RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Avaliação de terras no Brasil ganha precisão com metodologia baseada em tipologia de argila

Publicados

AGRONEGÓCIO

O mercado de terras agrícolas no Brasil ainda apresenta histórico de informalidade, diferente do ambiente urbano, que conta com padrões claros de preço por metro quadrado, construção e zoneamento. Movimentando trilhões de reais por ano, o setor passa por pressão crescente por profissionalização, segurança técnica e transparência nas negociações.

Para enfrentar esse cenário, foi realizado em Ribeirão Preto (SP) o primeiro treinamento brasileiro voltado à avaliação de terras agrícolas com base na aptidão natural do solo por tipologia de argila. A iniciativa integra ciência do solo, inteligência territorial e mercado imobiliário rural, promovendo um método inovador para cálculo do Valor da Terra Nua (VTN) com base em dados técnicos do solo.

Treinamento inédito capacita corretores e redefine precificação

O encontro reuniu 40 corretores da RE/MAX Divisão Agro em uma imersão técnica que deve mudar a forma como propriedades rurais são avaliadas, precificadas e negociadas. O treinamento foi organizado pelo Agromatch, iniciativa de Inteligência Territorial em desenvolvimento, em parceria com Terrus Territorial (joint venture da Quanticum e Grupo Piccin), detentores da metodologia de caracterização das argilas de solos.

O foco principal foi o entendimento do Valor da Terra Nua (VTN), indicador que serve de base para o cálculo do ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) e representa o valor do imóvel sem considerar benfeitorias, refletindo a aptidão agrícola natural.

Leia Também:  Indústria de máquinas agrícolas projeta nova queda em 2026 e enfrenta cenário desafiador
Ciência do solo como base para inovação

A metodologia se apoia na literatura clássica da ciência do solo brasileira, incluindo a obra Manual de Capacidade de Uso das Terras (2ª edição), coordenada por especialistas como Igo Fernando Lepsch (IAC), Carlos Roberto Espindola (UNICAMP) e outros.

Diego Siqueira, coautor do manual e CEO da Quanticum, propõe atualização disruptiva no cálculo do VTN por meio do Índice de Tipologia de Argila (ITA), que mensura magnetismo das argilas em uma escala de 0 a 80, permitindo análise de nanopartículas que vão além da textura tradicional do solo.

“Quando a tipologia de argila entra na equação do VTN, deixamos de olhar apenas a superfície e passamos a compreender o comportamento do solo frente à água, ao manejo e ao risco produtivo”, afirma o professor Marcílio Vieira Martins Filho, da UNESP.

Essa abordagem permite que solos de mesma classe textural, mas com tipos de argila diferentes, sejam avaliados de forma justa, refletindo seu real potencial agronômico e alinhando o valor venal à eficiência do manejo.

Benefícios para negociação e crédito rural

Douglas Fahl, coordenador de inovação da Piccin, reforça que o objetivo é trazer clareza, segurança e entendimento técnico sobre o solo, valorizando a terra de forma justa. A metodologia também pode ser aplicada para:

  • Reduzir dúvidas e aumentar transparência em negociações
  • Antecipar riscos ocultos da propriedade
  • Apoiar análises de crédito rural e seguros agrícolas

Alexandre Trevisan, CEO da RE/MAX Divisão Agro, explica: “Não se trata de desvalorizar ou valorizar áreas, mas de buscar justiça na precificação com base na aptidão natural do solo. A exclusividade deixa de ser um pedido comercial e passa a ser consequência técnica.”

Percepção dos corretores

Durante o treinamento, 75% dos participantes apontaram a gestão da exclusividade como maior desafio, enquanto 65% relataram dificuldades em justificar tecnicamente o preço das propriedades. Além disso:

  • 87,5% perceberam divergência entre valor real e valor de mercado
  • 94% consideraram o diagnóstico técnico do solo como vantagem competitiva
Leia Também:  Exportações de açúcar somam 1,53 milhão de toneladas em setembro, aponta Secex

Esses dados mostram que o mercado demanda mais informações técnicas, mas ainda carece de ferramentas estruturadas para integrar ciência do solo ao processo de avaliação.

Material complementar e e-book

Todos os participantes receberam certificado e materiais técnicos, incluindo o e-book “Diagnóstico e Aptidão Natural do Solo Baseado em Tipologia de Argila”, que apresenta:

  • Relatório técnico sobre o mercado de terras no Brasil
  • Principais desafios e oportunidades de crescimento
  • Aplicações práticas do diagnóstico para negociação, precificação e crédito rural

O material reforça a proposta da Agromatch de criar um ecossistema de inteligência territorial, transformando dados científicos em confiança, eficiência e novas oportunidades de negócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Brasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas

Publicados

em

Por

As novas autorizações para vender produtos do agro brasileiro no exterior já geraram mais de R$ 20 bilhões em negócios desde janeiro de 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço, anunciado nesta terça-feira (13.10), acompanha a marca de 700 aberturas de mercado. Para produtores e empresas, o avanço amplia as opções de compradores num momento em que tarifas e outras restrições encarecem as vendas internacionais.

O número exige uma distinção: são 700 autorizações para produtos em diferentes destinos, e não 700 países. Um mesmo país pode liberar a compra de carnes, frutas e sementes, por exemplo, e aparecer várias vezes na conta. Cada aprovação permite disputar um mercado, mas ainda é preciso encontrar comprador e acertar preço, frete e condições de entrega.

Os R$ 20 bilhões mostram que parte dessas oportunidades já virou negócio. O valor, porém, não permite calcular quanto as aberturas acrescentaram às exportações totais do Brasil. Uma venda a um novo destino pode representar produção adicional ou substituir um embarque antes enviado a outro comprador. O balanço também reúne negócios de quase quatro anos; não é o resultado apenas de 2026.

Entre as liberações recentes está a venda de pescado brasileiro aos Emirados Árabes Unidos, tanto de captura quanto de criação. Também foram autorizados o mamão fresco para o Kuwait e o milho em grãos para a Síria. São oportunidades para cadeias diferentes, cujo retorno dependerá do tamanho das encomendas e do custo de atender cada comprador.

Leia Também:  Conflito no Oriente Médio reduz oportunidades de compra de fertilizantes no 2º trimestre de 2026

A busca por alternativas ganha peso porque um aumento de tarifa pode interromper pedidos mesmo quando há produto disponível. Entre os efeitos estão o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a redução do ganho das empresas. Para quem produz, o risco é ter mercadoria pronta e encontrar condições de venda piores do que as previstas.

Ter mais compradores ajuda a reduzir esse risco e dá alternativas quando um destino restringe as compras. A concentração ainda é relevante: em 2025, a China respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro, quase um terço do total, segundo o Mapa.

Produtos do agro com muitos compradores internacionais tendem a encontrar alternativas com mais facilidade do que mercadorias feitas para clientes específicos. Ainda assim, trocar de destino não assegura a manutenção do preço. Um novo comprador pode pagar menos, exigir outro padrão de produto ou estar mais longe, aumentando a conta do transporte.

Embora a tarifa seja cobrada no país importador, o exportador brasileiro também pode pagar parte dessa conta. Se houver fornecedores concorrentes, o comprador pode exigir um desconto para manter o pedido. O negócio continua, mas sobra menos dinheiro para a cadeia que produziu e entregou a mercadoria.

Leia Também:  Câmara Setorial do Arroz Debaterá Soluções para Crise e Planejamento de Longo Prazo

Por isso, o efeito sobre o campo precisa ser medido também pelo preço recebido e pelos custos, além do volume exportado. Vender mais toneladas não garante maior renda: frete caro, descontos e despesas de produção podem consumir o ganho. Os R$ 20 bilhões anunciados são negócios realizados, não lucro dos produtores.

Há despesas antes mesmo do primeiro embarque. Certificações, comprovação da origem, adaptação de embalagens e transporte precisam entrar na conta. No pescado e nas frutas, por exemplo, a conservação durante a viagem pesa na viabilidade da venda. A autorização sanitária elimina uma barreira, mas não resolve toda a operação.

Produtores, cooperativas e agroindústrias também precisam manter registros que comprovem de onde vem o produto e como foi produzido. Essas informações podem ser condição para entrar e continuar no mercado. Organizar a documentação antes de negociar ajuda a evitar que uma oportunidade seja perdida por falta de comprovação.

Para 2027, a ampliação dos destinos oferece alternativas diante de novas restrições comerciais. O resultado para o produtor dependerá de transformar essas permissões em pedidos regulares, com preços que cubram os custos. A próxima medida do avanço será quanto cada mercado compra — e quanto dessa venda chega à renda de quem produz.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA