AGRONEGÓCIO
Com 358,6 milhões de toneladas, Brasil reforça liderança global na produção de alimentos
AGRONEGÓCIO
O 9º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (11.06), aponta que a produção nacional de grãos deverá atingir 358,6 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde na série histórica. O volume representa crescimento de 1,8% em relação ao ciclo anterior, com acréscimo de 6,4 milhões de toneladas, consolidando o Brasil entre os maiores produtores de alimentos do planeta.
O desempenho é sustentado pelo aumento da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, e pelas condições climáticas favoráveis observadas em boa parte do ciclo. A produtividade média nacional também deve alcançar novo patamar, chegando a 4.295 quilos por hectare. O resultado reforça a capacidade do setor de ampliar a produção mesmo em um cenário de custos elevados e desafios logísticos.
A soja segue como a principal estrela do campo brasileiro. Com a colheita praticamente encerrada, a produção da oleaginosa foi estimada em 180,3 milhões de toneladas, novo recorde e um incremento de 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior. O volume consolida ainda mais a liderança do Brasil no mercado mundial da commodity e abre espaço para o avanço das exportações, projetadas em 116,1 milhões de toneladas.
Além do mercado externo, a indústria nacional também deverá absorver volumes maiores da oleaginosa. A Conab estima que 61,58 milhões de toneladas sejam destinadas ao processamento interno, fortalecendo cadeias ligadas ao farelo, óleo de soja e biodiesel. Os estoques finais devem ficar em torno de 9,2 milhões de toneladas.
Outro destaque é o milho, cuja produção total, considerando as três safras, deverá alcançar 140,5 milhões de toneladas. A primeira safra já apresenta colheita avançada em 87,7% da área cultivada e deve render 29,3 milhões de toneladas, crescimento de 17,7% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média dessa etapa foi estimada em 7.110 quilos por hectare, estabelecendo novo recorde para a cultura.
A segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional e pelas exportações do cereal, está em fase inicial de colheita e tem potencial para atingir 107,9 milhões de toneladas. Já a terceira safra deverá acrescentar mais 3,3 milhões de toneladas ao volume total. O desempenho reforça a importância do milho para o abastecimento das cadeias de proteína animal, etanol e mercado externo.
Entre as demais culturas, o sorgo apresenta uma das maiores expansões do ciclo. A produção foi estimada em 7,62 milhões de toneladas, avanço de 24,9% em relação à safra passada. Já o algodão deverá registrar leve retração, com produção próxima de 4 milhões de toneladas, influenciada pela redução da área plantada.
Produtos voltados ao consumo interno, como arroz e feijão, apresentam ligeira redução na produção. A colheita de arroz deverá totalizar 11,1 milhões de toneladas, queda de 13,2%, enquanto o feijão, considerando as três safras, deve alcançar cerca de 3 milhões de toneladas, recuo de 0,5%. Apesar disso, a Conab destaca que os volumes são suficientes para garantir o abastecimento do mercado doméstico.
No trigo, a redução da área cultivada deverá resultar em uma produção próxima de 6,3 milhões de toneladas. A semeadura da cultura já alcança 45,3% da área prevista nas principais regiões produtoras.
Os números divulgados pela Conab evidenciam a força da agricultura brasileira e a capacidade do setor em ampliar a produção em um cenário cada vez mais desafiador. Com soja e milho liderando a expansão, o Brasil reforça sua posição estratégica no abastecimento global de alimentos, fibras e energia, consolidando o protagonismo do agronegócio nacional no cenário internacional.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel
O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.
A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.
Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.
A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.
No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.
A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.
“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.
A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.
O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.
A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.
O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.
Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.
Fonte: Pensar Agro
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