AGRONEGÓCIO
FuturaGene solicita à CTNBio aprovação do primeiro eucalipto geneticamente editado do mundo
AGRONEGÓCIO
FuturaGene inova com eucalipto geneticamente editado
A FuturaGene, divisão de biotecnologia da Suzano, maior produtora de celulose do mundo, protocolou junto à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sua primeira carta-consulta para avaliação de uma variedade de eucalipto geneticamente editado. O material foi desenvolvido com base em Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMP), utilizando o método CRISPR-Cas9, uma das mais avançadas tecnologias de edição genética existentes.
O pedido é considerado inédito em nível global, sendo o primeiro processo regulatório do mundo envolvendo uma variedade de eucalipto editada geneticamente e analisada segundo os critérios da Resolução Normativa nº 16 (RN 16).
Entenda o que muda com a Resolução nº 16
A norma da CTNBio permite que organismos geneticamente editados sem inserção de DNA externo — ou seja, sem material genético de outras espécies — não sejam enquadrados como transgênicos. Dessa forma, essas plantas podem ser tratadas como equivalentes às variedades convencionais, simplificando o processo regulatório e ampliando o potencial de aplicação da tecnologia no setor florestal.
Mais celulose com menos impacto ambiental
A inovação da FuturaGene consiste na edição de um gene específico ligado à biossíntese da lignina, componente estrutural das plantas. A modificação resulta em melhor desempenho industrial, permitindo a produção de mais celulose com menor consumo de químicos e energia, além de reduzir o impacto ambiental no processo produtivo.
Essa combinação de eficiência e sustentabilidade posiciona o novo eucalipto como uma solução estratégica para aumentar a produtividade sem ampliar o uso de recursos naturais — um passo importante diante dos desafios climáticos e da necessidade de cadeias produtivas mais sustentáveis.
Marco para o setor florestal e a biotecnologia
Para o CEO da FuturaGene, Dr. Stanley Hirsch, a submissão do pedido representa um marco histórico na aplicação da biotecnologia ao setor florestal:
“Este é um momento histórico para o setor e para a ciência aplicada à produção de celulose. Nosso compromisso é utilizar tecnologia de ponta com responsabilidade, promovendo o uso sustentável da terra e dos recursos naturais”, afirmou.
Hirsch destacou ainda que o novo eucalipto amplia o portfólio tecnológico da empresa, que já integra diferentes ferramentas de biotecnologia, incluindo modificação genética e edição gênica, para o desenvolvimento de árvores mais eficientes e adaptadas.
Avaliação regulatória e histórico de inovação
A CTNBio avaliará a carta-consulta para determinar se a nova variedade pode ser considerada equivalente às plantas convencionais. Caso a equivalência seja confirmada, não haverá necessidade de avaliações adicionais de biossegurança, acelerando o processo de aprovação.
Pioneira em biotecnologia florestal, a FuturaGene já conta com 11 aprovações anteriores da CTNBio para variedades geneticamente modificadas (GM) de eucalipto, com características como maior produtividade, resistência a insetos e tolerância a herbicidas.
Avanço sustentável para o futuro da celulose
Com esta nova submissão, a FuturaGene reafirma seu papel de liderança em inovação e sustentabilidade, contribuindo para uma produção de celulose mais eficiente e ambientalmente responsável. O uso de tecnologias de edição genética pode redefinir o futuro do setor florestal brasileiro, colocando o país na vanguarda da biotecnologia aplicada à silvicultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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