AGRONEGÓCIO
Mercado de feijão perde referência de preços e enfrenta baixa liquidez no Brasil
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O mercado brasileiro de feijão atravessou a semana com forte desorganização na formação de preços, baixa liquidez e negociações pontuais. O cenário, marcado por ajuste baixista técnico, reflete tanto a retração da demanda quanto a dificuldade de escoamento de produtos de maior qualidade.
Preço do feijão perde referência e negociações migram para o pós-pregão
De acordo com o analista Evandro Oliveira, o mercado consolidou um movimento de queda nos preços ao longo da semana, acompanhado de redução significativa no volume de negócios.
A dinâmica atual mostra uma migração quase total das negociações para o período de pós-pregão, reduzindo a relevância das negociações realizadas nas madrugadas.
Esse comportamento reforça um ambiente de formação de preços mais tático, baseado em negociações pontuais e menos previsíveis.
Feijão carioca registra queda nos preços e dificuldade de escoamento
As cotações do feijão carioca seguiram em queda, com recuo nas indicações de compra:
- Tipo extra nota 9: cerca de R$ 360 por saca CIF São Paulo
- Padrão 8,5: aproximadamente R$ 340 por saca
O movimento confirma o deslocamento da curva de preços para patamares mais baixos. Enquanto o segmento comercial apresentou maior giro, impulsionado pelo consumo, os grãos de qualidade superior enfrentaram dificuldades de comercialização.
Nas regiões produtoras, a pressão também é evidente, com preços para grãos intermediários variando entre R$ 284 e R$ 288 por saca FOB em Goiás e no Paraná.
Mercado opera em duas velocidades e sofre impacto de grãos defeituosos
O mercado segue dividido entre dois comportamentos distintos. De um lado, há sustentação seletiva para produtos de maior qualidade; de outro, uma base fragilizada, pressionada pelo aumento da oferta de grãos defeituosos.
Esse “efeito contágio” tem impactado diretamente a formação de preços, levando compradores a adotarem uma postura mais defensiva nas negociações.
Feijão preto perde suporte e enfrenta ausência de compradores
O segmento de feijão preto apresentou um cenário ainda mais desafiador, com deterioração acentuada na estrutura de preços e praticamente nenhuma liquidez.
Durante a semana, foram registrados poucos ou nenhum negócio relevante, com preços considerados apenas nominais, ou seja, sem validação efetiva no mercado.
Nas origens, as cotações variaram entre:
- R$ 164 por saca FOB em Santa Catarina
- R$ 197 por saca FOB no interior de São Paulo
A demanda segue retraída, sem urgência de recomposição de estoques, enquanto a indústria atua de forma pontual.
Produção menor pode levar a escassez na safra 2026/27
Apesar do cenário atual de fraqueza nos preços, o mercado já começa a sinalizar uma possível mudança estrutural na oferta.
A produção nacional de feijão para a safra 2026/27 está estimada em cerca de 2,95 milhões de toneladas, com destaque para a forte retração da primeira safra na região Sul do país.
A segunda safra, especialmente no Paraná, também apresenta redução de área e produção, mesmo com ganhos pontuais de produtividade. Já as regiões Norte e Nordeste não devem compensar essa queda.
Estoques apertados e maior risco de volatilidade
No Rio Grande do Sul, a colheita avança sob impacto de condições climáticas adversas, o que compromete os volumes produzidos.
Com isso, a relação entre estoque e consumo tende a atingir níveis críticos, reduzindo a capacidade do mercado de absorver choques de oferta.
A perspectiva é de um mercado mais ajustado nos próximos meses, com maior sensibilidade a variações na produção e potencial de aumento da volatilidade nos preços.
Perspectiva: mercado pode mudar de direção no médio prazo
Embora o cenário atual seja de preços pressionados e baixa liquidez, a tendência estrutural aponta para um possível aperto na oferta no ciclo 2026/27.
Esse movimento pode alterar o equilíbrio do mercado, criando condições para recuperação das cotações no médio prazo, especialmente se houver redução mais acentuada da produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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