AGRONEGÓCIO
Esmagamento de Soja em Mato Grosso Avança em Agosto, mas Margens das Indústrias Recuam
AGRONEGÓCIO
O esmagamento de soja em Mato Grosso registrou alta em agosto, totalizando 1,19 milhão de toneladas. O resultado representa avanço de 0,54% frente a julho e crescimento expressivo de 15,22% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA).
O aumento foi impulsionado pela forte demanda interna por derivados da oleaginosa e pelo aquecimento das exportações de farelo de soja, que seguem em ritmo acelerado no mercado internacional.
Exportações de farelo seguem aquecidas
As exportações de farelo de soja de Mato Grosso atingiram 740,99 mil toneladas em agosto, avanço de 9,07% na comparação com julho e de 31,83% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
De acordo com o IMEA, a procura internacional tem sustentado o ritmo das indústrias, que encontram espaço para ampliar a participação no mercado global.
Menor oferta limita avanço do processamento
Apesar do crescimento, o IMEA destacou que o volume processado poderia ter sido ainda maior. Algumas esmagadoras de menor porte enfrentaram dificuldades para adquirir soja em grão, reflexo da menor disponibilidade da oleaginosa no Estado.
No acumulado de janeiro a agosto, o processamento de soja somou 9,08 milhões de toneladas, resultado 5,13% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2024.
Margem das indústrias registra queda
Enquanto o esmagamento avança, as margens das indústrias recuaram. Em agosto, a média da margem bruta fechou em R$ 403,37 por tonelada, queda de 7,01% em comparação com julho.
O recuo foi influenciado pelo encarecimento da soja em grão, que avançou mais do que os preços dos coprodutos, pressionando a rentabilidade das indústrias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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