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Mercado de arroz enfrenta oferta restrita e pressão de custos no Rio Grande do Sul

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O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue enfrentando um cenário de oferta limitada e baixa liquidez nas negociações. De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre disponibilidade restrita do cereal e o aumento nos custos logísticos — especialmente devido à alta do diesel — tem pressionado o setor neste momento da safra.

Ao mesmo tempo, o avanço das importações de arroz também passa a fazer parte do cenário de abastecimento, influenciando as decisões de produtores e compradores no mercado interno.

Oferta restrita limita negócios no mercado de arroz

Segundo pesquisadores do Cepea, a disponibilidade reduzida de arroz em casca tem sido um dos principais fatores que explicam a baixa liquidez nas negociações no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país.

Mesmo com registros recentes de valorização nos preços, o volume ofertado no mercado continuou restrito. Em alguns casos, compradores chegaram a realizar mais de um reajuste nas propostas de compra para garantir o abastecimento.

Ainda assim, o número de negócios efetivamente concluídos permaneceu limitado.

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Produtores adotam postura cautelosa nas vendas

Parte dos produtores tem adotado uma postura mais cautelosa diante do cenário atual. Conforme levantamento do Cepea, muitos optaram por segurar a oferta e aguardar sinais mais claros do mercado, antes de ampliar as vendas.

Outro grupo de produtores segue concentrado nas atividades de colheita da safra, o que também reduz temporariamente a disponibilidade do produto para negociação.

Em algumas regiões produtoras, relatos indicam ainda que a produtividade das lavouras tem sido inferior ao esperado, fator que contribui para a redução do volume disponível.

Alta do diesel preocupa produtores e operadores logísticos

Além da restrição na oferta do cereal, outro fator que tem gerado preocupação entre os agentes do setor é o aumento expressivo no preço do diesel.

O combustível tem impacto direto sobre os custos de frete e logística, especialmente em um período de intensificação das operações de colheita e transporte da produção agrícola.

Segundo os pesquisadores do Cepea, o aumento desses custos pode pressionar ainda mais a rentabilidade dos produtores e das cadeias de distribuição.

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Tensões globais e relatos de desabastecimento elevam preocupação

Agentes consultados pelo Cepea também relataram preocupação com o cenário internacional. As tensões geopolíticas globais têm contribuído para o aumento do preço do diesel e para episódios pontuais de desabastecimento regional, o que aumenta a incerteza no mercado.

Esse cenário se torna ainda mais sensível no Rio Grande do Sul, onde ocorre simultaneamente a colheita das safras de arroz e soja, elevando a demanda por transporte e combustível em um curto espaço de tempo.

Colheita simultânea intensifica pressão logística no estado

A coincidência entre as colheitas de arroz e soja amplia o volume de grãos que precisa ser transportado nas mesmas semanas, o que pressiona a estrutura logística disponível no estado.

Com maior demanda por caminhões, fretes e combustível, o setor agrícola enfrenta custos operacionais mais elevados, ao mesmo tempo em que produtores e compradores tentam ajustar suas estratégias de comercialização diante de um mercado ainda incerto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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