AGRONEGÓCIO
Leite: Preços ao produtor acumulam queda de quase 26% em 2025 com pressão de estoques e juros altos
AGRONEGÓCIO
Preços do leite ao produtor seguem em queda e acumulam forte recuo no ano
Os preços do leite captado pelos produtores brasileiros continuaram em trajetória descendente ao longo de 2025, apontando a nona retração mensal consecutiva em dezembro. Segundo levantamento do Cepea, o litro de leite na Média Brasil fechou dezembro/25 a R$ 1,9966 reais, uma queda de 5,78% em relação a novembro/25 e de 25,79% na comparação com dezembro/24, considerando valores deflacionados pelo IPCA. Com isso, a desvalorização real acumulada em 2025 atingiu 25,8%, e a média anual ficou 6,8% abaixo da registrada em 2024, em R$ 2,5617/litro.
Ofertas altas e estoques elevados pressionam o mercado lácteo
O recuo persistente nos preços no campo está relacionado ao aumento da oferta de derivados de leite em 2025. A produção maior foi impulsionada pelos investimentos feitos ao longo de 2024 e por condições climáticas favoráveis, que estimularam a captação de leite — refletida no ICAP-L, que subiu 15,4% no acumulado do ano, apesar de ter recuado 0,41% de novembro para dezembro.
No mesmo período, as importações de lácteos permaneceram elevadas, ajudando a manter grandes estoques no mercado interno. Em 2025, o Brasil importou o equivalente a 2,21 bilhões de litros de leite, apenas 5,9% abaixo do volume recorde de 2024. Por outro lado, as exportações caíram 31,6%, para 67,58 milhões de litros em equivalente leite, reduzindo ainda mais o escoamento de oferta excedente.
Derivados lácteos também apresentam recuos nos valores negociados
A pressão descendente nos preços se estendeu aos itens industrializados ao longo de dezembro. Levantamento do Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que, em termos reais, os preços médios da muçarela, do leite UHT e do leite em pó recuaram 1,38%, 6,67% e 0,79%, respectivamente, refletindo a oferta abundante e a fraca demanda por reposição de estoques no atacado e varejo.
Margens dos produtores apertam apesar de custos estáveis
Mesmo com custos relativamente estáveis ao longo de 2025, a queda nos preços do leite ao produtor estreitou as margens de rentabilidade no setor. Segundo pesquisa do Cepea, o Custo Operacional Efetivo (COE) aumentou modestamente 0,57% na Média Brasil no ano.
A valorização do milho — principal insumo da alimentação animal — também agravou a situação econômica dos produtores. Em dezembro, foram necessários 34,87 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho, um aumento de 9,04% em relação a novembro e 21,7% acima da média dos últimos 12 meses, reduzindo o poder de compra dos agricultores.
Cenário macroeconômico e Selic: impacto de juros elevados no setor
O Banco Central do Brasil segue com a taxa básica de juros Selic em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas, em uma estratégia para manter a inflação sob controle e dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (3% com tolerância até 4,5%). Na reunião de 28 de janeiro de 2026, o Copom decidiu manter a Selic em 15%, sinalizando que poderá começar a cortar os juros já na reunião de março, desde que a inflação continue controlada e sem choques adversos no cenário econômico. Essa estabilidade nos juros altos encarece o crédito e tende a manter a pressão no custo de insumos e investimentos dos produtores rurais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeitura de Rio Branco realiza vacinação antirrábica casa a casa neste sábado no Conjunto Universitário
-
AGRONEGÓCIO17 horas atrásInmet prevê chuva forte e falta de água até 20 de outubro
-
TJ AC6 dias atrásPlano de trabalho prevê ações para facilitar o acesso ao emprego após o cumprimento da pena
-
AGRONEGÓCIO17 horas atrásEstado se aproxima de 1 milhão de toneladas e 1/4 do algodão brasileiro
-
AGRONEGÓCIO16 horas atrásBrasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas
-
AGRONEGÓCIO17 horas atrásEntidade defende papel do agro no abastecimento do Brasil e do mundo
-
AGRONEGÓCIO16 horas atrásAgro mira novo recorde de exportações, mas clima e mercados desafiam a renda do produtor
-
FAMOSOS6 dias atrásEx-BBB Larissa Santos curte dia em praia no Leblon e posa de biquíni: ‘Solzinho!’