AGRONEGÓCIO
China impõe cota com sobretaxa de 55% e redefine exportações brasileiras de carne bovina
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A decisão da China de impor cotizações à importação de carne bovina para os principais fornecedores internacionais inaugura um novo capítulo para a pecuária brasileira. O país terá um limite de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com acréscimo de cerca de 2% nos dois anos seguintes. O volume que ultrapassar essa cota será tributado com sobretaxa de 55%, inviabilizando, na prática, embarques acima do limite estabelecido.
Segundo Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, trata-se de uma medida de salvaguarda comercial, destinada a proteger o mercado e a indústria local. “Acima da cota, a sobretaxa prejudica a competitividade do produto brasileiro”, afirma.
China é o principal destino da carne bovina brasileira
Em 2025, o Brasil exportou 3,50 milhões de toneladas de carne bovina, aumento de 20,9% em relação a 2024, gerando US$ 18,03 bilhões, segundo a ABIEC.
A China respondeu por 48% do total, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,90 bilhões em receita. Os principais destinos seguintes foram:
- Estados Unidos: 271,8 mil t / US$ 1,64 bi
- Chile: 136,3 mil t / US$ 754,5 mi
- União Europeia: 128,9 mil t / US$ 1,06 bi
- Rússia: 126,4 mil t / US$ 537,1 mi
- México: 118 mil t / US$ 645,4 mi
A ABRAFRIGO manifestou “profunda preocupação” com a medida, classificando-a como um risco material e imediato às exportações brasileiras, com possível perda de até US$ 3 bilhões em 2026.
Impactos da cota no preço da arroba
A principal dúvida do produtor é sobre o efeito nos preços. Leandro Gilio explica que a restrição tende a limitar a demanda externa, reduzindo parte da pressão de alta sobre a arroba.
A médica veterinária e economista Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto, afirma que não há motivo para pânico, mas destaca a necessidade de buscar novos compradores, já que 600 mil toneladas estão sob contrato com a China. O ciclo pecuário, com recente liquidação de fêmeas, também deve sustentar a oferta e os preços internamente.
Divisão de cotas mantém concentração entre frigoríficos
A forma de distribuir o volume autorizado entre frigoríficos considera o market share de exportação de 2025, mantendo a estrutura de mercado atual.
Segundo Gilio, isso reduz volatilidade e aumenta previsibilidade para os frigoríficos, diminuindo incentivos à corrida de compras. Pimentel alerta, porém, para necessidade de análise regulatória detalhada, caso novas indústrias sejam habilitadas ou algumas se tornem mais eficientes.
Risco estrutural até 2028
A salvaguarda chinesa está prevista por três anos, podendo se estender até 2028. Segundo Gilio, a medida pode reduzir investimentos produtivos e limitar preços e produção interna. A ABRAFRIGO reforça que o momento coincide com um ciclo delicado do pecuarista, podendo desestimular novos aportes no setor.
Ainda assim, o cenário não é definitivo. “O Brasil tem grande capacidade de produção a baixo custo e é importante buscar negociações que reduzam o bloqueio do mercado”, observa Gilio.
Possibilidade de redirecionamento para outros mercados
O Brasil pode direcionar parte da carne a outros destinos, mas há limites estruturais, como habilitação de frigoríficos e regras sanitárias. Avanços recentes, como a abertura de mercados no Vietnã e Coreia do Sul, podem amenizar a redução de demanda chinesa.
Caio Penido, presidente do IMAC, destaca que o país tem potencial competitivo para se sair bem, aproveitando qualidade e custo da carne brasileira.
Estratégias para o produtor
Diante da nova realidade, Gilio recomenda cautela nos investimentos, considerando possível queda de preços na arroba e maior ponderação na reposição de animais.
Penido reforça a importância da gestão eficiente, com atenção aos custos de produção, uso de derivativos, distribuição de vendas e produção de animais mais versáteis.
O cenário atual não representa ruptura, mas ajuste de mercado, e a forma como o Brasil reagirá nos próximos meses será determinante para os preços, investimentos e competitividade da carne bovina até 2028.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas
A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.
A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.
Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.
No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.
Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.
A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.
O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.
As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.
Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.
Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.
A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.
Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.
A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.
No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.
Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.
O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.
Fonte: Pensar Agro
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