AGRONEGÓCIO
Governo libera até R$ 22,2 milhões para apoiar escoamento da borracha natural no Brasil
AGRONEGÓCIO
O Governo Federal autorizou a destinação de até R$ 22,2 milhões para apoiar o escoamento da borracha natural produzida no Brasil. A medida será operacionalizada pela Companhia Nacional de Abastecimento por meio de leilões públicos, com o objetivo de assegurar os preços mínimos aos produtores rurais.
Leilões com Pepro e PEP vão garantir renda ao produtor
A iniciativa será executada por meio dos instrumentos de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), ambos vinculados à Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).
Os leilões serão destinados à borracha natural da safra 2025/26, atendendo produtores localizados em regiões onde os preços de mercado estejam abaixo do mínimo estabelecido pelo governo.
Medida foi autorizada por portaria interministerial
A liberação dos recursos foi formalizada por meio da Portaria Interministerial nº 39, assinada por diferentes áreas do governo, incluindo o Ministério da Fazenda, o Ministério do Planejamento e Orçamento, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e o Ministério da Agricultura e Pecuária.
A medida busca fortalecer a renda dos produtores e garantir maior equilíbrio ao mercado da borracha natural no país.
Critérios para acesso aos incentivos
O apoio será concedido exclusivamente para a borracha natural cultivada, não sendo válido para produtos oriundos do extrativismo. Além disso, há restrições geográficas, incluindo municípios específicos do estado de Mato Grosso e parte da região Norte, com exceção do Tocantins.
Os critérios seguem as diretrizes de preço mínimo estabelecidas anteriormente pelo governo para a safra vigente.
Quem pode participar dos leilões
No caso do PEP, podem participar indústrias beneficiadoras e comerciantes, que recebem o prêmio após comprovarem a compra da borracha pelo preço mínimo e o escoamento do produto para os destinos autorizados.
Já no Pepro, o benefício é direcionado diretamente ao produtor rural ou cooperativas, que recebem a subvenção ao comprovar a venda e o escoamento da produção.
Exigências para participação nas operações
Para participar dos leilões, realizados de forma online pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da Conab, os interessados devem cumprir uma série de requisitos.
Entre eles, estão:
- Registro ativo em bolsa de mercadorias
- Regularidade no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin)
- Situação regular no Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes (Sircoi) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican)
- Cadastro válido no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf)
- Regularidade fiscal junto à Fazenda Federal e à Seguridade Social
- Objetivo é equilibrar mercado e garantir preços mínimos
A iniciativa integra a política agrícola do governo para sustentar os preços ao produtor, especialmente em momentos de desvalorização do mercado. Com o uso de mecanismos como Pepro e PEP, o objetivo é garantir renda ao setor produtivo e assegurar o escoamento da produção de borracha natural no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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