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Embrapa lidera acordo internacional de inovação genômica com empresas da Índia e do Brasil
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A Embrapa firmou um Memorando de Entendimento (MOU) com um consórcio formado por cinco empresas privadas, sendo três indianas e duas brasileiras, para o desenvolvimento conjunto de tecnologias genômicas voltadas à pecuária leiteira. O acordo, com validade de dez anos, tem como foco principal a transferência, adaptação e validação de tecnologias da Embrapa para os sistemas de produção de leite da Índia.
Entre as instituições indianas participantes estão a Leads Agri Genetics Private Limited, especializada em genética animal e reprodução assistida; a LeadsConnect Services Private Ltd, voltada à agricultura de precisão e análise de dados; e a B.L. Kamdhenu Farms Limited, que atua na promoção da pecuária leiteira e preservação de raças nativas. Do lado brasileiro, participam a Fazenda Floresta, referência em embriões in vitro e produção leiteira de alta performance, e a DNAMARK, empresa dedicada à genômica e melhoramento animal.
Cooperação reforça laços científicos entre Brasil e Índia
O embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia, destacou que este é o primeiro acordo técnico-científico bilateral entre empresas dos dois países voltado ao melhoramento genético e biotecnologia reprodutiva. Segundo ele, a parceria é resultado direto do memorando firmado entre a Embrapa e o Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola (ICAR), em julho, com o objetivo de fortalecer a colaboração em pesquisa agropecuária.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, ressaltou que a cooperação amplia a histórica parceria entre Brasil e Índia no campo da genética bovina.
“A genômica, a biotecnologia e a edição gênica se tornaram pilares do nosso trabalho conjunto. Essa nova etapa reforça o papel da Embrapa como referência global em agropecuária tropical e amplia o alcance da pesquisa brasileira”, afirmou.
Transferência de tecnologia e criação de laboratório de genômica
De acordo com o pesquisador Marcos Vinícius G. B. Silva, da Embrapa Gado de Leite, o projeto permitirá transferir e validar o portfólio genômico brasileiro em um dos maiores mercados de laticínios do mundo, inicialmente voltado às raças zebuínas, como Gir, Sindi e Sahiwal.
“A parceria cria uma via de mão dupla: a Embrapa compartilha seu conhecimento em genômica, bioinformática e biotecnologia, enquanto terá acesso a bancos de dados genômicos e fenotípicos das raças indianas, o que vai acelerar o ganho genético de ambos os países”, explica o pesquisador.
Entre as ações previstas está o apoio técnico à criação de um laboratório de genômica e bioinformática na Índia, baseado na metodologia desenvolvida pela Embrapa no programa Gir Leiteiro. O objetivo é acelerar a seleção de animais superiores e aumentar a produtividade de leite no país asiático, que busca atingir 330 milhões de toneladas anuais até 2034.
Benefícios também para o Brasil: genética, comércio e sustentabilidade
Além de fortalecer a cooperação científica, o acordo abre novas oportunidades comerciais para o Brasil, como a exportação de sêmen e embriões para o mercado indiano. Outro benefício será o aumento da variabilidade genética do rebanho Gir Leiteiro brasileiro, reduzindo o risco de endogamia, problema comum em programas de melhoramento intensivo.
“Com essa troca genética, conseguimos reduzir o parentesco entre animais e preservar a aptidão e o vigor das futuras gerações”, explica Silva.
A implementação dos projetos será feita por meio de Projetos de Cooperação Científica (PCC) e Projetos de Cooperação Técnica (PCT), que definirão recursos, responsabilidades e direitos de propriedade intelectual sobre as inovações desenvolvidas.
Do berço indiano à referência mundial: o caminho do zebu no Brasil
As raças zebuínas (Bos indicus), originárias da Índia, chegaram ao Brasil no século XIX para substituir raças europeias menos adaptadas ao clima tropical. Na pecuária de corte, a raça Nelore se consolidou como líder; já na bovinocultura de leite, o destaque ficou com o Gir Leiteiro, que viveu a chamada “Febre do Gir” no século passado.
Segundo Rui da Silva Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, as importações realizadas até a década de 1960 foram fundamentais para criar a base genética do rebanho brasileiro e para o surgimento da raça Girolando (cruzamento entre Gir e Holandês), considerada “um marco do melhoramento genético nacional”.
O chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Bellini, destacou que o novo acordo simboliza uma reversão histórica:
“De importadores da genética zebuína, agora exportamos conhecimento e tecnologia para o país de origem da raça. É o reconhecimento internacional da qualidade da pesquisa brasileira e da excelência do rebanho Gir”, afirmou.

O legado do PNMGL e o avanço da genômica brasileira
A base desse sucesso é o Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PNMGL), criado em 1985 pela Embrapa em parceria com a ABCGIL e a ABCZ. O programa revolucionou a pecuária leiteira tropical ao elevar a produção média de leite da raça e melhorar a qualidade de seus componentes — gordura, proteína e sólidos totais — sem perder a rusticidade.
A partir de 2018, o programa incorporou a genômica aos testes de progênie, permitindo selecionar animais jovens com maior precisão e reduzir o intervalo entre gerações, acelerando o progresso genético.
Com o novo acordo entre Brasil e Índia, o PNMGL ganha projeção internacional, consolidando o Brasil como referência mundial em melhoramento genético de raças zebuínas e ampliando o alcance das tecnologias de produção sustentável desenvolvidas pela Embrapa.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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