RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Dólar mantém leve queda e Ibovespa opera estável à espera das decisões de juros no Brasil e nos EUA

Publicados

AGRONEGÓCIO

Dólar inicia a semana em leve queda acompanhando o cenário externo

O dólar abriu a semana com movimentação próxima da estabilidade, acompanhando o comportamento das principais moedas globais. Nesta segunda-feira (26), a moeda norte-americana era negociada em torno de R$ 5,28, com leve recuo frente ao real, refletindo a cautela dos investidores antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

No mercado futuro, o contrato de dólar para fevereiro também registrava pequenas variações negativas, enquanto no exterior o dólar apresentava desempenho fraco frente ao euro, à libra e a moedas emergentes, como o rand sul-africano e o peso chileno.

A volatilidade reduzida ocorre às vésperas da chamada “Super Quarta”, quando os bancos centrais das duas maiores economias das Américas definirão suas taxas de juros.

Expectativas para a “Super Quarta” movimentam os mercados

Nesta quarta-feira (28), o Federal Reserve (Fed) anuncia sua nova taxa básica, atualmente entre 3,50% e 3,75% ao ano, enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) divulga à noite a decisão sobre a Selic, que deve ser mantida em 15,00% ao ano.

Economistas avaliam que ambos os bancos centrais devem optar pela manutenção das taxas, diante de um cenário de inflação mais controlada, mas ainda sob incertezas quanto ao ritmo da economia global.

Leia Também:  Açúcar recua em abril, mas mercado global reage e pode impulsionar preços no Brasil

A diferença entre os juros brasileiros e americanos continua sendo um fator de atração de capital estrangeiro, o que tem contribuído para manter o dólar abaixo dos R$ 6,00 nos últimos meses.

Ibovespa opera estável após sequência de altas

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), operava perto da estabilidade na manhã desta segunda-feira, após cinco pregões consecutivos de alta. O índice estava próximo dos 179 mil pontos, refletindo ajustes pontuais após o forte avanço da última semana, quando acumulou alta de mais de 8%.

O otimismo com os ativos brasileiros vem sendo impulsionado pelo fluxo de investidores estrangeiros, que buscam retornos mais atrativos no país diante da expectativa de estabilidade monetária e fundamentos sólidos da economia.

Cenário financeiro e leilões do Banco Central

O Banco Central do Brasil manteve nesta segunda-feira sua atuação no mercado de câmbio, realizando leilões de linha no valor total de US$ 2 bilhões, com o objetivo de rolar contratos que vencem no início de fevereiro e garantir liquidez.

O órgão também divulgou que o déficit em transações correntes de 2025 foi de US$ 68,7 bilhões, enquanto o investimento direto no país somou US$ 77,6 bilhões, demonstrando confiança do investidor estrangeiro na economia brasileira.

Leia Também:  Câmara aprova Medida Provisória que endurece fiscalização e regras do frete rodoviário
Influência internacional e tensões geopolíticas

Além dos fatores econômicos, tensões geopolíticas e declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continuam no radar dos investidores. As incertezas sobre a política externa americana têm influenciado a volatilidade do dólar e dos ativos de risco em todo o mundo.

No cenário global, o Banco do Japão também é destaque, com expectativas de possível intervenção para conter a desvalorização do iene — o que reforça a leitura de que a política monetária internacional ainda deve seguir cautelosa.

Panorama atualizado

O dólar comercial segue cotado próximo de R$ 5,28, em leve queda de 0,07%, enquanto o Ibovespa mantém estabilidade em torno dos 179 mil pontos, após uma semana de fortes ganhos. As projeções indicam manutenção da taxa Selic em 15% ao ano e estabilidade dos juros nos Estados Unidos entre 3,50% e 3,75%.

Os mercados aguardam com atenção os anúncios de quarta-feira, que devem definir o tom das próximas semanas para o câmbio, a renda variável e o fluxo de capitais estrangeiros no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicados

em

Por

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia Também:  Exportações do agro de Minas Gerais somam US$ 3,93 bilhões no 1º trimestre, com destaque para café e avanço das carnes

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia Também:  Irrigação eficiente: 5 passos para aumentar produtividade e economizar água no campo

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA