AGRONEGÓCIO
Conab realiza levantamento de custos do mel e café arábica em Minas Gerais para apoiar políticas agrícolas
AGRONEGÓCIO
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) promove, nesta semana, painéis técnicos em Minas Gerais para levantamento dos custos de produção do mel e do café arábica. As atividades ocorrem nos municípios de Formiga e Guaxupé, com foco na atualização de dados que subsidiam políticas públicas voltadas ao setor agropecuário.
Levantamento busca mapear custos reais da produção
Os encontros têm como objetivo caracterizar a chamada unidade produtiva modal de cada região, identificando os principais insumos, coeficientes técnicos e práticas agrícolas utilizadas pelos produtores.
Essas informações são fundamentais para o cálculo dos custos de produção, servindo de base para políticas de garantia de renda e abastecimento alimentar no país.
Painel do mel integra programa voltado à agricultura familiar
O levantamento do mel foi realizado nesta terça-feira (24), em Formiga, e faz parte das ações do Programa de Garantia de Preço para a Agricultura Familiar.
O programa tem como finalidade assegurar que agricultores familiares recebam valores acima do custo de produção, contribuindo para a sustentabilidade econômica da atividade.
Café arábica também será analisado em Guaxupé
Já o painel do café arábica está programado para quinta-feira (26), em Guaxupé, importante polo cafeeiro de Minas Gerais.
Além de integrar o PGPAF, o levantamento também subsidia a Política de Garantia de Preços Mínimos, instrumento que busca regular a oferta de alimentos e garantir remuneração mínima ao produtor rural.
Metodologia reúne especialistas e agentes da cadeia produtiva
A metodologia aplicada pela Conab envolve a coleta detalhada de dados sobre parâmetros produtivos, atividades operacionais e uso de insumos.
Os painéis contam com a participação de cerca de 20 integrantes, incluindo técnicos da Superintendência de Informações da Agropecuária e da Superintendência Regional de Mato Grosso da Conab, além de representantes externos.
Entre os participantes estão produtores rurais, entidades do setor agropecuário, órgãos de assistência técnica, instituições financeiras, centros de pesquisa e empresas fornecedoras de insumos.
Dados subsidiam políticas públicas e decisões no campo
Os levantamentos realizados pela Conab são utilizados como referência para formulação de políticas públicas, definição de preços mínimos e apoio à tomada de decisão por produtores e agentes do agronegócio.
A atualização dessas informações é considerada estratégica para garantir equilíbrio econômico nas cadeias produtivas e maior previsibilidade ao setor rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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