animais lideram pauta exportadora

Entre os principais setores exportadores do agronegócio no primeiro trimestre de 2026, destacam-se:

  • Complexo soja: US$ 12,13 bilhões (31,8% do total; +11,5%)
  • Proteínas animais: US$ 8,12 bilhões (21,3%; +21,8%)
  • Produtos florestais: US$ 3,94 bilhões (10,3%; -10,1%)
  • Café: US$ 3,32 bilhões (8,7%; -19,2%)
  • Complexo sucroalcooleiro: US$ 2,33 bilhões (6,1%; -22,4%)
  • Cereais, farinhas e preparações: US$ 2,08 bilhões (5,5%; +8,6%)
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O desempenho reforça a relevância das cadeias de grãos e proteínas na balança comercial do agro brasileiro.

Carnes e grãos batem recordes em valor e volume

O trimestre também foi marcado por recordes em importantes produtos.

A carne bovina in natura atingiu US$ 3,98 bilhões (+37,3%) e 702 mil toneladas (+19,7%). Já a carne suína somou US$ 846 milhões (+16,4%) e 336 mil toneladas (+15,3%).

Entre os grãos, houve recorde em volume para:

  • Soja em grãos: 23,47 milhões de toneladas (+5,9%)
  • Farelo de soja: 5,43 milhões de toneladas (+5,1%)
  • Algodão: 935 mil toneladas (+0,6%)
Diversificação da pauta ganha força com novos produtos

Produtos menos tradicionais também ganharam espaço e reforçaram a diversificação das exportações brasileiras.

Destaque para itens como pimenta seca, feijões, arroz, miudezas de frango, bovinos vivos e rações para animais domésticos, além de crescimento expressivo em produtos como feno e erva-mate, beneficiados pela abertura de novos mercados.

Março mantém desempenho elevado e responde por quase metade das exportações do país

Somente em março de 2026, o agronegócio exportou US$ 15,41 bilhões, representando 48,8% das exportações totais brasileiras no mês.

As importações somaram US$ 1,87 bilhão, resultando em superávit mensal de US$ 13,54 bilhões.

Na comparação anual, o volume embarcado recuou 0,8%, enquanto os preços médios registraram leve alta de 0,1%, com o valor exportado ficando 0,7% abaixo de março de 2025.

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Complexo soja e carnes lideram exportações no mês

Entre os principais segmentos exportadores em março, destacam-se:

  • Complexo soja: US$ 6,8 bilhões (44,1%; +4,3%)
  • Carnes: US$ 2,83 bilhões (18,4%; +19,5%)
  • Produtos florestais: US$ 1,31 bilhão (8,5%; -17,1%)
  • Café: US$ 1,1 bilhão (7,2%; -28,0%)
  • Complexo sucroalcooleiro: US$ 702 milhões (4,6%; -30,1%)
Novos mercados impulsionam crescimento de produtos não tradicionais

Em março, diversos produtos registraram recordes, reforçando o potencial de diversificação do agro brasileiro.

Entre eles estão feijões, amendoim, óleo de milho, cerveja, chocolate, melancia, fumo manufaturado, essências de madeira e alimentos para cães e gatos.

Governo destaca competitividade e expansão internacional do agro

Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o resultado reflete a força estrutural do setor.

De acordo com ele, o desempenho é resultado de investimento contínuo, capacidade produtiva, avanços científicos e atendimento às exigências dos mercados internacionais.

Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, destacou que o avanço está diretamente ligado à estratégia de abertura de mercados, que amplia oportunidades e garante maior previsibilidade ao comércio exterior do agronegócio.

Agro consolida papel estratégico na economia brasileira

O resultado histórico do primeiro trimestre reforça o papel do agronegócio como principal motor das exportações brasileiras.

Com forte presença internacional, diversificação crescente e expansão de mercados, o setor segue consolidando sua posição estratégica na economia global e ampliando sua relevância no comércio internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

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A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

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A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

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O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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