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Chuvas prolongadas elevam umidade da soja e aumentam risco de perdas no campo e no pós-colheita

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As chuvas intensas registradas nas últimas semanas em importantes regiões produtoras do Brasil, especialmente em Mato Grosso, têm dificultado o avanço da colheita da soja e acendido um alerta entre produtores. Com mais de 30 dias de precipitações frequentes, o cenário já levou 17 municípios do estado a decretarem situação de emergência. Em áreas mais afetadas, as perdas podem chegar a até 25% da produção.

Umidade da soja supera níveis ideais durante a colheita

Levantamento da empresa MOTOMCO, referência em tecnologia de medição de umidade de grãos, aponta que a soja colhida no norte de Mato Grosso tem registrado picos de umidade entre 26% e 28%. Esse patamar representa um aumento de cerca de 20% em relação ao nível considerado ideal para a colheita.

Os dados foram obtidos por meio do Sistema de Gestão de Umidade (SGU), que monitora operações de secagem e armazenamento. Em condições normais, a colheita ocorre com umidade entre 18% e 22%. No entanto, neste ciclo, foram observadas médias próximas de 21%, além de picos elevados, especialmente em regiões como Marcelândia.

Excesso de umidade compromete qualidade e valor da soja

Segundo o engenheiro agrônomo Roney Smolareck, o excesso de umidade pode representar um dos principais riscos para a qualidade da safra e para a rentabilidade do produtor.

Quando a soja permanece no campo por longos períodos após atingir o ponto ideal de colheita, a umidade elevada pode iniciar o processo de germinação ainda na planta. Isso faz com que o grão consuma suas próprias reservas, reduzindo seu valor comercial e aumentando a possibilidade de descontos na venda.

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Atraso na colheita impacta o plantio do milho safrinha

As chuvas também afetam diretamente o calendário agrícola. O atraso na colheita da soja compromete a janela ideal de plantio do milho safrinha, já que a semeadura depende da liberação das áreas.

Em muitas regiões, o solo permanece encharcado por vários dias, impedindo a entrada de máquinas agrícolas. Esse atraso prolonga a permanência da soja no campo, elevando o risco de degradação dos grãos e impactando a produtividade da segunda safra.

Umidade elevada aumenta custos no pós-colheita

O impacto não se limita à lavoura. No pós-colheita, o excesso de umidade pressiona toda a cadeia operacional. Quando os grãos chegam às unidades armazenadoras com níveis acima de 26%, o volume de água a ser retirado praticamente dobra em relação ao padrão normal.

Isso resulta em maior tempo nos secadores, aumento no consumo de energia e maior pressão sobre a capacidade das estruturas de armazenagem. Além disso, após a secagem, o peso líquido do produto é reduzido, o que impacta diretamente o retorno financeiro do produtor.

Dados da MOTOMCO indicam ainda um aumento de aproximadamente 30% nas operações voltadas exclusivamente à retirada de umidade, evidenciando o impacto do regime de chuvas acima da média neste ciclo.

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Monitoramento da umidade ganha importância estratégica

Diante de um cenário climático mais instável, o controle da umidade dos grãos se torna uma ferramenta essencial para a tomada de decisão no campo. O monitoramento permite identificar as áreas com melhores condições de colheita e priorizar talhões com menor risco de perdas.

Além disso, o uso de tecnologias de medição tem evoluído, permitindo maior precisão na avaliação da qualidade dos grãos e mais segurança nas decisões comerciais.

Controle adequado ajuda a preservar qualidade e rentabilidade

Especialistas recomendam que a colheita da soja ocorra com níveis de umidade entre 13% e 14% para garantir melhor qualidade e maior rentabilidade. Equipamentos portáteis de medição permitem que essa análise seja feita diretamente no campo, de forma rápida e eficiente.

Ao conhecer com precisão o nível de umidade da produção, o produtor ganha mais segurança na negociação, evita descontos indevidos e preserva o valor do grão. Em um cenário marcado por perdas causadas pelo excesso de chuva, o monitoramento se torna um aliado fundamental para reduzir impactos financeiros e otimizar resultados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra

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Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.

O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.

O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.

A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.

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No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.

Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.

No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.

O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.

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Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.

A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.

Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.

Fonte: Pensar Agro

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