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Agroquímicos ilegais avançam nas fronteiras e desafiam fiscalização no Brasil

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O combate ao mercado ilegal de defensivos agrícolas segue sendo um dos principais desafios para a segurança da produção agropecuária brasileira. Dados divulgados pela CropLife Brasil mostram que 230 toneladas de agroquímicos ilegais foram incineradas e descartadas de forma ambientalmente adequada em 2025, após operações de apreensão realizadas por órgãos de fiscalização e repressão em diferentes regiões do país.

O volume faz parte de uma estratégia contínua para retirar de circulação produtos sem registro, falsificados ou contrabandeados, que representam riscos à agricultura, ao meio ambiente e à saúde pública.

Mais de 1,6 mil toneladas destruídas em seis anos

Segundo o levantamento da entidade, aproximadamente 1,6 mil toneladas de defensivos agrícolas ilegais foram destinadas à destruição entre 2020 e 2025. O resultado é fruto de 49 ações de cooperação entre a CropLife Brasil e os órgãos responsáveis pela fiscalização.

Para efeito de comparação, a quantidade acumulada ao longo dos últimos seis anos corresponde a mais de dois terços do volume de uma piscina olímpica.

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Apesar da relevância dos números, o total destruído em 2025 ficou 30% abaixo do registrado em 2024, quando cerca de 330 toneladas foram encaminhadas para descarte.

De acordo com a entidade, a redução acompanha a queda no volume de apreensões realizadas pelas autoridades ao longo do período.

Sudeste concentra produtos falsificados

O mapeamento das ocorrências aponta que a região Sudeste lidera as apreensões de defensivos agrícolas falsificados, com destaque para os estados de São Paulo e Minas Gerais.

Já os casos relacionados ao contrabando estão concentrados principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, especialmente em áreas próximas às fronteiras com Argentina e Paraguai, rotas historicamente utilizadas para a entrada irregular desses produtos no território nacional.

Especialistas alertam que os defensivos ilegais não possuem eficiência agronômica comprovada e podem causar prejuízos significativos à produtividade das lavouras, além de aumentar os riscos de contaminação ambiental e exposição de trabalhadores rurais a substâncias desconhecidas.

Mercado ilegal ainda representa parcela significativa do setor

Estimativas do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras indicam que cerca de 25% do mercado brasileiro de defensivos agrícolas seja composto por produtos ilegais.

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O percentual evidencia a dimensão do problema e reforça a necessidade de ações integradas entre órgãos de segurança, fiscalização, setor produtivo e indústria para combater a comercialização irregular de insumos agrícolas.

Destruição segue rigorosos protocolos ambientais

Após as apreensões, os produtos passam por um processo controlado que inclui manuseio especializado, reacondicionamento, armazenamento e transporte a partir dos Depósitos de Mercadorias Apreendidas até as unidades autorizadas para destinação final.

A etapa de destruição ocorre em instalações licenciadas, por meio de incineração em temperaturas superiores a 900°C, garantindo a eliminação segura dos resíduos e reduzindo os impactos ambientais.

O avanço do mercado ilegal nas regiões de fronteira continua sendo motivo de preocupação para o agronegócio brasileiro, especialmente diante dos riscos que esses produtos representam para a competitividade, a sustentabilidade e a segurança da produção agrícola nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista

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A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.

Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.

Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais

O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.

Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.

Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.

Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado

O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.

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Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.

Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.

Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.

Risco de base pode comprometer confiança do produtor

Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.

Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.

Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.

Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil

Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.

A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

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O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.

Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.

Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados

Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.

O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.

O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.

Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto

Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.

No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.

A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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