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Ciclo Solar 25 intensifica interferências em sinais GNSS e exige novas estratégias na agricultura de precisão

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O Ciclo Solar 25, que ocorre em ciclos de aproximadamente 11 anos, entrou em sua fase de maior intensidade e já apresenta atividade acima do previsto inicialmente. O ciclo teve início oficial em dezembro de 2019 e, segundo dados de centros de monitoramento como o SWPC (Space Weather Prediction Center) da NOAA, registra maior frequência de manchas solares e ejeções de massa coronal.

Esse aumento de atividade eleva a probabilidade de interferências nos sinais de satélite utilizados na agricultura de precisão, impactando diretamente operações no campo.

Brasil está em área crítica para cintilação ionosférica

As perturbações causadas pela atividade solar nos sinais GNSS, conhecidas como cintilação ionosférica, são mais intensas em regiões próximas ao equador magnético. Por sua localização geográfica, o Brasil está entre as áreas mais afetadas do planeta.

Esse fenômeno provoca distorções nos sinais de posicionamento utilizados por máquinas agrícolas, como plantadeiras, pulverizadores e colheitadeiras. O impacto tem levado fabricantes globais de tecnologia a desenvolver soluções específicas para o mercado brasileiro.

Operações noturnas aumentam exposição ao risco no campo

O período de maior ocorrência da cintilação ionosférica é entre 18h e 4h da manhã, justamente a janela em que muitas propriedades operam em terceiro turno para ampliar a produtividade e aproveitar melhor o tempo de plantio.

Em culturas como a cana-de-açúcar, onde a operação ocorre de forma contínua, o impacto é ainda mais relevante.

“A cintilação não é mais uma ameaça teórica. É uma realidade agravada pelo Ciclo Solar 25, e nossos agricultores estão cada vez mais expostos”, afirma Lohaynes Santos, gerente de produto da Trimble RTX® América Latina.

Perda de precisão pode gerar prejuízos operacionais no campo

Os efeitos da cintilação vão além da perda total de sinal. Em muitos casos, o problema está na degradação da precisão, o que pode ser ainda mais prejudicial.

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Com o sinal parcialmente comprometido, as máquinas continuam operando, mas com desvios que nem sempre são percebidos em tempo real. Isso pode resultar em:

  • Sobreposição de passadas, com desperdício de insumos e combustível
  • Falhas no espaçamento de plantio, reduzindo produtividade
  • Aplicação irregular de defensivos agrícolas
  • Pisoteio de áreas produtivas

Em operações de larga escala, esses erros acumulados podem gerar perdas significativas ao longo da safra.

RTK e PPP apresentam níveis diferentes de vulnerabilidade

Os principais sistemas de correção de sinal utilizados na agricultura de precisão no Brasil — RTK (Real-Time Kinematic) e PPP (Precise Point Positioning) — respondem de forma diferente às interferências solares.

O RTK depende de uma estação base local e tende a ser mais sensível a distúrbios ionosféricos, especialmente em maiores distâncias entre base e receptor. Já o PPP, como o sistema RTX, utiliza correções via satélite e modelagem global de erros, além do uso de múltiplas constelações, o que aumenta sua resiliência.

Ainda assim, nenhum sistema é totalmente imune, o que reforça a necessidade de tecnologias complementares de mitigação em tempo real.

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Tecnologias já reduzem impactos da cintilação no campo

O avanço da tecnologia agrícola já trouxe soluções específicas para mitigar os efeitos do Ciclo Solar 25. Entre elas está o IonoGuard™, desenvolvido pela Trimble, integrado ao serviço CenterPoint RTX.

A tecnologia filtra distorções causadas pela atividade solar e mantém precisão abaixo de 2,5 centímetros mesmo em condições ionosféricas severas. O recurso está disponível nos receptores PTx Trimble NAV-960 e NAV-900 (este último por meio de atualização gratuita de firmware).

Outras empresas do setor também desenvolvem soluções semelhantes, indicando que a mitigação da cintilação tende a se tornar um requisito padrão nas tecnologias de precisão.

Ciclo solar reforça importância do planejamento tecnológico no agro

Embora o Ciclo Solar 25 esteja próximo de seu pico e deva entrar em fase de declínio nos próximos anos, especialistas alertam que novos ciclos virão, possivelmente com intensidade ainda maior.

A safra 2025/26 reforça a necessidade de incluir a resiliência dos sinais de precisão no planejamento das propriedades, ao lado de fatores como manejo de solo, logística de insumos e gestão climática.

Produtores que investirem em atualização de equipamentos, conectividade redundante e capacitação técnica estarão mais preparados não apenas para o ciclo atual, mas também para os próximos desafios da agricultura de precisão.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil

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Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.

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Fonte: Pensar Agro

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