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Brasil rebate acusações dos EUA e defende políticas comerciais na OMC
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O governo brasileiro respondeu formalmente às acusações feitas pelos Estados Unidos no âmbito da investigação aberta pela Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana de 1974. Em manifestação apresentada nesta segunda-feira (18) ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o Brasil classificou as alegações como improcedentes e sem base nos fatos.
Posição do Itamaraty: acusações sem fundamento
Coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores, o documento foi elaborado em conjunto com outros ministérios e contou com consultas ao setor privado. O texto afirma que as políticas nacionais contestadas são transparentes, não discriminatórias e compatíveis tanto com as melhores práticas internacionais quanto com os compromissos assumidos pelo país na Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Itamaraty também rejeitou a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, argumentando que esses mecanismos são “inconsistentes com as regras da OMC e com seu sistema de solução de controvérsias”.
Relação comercial favorece os EUA, diz governo
Na nota, o governo brasileiro rebateu a premissa de que as políticas nacionais prejudiquem o comércio norte-americano. Segundo a chancelaria, essa ideia é “inverídica” e contraria dados oficiais. O Brasil ressaltou que os Estados Unidos registram superávit crescente na relação bilateral, o que reforça a inconsistência da acusação.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmam o cenário: em 2024, considerando bens e serviços, os EUA tiveram saldo positivo de quase US$ 30 bilhões no comércio com o Brasil. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 40,3 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 40,6 bilhões.
Temas investigados pelos EUA
A investigação aberta pelos Estados Unidos em 15 de julho de 2025 abrange uma série de temas:
comércio digital, incluindo o Pix;
- tarifas preferenciais;
- propriedade intelectual;
- acesso ao mercado de etanol;
- aplicação de leis anticorrupção;
- políticas de combate ao desmatamento.
Governo brasileiro defende diálogo
Apesar de rejeitar as alegações, o Brasil reafirmou sua disposição para tratar das questões em fóruns multilaterais. “A participação do Brasil ocorre em espírito de diálogo e esclarecimento de fatos, sem reconhecimento da validade do procedimento”, ressaltou o Itamaraty.
Na mesma linha, a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, destacou em audiência pública na Câmara dos Deputados, em 13 de agosto, o interesse em manter o entendimento com Washington.
“O Brasil não é um problema comercial para os Estados Unidos. A relação é de complementaridade econômica e gera empregos e investimentos para ambos os lados. É uma parceria de benefício mútuo”, afirmou Prazeres.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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