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Mercado de milho segue lento no Brasil, à espera de relatório do USDA e impulsionado por perspectivas de exportação
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Negociações lentas e preços estáveis em várias regiões do país
O mercado brasileiro de milho continua apresentando baixo ritmo de comercialização e liquidez reduzida, cenário observado em praticamente todos os estados produtores. De acordo com análises da TF Agroeconômica e da Safras Consultoria, produtores mantêm postura cautelosa, enquanto compradores seguem retraídos, aguardando definições externas e melhores condições de mercado.
No Rio Grande do Sul, as negociações permanecem concentradas em pequenos consumidores e cooperativas regionais. As indicações de compra variam entre R$ 58,00 e R$ 72,00 por saca, com média de R$ 62,00, segundo dados da Emater/RS-Ascar. Nos portos, o milho futuro para fevereiro de 2026 segue estável em R$ 69,00/saca.
Em Santa Catarina, o cenário é semelhante: as pedidas se mantêm próximas de R$ 80,00/saca, enquanto as ofertas giram em torno de R$ 70,00/saca, praticamente travando as negociações. No Paraná, o mercado também avança lentamente, com pedidas dos produtores próximas a R$ 75,00/saca e ofertas industriais na faixa de R$ 70,00 CIF, o que mantém o mercado spot praticamente parado.
Já em Mato Grosso do Sul, a oferta elevada e a postura prudente dos agentes mantêm o ritmo moderado. Os preços variam entre R$ 51,00 e R$ 54,00/saca, com Maracaju liderando as referências estaduais. Apesar de algumas altas pontuais em Chapadão do Sul, a demanda externa segue fraca, limitando avanços.
Expectativa pelo relatório do USDA influencia as cotações
No cenário internacional, o mercado opera com ajustes técnicos antes da divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para sexta-feira (14). Analistas esperam redução na produção americana de milho para 2025/26, projetada em 16,528 bilhões de bushels, frente aos 16,814 bilhões indicados anteriormente.
A expectativa é que os estoques finais dos EUA fiquem em 2,13 bilhões de bushels, enquanto o estoque global deve alcançar 283 milhões de toneladas. Apesar do clima de cautela, a desvalorização do dólar frente a outras moedas e a alta do petróleo em Nova York oferecem suporte adicional às cotações internacionais.
Em Chicago, os contratos de março de 2026 são negociados a US$ 4,46 ¾ por bushel, com leve baixa de 0,11%. Mesmo assim, o mercado limita perdas diante das condições favoráveis ao comércio exterior.
Exportações brasileiras de milho ganham novo fôlego
Enquanto o ambiente interno segue travado, as projeções de exportação trazem ânimo ao mercado. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), os embarques de milho devem crescer 8,44% em novembro em relação a outubro e 22,76% acima do mesmo período de 2024.
A expectativa de aumento nos volumes exportados, aliada à recuperação do dólar frente ao real, sustentou a leve alta dos contratos futuros na B3. O vencimento de novembro de 2025 encerrou a sessão a R$ 67,89/saca, alta de R$ 0,15 no dia. Para janeiro de 2026, o fechamento foi de R$ 70,76/saca, e para março de 2026, R$ 72,51/saca.
Nos portos brasileiros, os preços mantêm estabilidade: em Santos, as cotações variam entre R$ 67,00 e R$ 70,00/saca, enquanto em Paranaguá, os valores ficam entre R$ 69,00 e R$ 72,00/saca.
Panorama cambial e financeiro reforça cenário de cautela
O dólar comercial opera em baixa de 0,29%, cotado a R$ 5,27, enquanto o Dollar Index recua 0,23%, a 99,27 pontos. O comportamento da moeda americana influencia diretamente a paridade de exportação, fator que produtores acompanham de perto antes de firmar novos negócios.
Nos mercados globais, as bolsas asiáticas encerraram com leve alta — Xangai (+0,73%) e Japão (+0,43%) —, enquanto na Europa os índices operam mistos. O petróleo tipo WTI para dezembro, em Nova York, é negociado a US$ 58,95 por barril, avanço de 0,78%, contribuindo para o suporte das commodities agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Egito e África do Sul dominam mercado global de laranja de mesa e ampliam pressão sobre concorrentes
O mercado global de laranja de mesa passa por uma profunda transformação. Impulsionados pelo crescimento da produção, ganhos de competitividade e expansão das exportações, Egito e África do Sul consolidaram sua liderança no comércio internacional da fruta fresca e devem responder por quase 69% das exportações mundiais em 2026.
Levantamento da CitrusBR, com base nos relatórios anuais Citrus: World Markets and Trade do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostra que os dois países adicionaram cerca de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos ao mercado global entre 2010 e 2026.
O avanço evidencia uma mudança estrutural no setor citrícola mundial, com novos protagonistas ocupando espaços historicamente dominados por grandes exportadores tradicionais.
Participação global cresce de 48% para quase 69%
Em 2010, o comércio internacional de laranja de mesa movimentava aproximadamente 97,9 milhões de caixas. Naquele período, Egito e África do Sul exportavam juntos 47,6 milhões de caixas, o equivalente a 48,6% do mercado global.
Para 2026, a expectativa é que as exportações mundiais alcancem 121,1 milhões de caixas, crescimento de 23,6% em relação a 2010. Desse total, os dois países africanos deverão embarcar 83,3 milhões de caixas, ampliando sua participação para quase 69% do comércio global.
Enquanto isso, o chamado “Resto do Mundo” perdeu espaço. O grupo formado por exportadores tradicionais, incluindo Estados Unidos, países europeus, Turquia e Marrocos, deverá reduzir suas exportações de 50,3 milhões para 37,8 milhões de caixas no mesmo período.
Greening e clima reduzem competitividade dos Estados Unidos
A retração dos concorrentes foi determinante para o crescimento dos países africanos.
Nos Estados Unidos, a disseminação do greening nos pomares da Flórida e os eventos climáticos adversos na Califórnia provocaram forte queda na produção e nas exportações. Os embarques americanos, que somavam 18,3 milhões de caixas em 2010, devem recuar para apenas 8 milhões de caixas em 2026, uma redução de 56%.
A Europa também enfrenta desafios significativos. Secas prolongadas, restrições hídricas e doenças nos pomares contribuíram para uma redução de quase 14 milhões de caixas na produção ao longo dos últimos anos.
Com menor disponibilidade de fruta para exportação, os produtores europeus perderam competitividade no mercado internacional, abrindo espaço para novos fornecedores.
África do Sul amplia produção e conquista novos mercados
A África do Sul foi uma das maiores beneficiadas pela reorganização do comércio mundial de laranjas.
Segundo o USDA, a produção sul-africana avançou de 35 milhões para 46,5 milhões de caixas entre 2010 e 2026, crescimento de aproximadamente 33%.
As exportações apresentaram desempenho ainda mais expressivo, saltando de 23,1 milhões para 36,7 milhões de caixas, avanço de 60%.
Além da União Europeia, tradicional destino da fruta sul-africana, mercados como China, Rússia e Estados Unidos passaram a desempenhar papel estratégico para o setor exportador do país.
Egito fortalece competitividade e acelera expansão internacional
O Egito também consolidou sua ascensão como potência exportadora de laranja de mesa, especialmente a partir de 2016.
A expansão foi impulsionada por fatores como desvalorização cambial, acordos comerciais com tarifas preferenciais, custos de produção mais competitivos, incentivos governamentais e linhas de financiamento apoiadas por parceiros europeus.
Esse conjunto de medidas permitiu ao país ampliar rapidamente sua participação nos mercados internacionais e fortalecer sua posição entre os maiores exportadores globais de frutas frescas.
Avanço africano também impacta mercado de suco de laranja
Embora o Brasil permaneça como líder absoluto na produção e exportação de suco de laranja, o crescimento de Egito e África do Sul acende um alerta para a cadeia citrícola global.
Segundo análise da CitrusBR, enquanto os dois países ampliaram sua presença no segmento de fruta fresca, o Brasil deixou de exportar aproximadamente 570 milhões de caixas de laranja na forma de suco ao longo do período analisado.
De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a expansão egípcia merece atenção especial por envolver não apenas a exportação de fruta in natura, mas também o aumento da capacidade de processamento.
“Enquanto a África do Sul concentrou seus esforços no mercado de fruta fresca, o Egito ampliou sua presença tanto nas exportações de laranja de mesa quanto no processamento industrial, tornando-se um concorrente cada vez mais relevante, especialmente no mercado europeu”, destaca.
Mercado acompanha crescimento da indústria egípcia
As projeções do USDA indicam que o Egito deverá processar cerca de 22 milhões de caixas de laranja nesta temporada, volume próximo ao total de fruta fresca exportada pelo país em 2010.
Caso as estimativas se confirmem, o mercado internacional poderá receber aproximadamente 78 mil toneladas equivalentes de suco de laranja provenientes do país africano.
O aumento da oferta ocorre em um momento de desaceleração da demanda global, cenário que reforça a competição entre os principais exportadores e amplia os desafios para a indústria citrícola mundial nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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