AGRONEGÓCIO
Alta da carne bovina impulsiona varejo a diversificar portfólio e valorizar consultores de carnes
AGRONEGÓCIO
Com o aumento contínuo dos preços da carne bovina no Brasil, supermercados, açougues e restaurantes têm se movimentado para revisar seus portfólios e encontrar substituições que mantenham margens e satisfação do consumidor.
Nesse contexto, consultores de carnes têm ganhado papel de destaque ao orientar negócios sobre estratégias de substituição, reposicionamento de cortes e diversificação de proteínas.
Segundo Paulo Duque, consultor do setor frigorífico e CEO da empresa Rei da Linguiça, o consumidor está mais aberto a novas opções, desde que encontre qualidade, sabor e preços justos. “O brasileiro ama carne bovina, mas quando o preço pesa no bolso, ele busca alternativas. O desafio é o varejo estar preparado para conduzir essa transição”, afirma.
Proteínas suína e de frango ganham espaço no carrinho do consumidor
Com a inflação da carne bovina, cresce a procura por proteínas mais acessíveis, como suínos, aves e embutidos artesanais.
De acordo com Duque, essa migração exige agilidade do varejo para ajustar o mix de produtos e atender às novas demandas de consumo.
“O consultor de carnes ajuda o varejista a reorganizar o portfólio, reposicionar cortes e criar valor para produtos igualmente saborosos. Isso é fundamental para que o cliente veja vantagem real na troca”, explica o especialista.
Consultores de carnes assumem papel estratégico no varejo
Esses profissionais têm se tornado figuras-chave na gestão de portfólio e precificação, além de atuarem no treinamento de equipes, análise de margens e criação de narrativas gastronômicas que valorizam proteínas alternativas.
Duque destaca que, com o trabalho certo de exposição e comunicação, é possível reposicionar o consumo da carne suína, por exemplo, como uma opção versátil, saborosa e econômica.
A empresa Rei da Linguiça é um exemplo desse movimento, ao investir em produtos artesanais e linguiças especiais de alto padrão, que vêm conquistando o público pela excelente relação custo-benefício.
Diversificação é a chave para enfrentar a inflação alimentar
Para Paulo Duque, diversificar o mix de proteínas é essencial para enfrentar períodos de inflação sem perder competitividade.
“O varejo que trabalha com consultores consegue manter estabilidade em tempos de alta de preços. A lógica é simples: ampliar opções, ajustar margens e comunicar bem ao consumidor”, resume o executivo.
Ele reforça que esperar a queda do preço da carne bovina não é uma estratégia eficiente. “O melhor caminho é educar o consumidor, diversificar o portfólio e surpreender o cliente com alternativas acessíveis e saborosas”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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