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Chuvas favorecem milho e pode adiantar a safra de verão 2025/26

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As chuvas registradas nas últimas semanas em diversas regiões produtoras do país vêm favorecendo o desenvolvimento das lavouras de milho da primeira safra (milho verão) e acelerando o ritmo do plantio, indica o mais recente boletim de acompanhamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Até sábado (13.12), 77,5% da área prevista para o milho de verão já havia sido semeada, ante 71,3% na semana anterior. O índice supera tanto os 75% observados no mesmo período de 2024 quanto a média dos últimos cinco anos, de 70,3%, sinalizando uma temporada mais adiantada em 2025/26.​

O avanço mais rápido é atribuído à combinação de melhor umidade do solo e janelas de tempo adequadas para as operações de campo. Segundo técnicos da Conab, o regime de chuva observado em boa parte do Centro-Sul reduziu o risco de replantio e permitiu que produtores mantivessem o cronograma de semeadura mais próximo do ideal agronômico, fator importante para mitigar riscos de veranicos na fase reprodutiva. Em um cenário de margens apertadas e custo financeiro elevado, ganhar previsibilidade no calendário da primeira safra é visto como um elemento-chave para a estratégia de produção e de comercialização ao longo do ciclo.​

Estados do Sul e Sudeste lideram o plantio do milho verão. Paraná e São Paulo já concluíram a semeadura, enquanto Santa Catarina aparece com 99,7% da área plantada e Minas Gerais chega a 97%. No Rio Grande do Sul, o índice é de 90%, seguido por Bahia (86%), Goiás (80%), Piauí (8%) e Maranhão (6%, em início de temporada). Os números refletem, de um lado, a maior tradição de cultivo de milho na primeira safra nessas regiões e, de outro, a resposta rápida dos produtores à melhora das condições de umidade.​

O avanço no Sul é particularmente relevante após ciclos marcados por estiagens que comprometeram produtividade e renda. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas recentes ajudaram a recompor a umidade do solo e a reduzir parte dos riscos climáticos da temporada. Ainda assim, a Conab registra que áreas que sofreram estresse hídrico mais intenso no início do ciclo ainda apresentam falhas de polinização, o que pode limitar o potencial produtivo em alguns talhões. No Matopiba, o plantio avança ao ritmo da instalação das chuvas, que começam a se intensificar, dando o sinal verde para a expansão da área semeada nas próximas semanas.​

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Além do ritmo de plantio, o boletim mostra um quadro considerado positivo para o desenvolvimento das lavouras. Cerca de 7,5% da área está na fase de emergência, 53,2% em desenvolvimento vegetativo, 22,9% em floração, 14,2% em enchimento de grãos e 2,2% já em maturação. Essa distribuição indica uma safra relativamente bem escalonada, com a maior parte das plantas avançando dentro da curva esperada para o período e sem grandes concentrações em estágios mais sensíveis a eventuais quebras de chuva.​

Os técnicos da estatal ressaltam que, em Estados como Minas Gerais, Paraná, Bahia e São Paulo, as precipitações das últimas semanas “promoveram melhores condições de umidade e recuperação do solo”, favorecendo tanto a emergência quanto o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das plantas. De forma geral, o quadro descrito é de lavouras em boa a muito boa condição, ainda que focos localizados de estresse hídrico no Sul e a dependência de continuidade das chuvas no Matopiba permaneçam como pontos de atenção.​

O bom ritmo do milho verão tende a produzir reflexos sobre a safra como um todo, inclusive sobre a janela de plantio do milho segunda safra (safrinha), que responde pela maior parte da produção nacional. Ao adiantar a colheita da primeira safra nas regiões onde se faz a rotação com soja ou outros cultivos, produtores ganham alguns dias de folga na abertura da janela para a safrinha, reduzindo a exposição de parte das áreas aos riscos climáticos do outono-inverno. Esse fator é especialmente relevante num contexto em que o mercado internacional monitora a oferta brasileira de milho como peça importante no equilíbrio global entre estoques e consumo.​

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Do lado de preços, a leitura ainda é de cautela. Um desempenho favorável do milho verão, combinado a perspectivas razoáveis para a safrinha, tende a reforçar a percepção de oferta confortável no médio prazo, o que pode limitar altas mais fortes nas cotações se não houver choques de clima ou demanda. Ao mesmo tempo, o melhor desempenho produtivo é visto como forma de diluir custos fixos e financeiros por hectare, oferecendo algum alívio para a rentabilidade, pressionada por juros altos e custos de produção ainda elevados, especialmente em insumos dolarizados.​

Apesar do balanço inicial positivo, a Conab e agentes de mercado reforçam que a safra 2025/26 ainda depende da continuidade de um padrão de chuvas adequado nos próximos meses. Fenômenos como veranicos em fases críticas de floração e enchimento de grãos ainda podem afetar o rendimento médio, sobretudo em áreas mais tardias ou em solos com menor capacidade de armazenamento hídrico. No curto prazo, a tendência de manutenção das precipitações em grande parte do Centro-Sul é encarada como um sinal favorável, mas o monitoramento climático permanece central na avaliação de risco.​

Para o produtor, o quadro atual combina um início de ciclo tecnicamente bem encaminhado com um ambiente de negócios desafiador, marcado por crédito mais restrito e necessidade de gestão mais fina de custos e de risco de preço. Nesse cenário, a regularidade das chuvas pode fazer a diferença entre uma safra que apenas cumpre a função de cobrir o caixa e outra capaz de recompor margens, especialmente em regiões que vêm de anos difíceis e ainda carregam passivos financeiros relevantes.

Fonte: Pensar Agro

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Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra

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A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.

A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.

Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.

A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.

Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.

O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.

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Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.

A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.

O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.

No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.

A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.

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Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.

O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.

Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.

O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.

Fonte: Pensar Agro

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