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CNA apresenta propostas para fortalecer agricultura sustentável na Amazônia
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Reconhecer a produção agropecuária sustentável na Amazônia como parte da agenda climática, acelerar a regularização fundiária e ambiental, reforçar a segurança alimentar regional, combater o desmatamento ilegal, criar linhas de crédito rural e financiamento climático específicas e desenvolver a bioeconomia alimentar. Estas são algumas das principais propostas que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentará na 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30).
O documento com essas recomendações foi entregue à presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, ao senador Zequinha Marinho, presidente da Comissão de Agricultura do Senado, e ao ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, enviado especial da Agricultura para a COP 30. Segundo o presidente da CNA, João Martins, o Brasil possui condições naturais para ser um grande fornecedor sustentável de alimentos, sem necessidade de desmatamento, e eventuais irregularidades não refletem a conduta da maioria dos produtores rurais.
Entre as propostas detalhadas, a CNA sugere que a produção sustentável na Amazônia seja reconhecida formalmente na agenda climática, combatendo estigmas que ainda recaem sobre os agricultores locais. A regularização fundiária e ambiental é apresentada como condição básica para garantir segurança jurídica, acesso a crédito e estímulo a investimentos produtivos. Para reforçar a segurança alimentar, a entidade defende incentivos à produção local de alimentos, enquanto medidas econômicas específicas ajudariam a combater o desmatamento ilegal, mantendo a sustentabilidade produtiva da região.
Outro ponto importante do documento é a criação de linhas de crédito e financiamento climático com juros diferenciados e prazos adequados, voltadas para sistemas integrados de produção, recuperação de pastagens e reflorestamento produtivo. Além disso, a CNA propõe o fortalecimento da bioeconomia alimentar, transformando ciência, tecnologia e agregação de valor em fonte de renda e inovação para os produtores.
Durante a COP 30, a Embrapa apresentará mais de 200 tecnologias e manejos sustentáveis no espaço AgriZone, localizado na unidade Amazônia Oriental, em Belém (PA). Entre as iniciativas, estão sistemas agroflorestais, integração lavoura-pecuária-floresta e produtos de baixo carbono, como soja, carne e leite, reforçando o potencial da agricultura brasileira em aliar produtividade à sustentabilidade ambiental.
Com estas medidas, a CNA busca demonstrar que a agricultura tropical é um pilar estratégico para a mitigação das mudanças climáticas, fortalecendo políticas públicas que incentivem práticas produtivas sustentáveis e a valorização econômica da Amazônia.
Fonte: Pensar Agro
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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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