AGRONEGÓCIO
Mercado de milho inicia semana com cotações estáveis no Brasil e queda em Chicago após feriado nos EUA
AGRONEGÓCIO
Negociações retomam ritmo lento após feriado americano
O mercado brasileiro de milho iniciou esta terça-feira (20) com preços estáveis, refletindo a retomada das negociações após o feriado de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos, que interrompeu as atividades na Bolsa de Chicago (CBOT) e retirou temporariamente uma das principais referências internacionais para o setor.
Com a volta do mercado norte-americano, as operações seguem em ritmo moderado, acompanhando a movimentação cambial e o cenário externo. O dólar opera em alta frente ao real, o que tende a sustentar os preços domésticos e movimentar o mercado nos portos brasileiros.
Preços se mantêm estáveis nas principais praças do país
No mercado físico, as cotações do milho permaneceram praticamente inalteradas nesta segunda e terça-feira.
- Porto de Santos (SP): entre R$ 70,00 e R$ 72,00 a saca (CIF);
- Porto de Paranaguá (PR): de R$ 68,50 a R$ 72,00 a saca;
- Cascavel (PR): R$ 62,00 a R$ 63,50 a saca;
- Mogiana (SP): R$ 65,00 a R$ 66,00 a saca;
- Campinas (SP – CIF): R$ 67,50 a R$ 68,50 a saca;
- Erechim (RS): R$ 66,00 a R$ 67,50 a saca;
- Uberlândia (MG): R$ 62,00 a R$ 63,50 a saca;
- Rio Verde (GO): R$ 60,00 a R$ 62,00 a saca (CIF);
- Rondonópolis (MT): R$ 60,00 a R$ 63,00 a saca.
A leve alta do dólar frente ao real contribui para limitar quedas mais expressivas, sustentando as cotações internas.
B3 abre em leve alta acompanhando o câmbio
Na Bolsa Brasileira de Mercadorias (B3), os preços futuros do milho abriram a terça-feira com leve valorização, acompanhando a movimentação positiva do dólar.
- Março/26: R$ 71,11 (+0,01%)
- Maio/26: R$ 70,20 (+0,03%)
- Julho/26: R$ 68,70 (+0,04%)
- Setembro/26: R$ 68,05 (+0,07%)
Por volta das 10h12 (horário de Brasília), o dólar comercial era cotado a R$ 5,38, com alta de 0,34%. Já o Dollar Index recuava 1%, a 98,40 pontos, refletindo a desvalorização global da moeda americana.
Chicago recua com previsão de safra maior nos EUA
Enquanto o mercado interno apresenta estabilidade, os contratos futuros do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram o dia em queda. Por volta das 9h50 (horário de Brasília):
- Março/26: US$ 4,22 (-2,50 pontos);
- Maio/26: US$ 4,30 (-2,00 pontos);
- Julho/26: US$ 4,36 (-1,75 ponto);
- Setembro/26: US$ 4,35 (-1,25 ponto).
De acordo com o site Successful Farming, os preços seguem pressionados pelos relatórios mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontaram aumento na projeção de produção de milho. O órgão estima uma safra de 17,02 bilhões de bushels, com produtividade média de 186,5 bushels por acre, superando as expectativas anteriores de 16,55 bilhões de bushels e 184 bushels por acre.
A expectativa de ampla oferta global e a concorrência crescente com o milho sul-americano também pesam sobre as cotações, embora a desvalorização do dólar frente a outras moedas atenue as perdas.
Cenário financeiro global influencia commodities
Nos mercados internacionais, as bolsas europeias operam em baixa — Paris (-1,14%), Frankfurt (-1,54%) e Londres (-1,04%) — enquanto as asiáticas fecharam com resultados mistos, com Xangai caindo 0,01% e o Japão recuando 1,11%.
O petróleo tipo WTI com entrega em fevereiro era negociado a US$ 60,06 por barril, em alta de 1,04%, o que reflete um leve otimismo nas commodities energéticas, mas sem impacto direto sobre os preços agrícolas neste início de semana.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Agricultura de precisão e manejo de solo ajudam produtores a reduzir perdas climáticas e aumentar estabilidade da soja e do milho
A sucessão de fenômenos climáticos extremos nos últimos anos tem imposto desafios crescentes à produção agrícola brasileira. Desde a safra 2020/21, o campo convive com a alternância frequente entre La Niña e El Niño — já são cinco episódios de La Niña e um de El Niño em apenas seis anos — cenário que tem impactado diretamente a produtividade, especialmente em culturas como soja e milho.
Com seguros agrícolas cada vez mais caros e de cobertura limitada, parte dos produtores rurais enfrenta maior vulnerabilidade financeira, agravada também pela desvalorização dos grãos em determinados períodos. Nesse contexto, estratégias de manejo e tecnologia no campo passam a desempenhar papel central na redução de riscos.
Manejo do solo e plantas de cobertura reduzem impactos da seca
Embora o controle das condições climáticas não esteja ao alcance do produtor, práticas de manejo vêm sendo adotadas para minimizar perdas causadas por irregularidade de chuvas e períodos de estiagem.
Em Brasilândia do Sul, no noroeste do Paraná, o produtor rural Agnaldo Leite implementa desde 2018 o cultivo de milho em consórcio com crotalária e braquiária em uma área de 275 hectares. O objetivo é melhorar a estrutura do solo e aumentar sua capacidade de retenção de umidade.
A propriedade possui solos de textura mista, com teor de argila entre 25% e 50%, o que exige maior cuidado em períodos secos. Segundo o produtor, as plantas de cobertura são semeadas ainda com o milho safrinha em desenvolvimento, garantindo maior formação de palhada após a colheita.
Na sequência, a soja é implantada sobre essa cobertura vegetal, o que contribui para manter a umidade do solo por mais tempo e amplia a janela ideal de plantio.
Além disso, a crotalária desempenha função importante no controle de nematoides e na reciclagem de nutrientes, auxiliando na disponibilidade de fósforo e potássio para as culturas seguintes.
Agricultura de precisão amplia eficiência no uso de insumos
Outro pilar adotado na propriedade é a agricultura de precisão, com uso de plantadeira de taxa variável para aplicação de fertilizantes conforme as necessidades identificadas em análise de solo.
O sistema permite ajustar a adubação de forma localizada, evitando desperdícios e melhorando a eficiência no uso de insumos, o que impacta diretamente no desempenho das lavouras.
Segundo o engenheiro agrônomo da C.Vale, Mateus Delai, que acompanha a área, o conjunto de práticas adotadas pelo produtor contribui para a recuperação da fertilidade do solo ao longo do tempo.
Solo recuperado e produtividade mais estável
O resultado do manejo integrado tem sido percebido na evolução da propriedade e na estabilidade produtiva das culturas.
O produtor relata que a combinação entre plantas de cobertura e agricultura de precisão transformou a qualidade do solo ao longo dos anos.
“Eu brinco com meus amigos dizendo que, se eu tivesse o conhecimento que tenho hoje, eu não compraria essas terras. Era um solo muito pobre, destruído. Hoje é um solo muito lindo. O fator que limita a minha produtividade não é mais o solo, é a chuva”, afirma Agnaldo Leite.
Segundo ele, as produtividades de soja e milho se tornaram mais consistentes, mesmo diante das variações climáticas registradas nas últimas safras.
Tecnologia e manejo são caminhos para reduzir riscos no campo
Diante da instabilidade climática crescente, especialistas do setor reforçam que a adoção de práticas como agricultura de precisão, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura tende a ganhar ainda mais importância nos próximos anos.
Essas estratégias não eliminam os impactos do clima, mas ajudam a reduzir perdas, melhorar a eficiência produtiva e aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas.
No cenário atual, em que eventos extremos se tornam mais frequentes, a combinação entre tecnologia e manejo adequado do solo se consolida como um dos principais caminhos para garantir estabilidade produtiva e sustentabilidade econômica no campo brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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