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Conflito no Oriente Médio redefine cenário das commodities no 2º trimestre de 2026, aponta StoneX

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A intensificação do conflito no Oriente Médio provocou uma mudança significativa no cenário global das commodities no segundo trimestre de 2026. De acordo com a 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, a geopolítica voltou a ocupar papel central na formação de preços, ampliando riscos e conectando mercados de energia, logística, insumos agrícolas e alimentos.

Geopolítica volta ao centro e aumenta volatilidade global

Segundo a análise da StoneX, a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã adicionou uma nova camada de complexidade a um ambiente que já era marcado por incertezas econômicas e comerciais.

Desde 2025, políticas comerciais mais rígidas e imprevisíveis por parte dos Estados Unidos já vinham provocando mudanças nas cadeias globais de suprimento. Com o avanço das tensões militares no Oriente Médio, esse cenário foi intensificado, elevando custos de produção e gerando impactos distintos entre setores.

O conflito, que se expandiu para além da Faixa de Gaza, passou a atingir infraestrutura estratégica, incluindo instalações petrolíferas e siderúrgicas, ampliando seus efeitos sobre a economia global.

Estreito de Ormuz amplia risco sobre energia e fertilizantes

Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, além de volumes relevantes de fertilizantes exportados pelo Golfo Pérsico.

O fechamento da rota provocou impactos diretos sobre:

  • Oferta global de energia;
  • Custos logísticos marítimos;
  • Cadeias de produção agrícola.

Embora um cessar-fogo temporário de duas semanas tenha sido anunciado em abril, o relatório destaca que o acordo é frágil, mantendo incertezas sobre a reabertura plena da rota e a normalização do comércio.

Energia no epicentro dos impactos econômicos

A energia permanece como o principal canal de transmissão dos efeitos do conflito. A alta nos preços do petróleo e seus derivados impacta diretamente os custos industriais, logísticos e agrícolas.

Segundo Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, o cenário atual representa uma mudança estrutural:

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A pressão sobre energia se espalha para fretes, fertilizantes e, consequentemente, para os preços dos alimentos, exigindo uma abordagem mais integrada na análise das commodities.

Incertezas macroeconômicas ampliam riscos globais

Além da geopolítica, fatores macroeconômicos também contribuem para o aumento da volatilidade. Entre eles, destacam-se as dúvidas sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos, especialmente com o fim do mandato de Jerome Powell à frente do Federal Reserve.

A possibilidade de mudanças na liderança da autoridade monetária americana levanta questionamentos sobre a independência do banco central e adiciona pressão sobre mercados de câmbio e renda fixa.

Para o Brasil, esse cenário é ainda mais sensível diante do contexto eleitoral e das fragilidades fiscais, podendo intensificar a volatilidade do real frente ao dólar.

Commodities agrícolas enfrentam aumento de custos

No mercado de grãos, o início do plantio no Hemisfério Norte coloca o clima dos Estados Unidos como fator-chave para a formação de preços. No entanto, o cenário atual incorpora um novo elemento: o aumento dos custos de produção.

A alta nos preços de energia e fertilizantes tende a:

  • Sustentar as cotações agrícolas;
  • Pressionar as margens dos produtores;
  • Aumentar o risco nas decisões de comercialização.
Fertilizantes têm oferta pressionada e logística encarecida

O mercado de fertilizantes, que tradicionalmente apresenta condições mais favoráveis de compra no segundo trimestre, enfrenta agora um ambiente de maior risco.

A instabilidade no Golfo Pérsico afeta diretamente:

  • A disponibilidade de produto;
  • Os custos de transporte;
  • A previsibilidade de entregas.

Esse cenário pode elevar os preços e impactar o planejamento das safras.

Energia segue sensível a novos desdobramentos

Nas commodities energéticas, o fator geopolítico continua dominante no curto prazo. Mesmo com eventuais períodos de trégua, os efeitos estruturais sobre oferta e logística tendem a persistir.

O mercado permanece altamente sensível a novos eventos, o que mantém a volatilidade elevada.

Soft commodities apresentam movimentos distintos

Entre as commodities agrícolas mais leves, o comportamento é heterogêneo:

  • Algodão: tendência de reequilíbrio, com redução da sobreoferta;
  • Café: possível pressão adicional com a entrada da safra brasileira em ano de bienalidade positiva;
  • Cacau: aumento da oferta global, especialmente na África Ocidental, pode favorecer acomodação dos preços.
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Metais refletem cenário misto entre oferta e liquidez

No segmento de metais, os sinais são variados. A restrição de oferta sustenta os preços dos metais de base, enquanto fatores macroeconômicos pressionam os metais preciosos.

A busca global por liquidez em dólar e o ambiente de juros elevados contribuíram para a recente correção em ativos como ouro e prata.

Câmbio brasileiro mostra resiliência, mas segue exposto

O real tem apresentado desempenho relativamente resiliente, apoiado pela posição do Brasil como exportador líquido de petróleo.

Ainda assim, a moeda permanece sensível a fatores como:

  • Diferencial de juros;
  • Cenário político interno;
  • Evolução do conflito no Oriente Médio.

Esses elementos devem continuar influenciando o comportamento do câmbio nos próximos meses.

Gestão de risco ganha protagonismo no setor

Diante do novo cenário global, a StoneX destaca que a gestão de risco volta ao centro das decisões estratégicas.

A combinação de incertezas em energia, câmbio e juros exige maior disciplina em:

  • Estratégias comerciais;
  • Operações de hedge;
  • Planejamento de custos e margens.
Relatório reúne análise global do mercado de commodities

Produzido desde 2015 pela área de Inteligência de Mercado da StoneX, o relatório trimestral reúne análises de especialistas do Brasil e de países como Reino Unido, Paraguai, Argentina, China e Estados Unidos.

A publicação oferece uma visão abrangente dos mercados de commodities agrícolas, energia, metais e moedas emergentes, com foco em apoiar decisões estratégicas em um ambiente cada vez mais volátil e interconectado.

Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportações do agro brasileiro avançam em abril e soja lidera embarques, aponta ANEC

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O Brasil segue com ritmo acelerado nas exportações do agronegócio em 2026, com destaque para a soja e o milho, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). O relatório da Semana 16 mostra avanço consistente nos embarques e reforça o protagonismo do país no comércio global de grãos.

Embarques semanais superam 3,4 milhões de toneladas de soja

Na semana de 19 a 25 de abril, os embarques brasileiros de soja somaram cerca de 3,48 milhões de toneladas. Para o período seguinte, entre 26 de abril e 2 de maio, a projeção indica aumento para aproximadamente 4,46 milhões de toneladas.

Os dados refletem a intensificação da logística portuária, com destaque para:

  • Porto de Santos: maior volume embarcado, superando 1,4 milhão de toneladas de soja
  • Paranaguá: mais de 400 mil toneladas
  • Barcarena e São Luís/Itaqui: forte participação no escoamento pelo Arco Norte

Além da soja, o farelo e o milho também apresentaram movimentação relevante nos principais portos do país.

Exportações crescem em abril e reforçam tendência positiva em 2026

No acumulado mensal, abril deve registrar entre 18,0 milhões e 20 milhões de toneladas exportadas, considerando todos os produtos analisados.

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Entre os destaques:

  • Soja: cerca de 14,9 milhões de toneladas embarcadas
  • Milho: 2,75 milhões de toneladas
  • Farelo de soja: volumes mais modestos, mas com recuperação frente a meses anteriores

No acumulado do ano, o Brasil já soma mais de 41 milhões de toneladas exportadas de soja, mantendo desempenho robusto no mercado internacional.

Comparativo com 2025 mostra avanço nas exportações

Os dados da ANEC indicam crescimento relevante frente ao ano anterior, especialmente no primeiro quadrimestre:

  • Janeiro: alta expressiva nos embarques
  • Março e abril: consolidação do crescimento
  • Fevereiro: leve recuo pontual

Em abril, o volume exportado supera em mais de 2,3 milhões de toneladas o registrado no mesmo período de 2025.

China segue como principal destino da soja brasileira

A demanda internacional permanece aquecida, com forte concentração nas compras chinesas. Entre janeiro e março de 2026:

  • China: responsável por 75% das importações de soja brasileira
  • Espanha e Turquia: aparecem na sequência, com participações menores
  • Países asiáticos e do Oriente Médio ampliam presença
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No caso do milho, os principais destinos incluem Egito, Vietnã e Irã, reforçando a diversificação dos mercados compradores.

Logística e demanda sustentam desempenho do agro

O avanço das exportações brasileiras está diretamente ligado à combinação de fatores como:

  • Safra robusta
  • Demanda internacional aquecida
  • Eficiência logística, com maior uso de portos do Norte

A tendência é de manutenção do ritmo positivo ao longo dos próximos meses, especialmente com o avanço da comercialização da safra e a continuidade da demanda global por grãos brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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