AGRONEGÓCIO
Início da colheita da soja impulsiona alta dos fretes agrícolas em todo o país, aponta Conab
AGRONEGÓCIO
Demanda crescente por transporte aquece o mercado logístico
O avanço da colheita da soja no Brasil já começa a impactar diretamente o mercado de fretes agrícolas, elevando os preços nas principais rotas de transporte. De acordo com o Boletim Logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta segunda-feira (2), o aumento da demanda pelo transporte de grãos — especialmente soja e milho — tem pressionado o setor, refletindo a expectativa de uma safra recorde de 178 milhões de toneladas da oleaginosa.
Sazonalidade e disputa por espaço logístico elevam preços
Segundo o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, o movimento é típico do início do ano, quando a colheita da soja concentra grande parte da produção nacional. “As máximas de preços são esperadas para janeiro e fevereiro, quando a oferta de transporte se mostra limitada diante da forte demanda”, afirmou.
Além da soja, o milho armazenado do ciclo anterior também disputa espaço nos corredores logísticos, intensificando a pressão sobre os preços do frete e aumentando a concorrência por transporte.
Mato Grosso lidera alta nos valores de frete
O estado de Mato Grosso, principal produtor nacional de grãos, registrou as maiores altas nos preços dos fretes em janeiro. Estima-se que um terço da safra de soja mato-grossense já tenha sido colhida, e fevereiro deve concentrar a maior parte da produção, próxima de 50 milhões de toneladas.
Com o milho ainda aguardando escoamento, os dois grãos competem pelo transporte e elevam as cotações logísticas.
Mercado aquecido também em Mato Grosso do Sul e Distrito Federal
Em Mato Grosso do Sul, a demanda por transporte segue firme, sustentada por embarques de exportação e pela retomada das compras internas. O Distrito Federal também registrou aumento generalizado nos valores dos fretes em janeiro, impulsionado por custos mais altos e uma demanda sazonalmente forte no período.
Aquecimento previsto no Piauí e estabilidade no Nordeste
No Piauí, o mercado de fretes apresentou baixa movimentação, reflexo da redução no escoamento de milho e soja. Contudo, com o início da colheita da safra atual, já há indícios de aumento de preços — com alta média de 15% em relação a dezembro.
Já nos estados da Bahia e do Maranhão, o cenário permanece estável. Na Bahia, a tendência é explicada pelos baixos preços do grão e pela redução dos estoques, enquanto no Maranhão a estabilidade do diesel, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ajudou a conter oscilações nos fretes.
Paraná e Goiás registram oscilações e atrasos na colheita
No Paraná, os preços dos fretes oscilaram de acordo com as características regionais e a disponibilidade de cargas de retorno. Em Goiás, a demanda permaneceu moderada, reflexo do atraso no ciclo das lavouras — apenas 2% da soja havia sido colhida até o fim de janeiro.
Mesmo assim, a expectativa é de um aumento expressivo nas próximas semanas, com a colheita se intensificando a partir de 20 de fevereiro e uma produtividade média estimada em 3.858 kg/ha.
São Paulo tem queda pontual, mas tendência é de alta
Em São Paulo, os preços do frete recuaram em janeiro, diante da menor demanda. No entanto, a Conab projeta uma reversão desse movimento com o avanço da colheita da soja em fevereiro, que deve pressionar os valores novamente.
Exportações de milho e soja seguem em ritmo forte
Os embarques de milho somaram 4,2 milhões de toneladas em janeiro de 2026, contra 3,6 milhões no mesmo período de 2025. O Arco Norte liderou os embarques, com 44,7% do volume, seguido pelos portos de Porto de Santos (36,9%), Porto de Paranaguá (10,4%) e Porto de São Francisco do Sul (1,4%).
Já as exportações de soja atingiram 1,8 milhão de toneladas, com o Porto de Santos liderando (35,3%), seguido por Paranaguá (34%), Arco Norte (25,3%) e São Francisco do Sul (5,4%).
Conab monitora o setor logístico agrícola
O Boletim Logístico da Conab reúne informações de dez estados produtores, analisando o mercado de fretes, os fluxos de exportação e o uso das principais rotas de escoamento. O relatório também apresenta dados sobre a movimentação dos estoques da companhia, realizada por transportadoras contratadas via leilão eletrônico.
Boletim Logístico – Fevereiro/2026
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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