AGRONEGÓCIO
BNDES aprova R$ 625 milhões para nova planta de etanol de milho da São Martinho em Goiás
AGRONEGÓCIO
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 625 milhões para a implantação de uma nova planta de etanol de milho pela São Martinho S/A, na Unidade Boa Vista, localizada no complexo industrial de Quirinópolis (GO). O projeto visa ampliar a produção de etanol e contribuir para a redução de cerca de 380 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano, promovendo a descarbonização da cadeia produtiva.
Estrutura do financiamento
O valor de R$ 625 milhões aprovado pelo BNDES corresponde a 53% do investimento total do projeto. Ele será dividido em:
- R$ 500 milhões via Fundo Clima;
- R$ 125 milhões via Finem;
- R$ 102,8 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), destinados às tecnologias mais inovadoras;
- R$ 452,2 milhões com recursos próprios da São Martinho.
O apoio dos dois bancos públicos representa cerca de 62% do investimento total, fortalecendo o projeto em termos de viabilidade econômica e tecnológica.
Benefícios para a indústria e exportações
O projeto também fortalece a cadeia de fornecimento nacional, já que 34,1% dos recursos serão destinados à aquisição de máquinas produzidas no Brasil, embora este percentual possa sofrer ajustes operacionais durante a execução.
Além disso, espera-se um incremento nas exportações de etanol brasileiro, contribuindo para o superávit do setor e geração de divisas em dólar.
A nova planta terá capacidade para processar 635 mil toneladas de milho por ano, produzindo 270 mil m³ de etanol, com flexibilidade para gerar etanol anidro ou hidratado, conforme a demanda de mercado. Como coprodutos, serão gerados 13 mil toneladas de óleo de milho e 170 mil toneladas de DDGs (Distiller’s Dried Grains with Solubles), usados na indústria de ração animal.
Sustentabilidade e inovação tecnológica
Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, o projeto está alinhado à Nova Indústria Brasil, programa do governo federal que visa modernizar a indústria e torná-la mais competitiva e sustentável até 2033.
“O etanol de milho fortalece cadeias produtivas estratégicas, promove a descarbonização e contribui para um modelo industrial de baixo carbono, com geração de emprego e inovação tecnológica”, afirmou Mercadante.
Felipe Vicchiato, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da São Martinho, destacou a eficiência energética da planta, que terá um dos menores consumos de vapor por tonelada de moagem da indústria, dispensando a compra de biomassa externa.
O projeto deve gerar cerca de 1.000 empregos durante a construção e aproximadamente 110 postos permanentes após a conclusão.
Finep e inovação no processo industrial
A Finep apoiou atividades de inovação, incluindo a implantação de tecnologias 4.0 no processo industrial e o desenvolvimento de recuperação inédita de óleo da vinhaça, reforçando o compromisso com a neoindustrialização sustentável do Brasil, segundo Luiz Antonio Elias, presidente da instituição.
Histórico e atuação da São Martinho
A Unidade Boa Vista já possui uma planta de etanol de milho, financiada anteriormente pelo BNDES, iniciada na safra 2023/24, além de uma planta de etanol de cana-de-açúcar inaugurada em 2008.
A São Martinho S/A, companhia de capital aberto no Novo Mercado da B3, atua na produção de açúcar, etanol, bioenergia e derivados da cana e do milho, com quatro complexos industriais:
- Unidade Boa Vista (GO) – produção de derivados do milho e etanol de cana;
- Unidade São Martinho (SP) – maior processadora de cana-de-açúcar do mundo;
- Unidade Iracema (SP);
- Unidade Santa Cruz (SP).
A empresa se destaca por eficiência, inovação, sustentabilidade e valorização de pessoas, consolidando-se como referência no agronegócio brasileiro.
Fundo Clima: incentivo à mitigação das mudanças climáticas
O Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), financia projetos que visem a redução de emissões de gases do efeito estufa e a adaptação às mudanças climáticas, apoiando empreendimentos que envolvam aquisição de máquinas, implantação de tecnologias e desenvolvimento científico.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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