AGRONEGÓCIO
Mercado do arroz no Brasil tem recuperação lenta em junho com apoio de exportações e queda de área nos EUA
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O mercado brasileiro de arroz vem registrando uma recuperação gradual e ainda limitada nas cotações ao longo de junho, impulsionada por fatores combinados do cenário doméstico e internacional. A média da saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, referência para o setor, se aproxima de R$ 60, sinalizando melhora leve na formação de preços, embora ainda distante de uma recomposição plena da rentabilidade dos produtores.
A avaliação é do analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, que destaca que o movimento de alta ocorre de forma lenta, porém consistente, em meio a um mercado ainda pressionado por estoques elevados e ritmo de ajuste gradual entre oferta e demanda.
Exportações seguem como fator decisivo para o equilíbrio do mercado
Segundo o especialista, o desempenho das exportações brasileiras continua sendo um dos principais elementos de sustentação do mercado interno.
Caso o Brasil não atinja cerca de 2 milhões de toneladas exportadas na temporada, a tendência é de manutenção de estoques elevados para 2027, o que pode limitar uma recuperação mais forte dos preços.
Esse excedente, de acordo com o analista, tende a reduzir o impacto positivo de uma eventual diminuição de área plantada e possível queda na produção da próxima safra, retardando o processo de reequilíbrio do mercado.
Redução da área nos Estados Unidos muda cenário internacional
No mercado externo, o principal ponto de atenção está no relatório oficial de área plantada dos Estados Unidos, que trouxe uma redução significativa na produção de arroz longo fino — variedade que concorre diretamente com o arroz brasileiro nos mercados globais.
A área destinada ao cultivo caiu de aproximadamente 857 mil para 565 mil hectares, uma redução de 293 mil hectares, equivalente a 34,1%.
O estado do Arkansas, maior produtor norte-americano, liderou o recuo, com perda estimada de cerca de 182 mil hectares.
Para Evandro Oliveira, esse movimento pode favorecer o Brasil no comércio internacional, ampliando as oportunidades de exportação em mercados tradicionalmente atendidos pelos Estados Unidos, especialmente em um cenário de melhora na paridade de exportação e maior competitividade do produto brasileiro.
Preços no Rio Grande do Sul apresentam leve alta
No mercado físico brasileiro, a saca de arroz no Rio Grande do Sul, referência (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista), encerrou o dia 30 de junho cotada a R$ 59,80, registrando alta de 0,60% em relação à semana anterior.
Na comparação com maio, houve avanço de 1,21%, indicando recuperação gradual. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, o produto ainda acumula queda de 9,12%, refletindo um cenário de pressão prolongada sobre os preços ao longo do último ano.
Mercado ainda busca equilíbrio entre oferta e demanda
Apesar da melhora recente, o setor de arroz segue em fase de ajuste, com estoques elevados no mercado interno e dependência do ritmo das exportações para sustentação das cotações.
A combinação entre possível redução de área no Brasil, mudanças na produção dos Estados Unidos e comportamento da demanda internacional será determinante para o andamento dos preços nos próximos meses, segundo analistas do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mais terra, crédito e tecnologia para mulheres podem ampliar produção e renda no campo
Ampliar o acesso das mulheres à terra, ao crédito e à tecnologia pode aumentar a produção de alimentos e a renda no campo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), eliminar as diferenças de produtividade e remuneração entre mulheres e homens nos sistemas agroalimentares elevaria o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em aproximadamente 1% e reduziria em 45 milhões o número de pessoas em insegurança alimentar.
A estimativa dá dimensão econômica ao apelo feito pela ONU Mulheres nesta quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. A entidade cobrou de governos, bancos e empresas investimentos diretamente nas produtoras e a retirada de obstáculos que limitam sua participação nos negócios. A mobilização ocorre em 2026, declarado pelas Nações Unidas o Ano Internacional das Mulheres na Agricultura.
No Brasil, o Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou mulheres na direção de 18,7% dos estabelecimentos, ante 12,7% em 2006. Eram cerca de 947 mil unidades sob comando feminino.
A diferença aparece também no tamanho das áreas. Uma análise dos dados censitários feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o IBGE e o Ministério da Agricultura, mostrou que os estabelecimentos dirigidos por mulheres somavam aproximadamente 30 milhões de hectares, apenas 8,5% da área total. O Nordeste concentrava 57% das unidades comandadas por produtoras.
A presença feminina na gestão é maior quando se considera a administração compartilhada. Segundo o IBGE, cerca de 817 mil mulheres dividiam a direção com o cônjuge. Somadas às que apareciam como dirigentes, eram aproximadamente 1,76 milhão na condução dos estabelecimentos em 2017.
O avanço também aparece em dados recentes de trabalho. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontou aumento da participação relativa feminina no agronegócio no primeiro trimestre de 2026. Isso ocorreu porque a ocupação caiu menos entre as mulheres, 0,5%, do que entre os homens, 1,2%. A pesquisa abrange toda a cadeia, incluindo indústria e serviços.
No cenário mundial, a FAO identifica uma diferença de 24% na produtividade da terra entre propriedades de mesmo tamanho conduzidas por mulheres e homens. O relatório, publicado em 2023, relaciona essa distância à discriminação e ao acesso desigual a financiamento, capacitação, tecnologia e direitos sobre a terra.
Isso significa que comparar apenas o volume colhido deixa parte do problema de fora. A disponibilidade de dinheiro para comprar insumos, de equipamentos adequados e de orientação técnica interfere no resultado da lavoura. As mulheres também acumulam com maior frequência o trabalho produtivo e os cuidados domésticos não remunerados, o que reduz o tempo disponível para formação e negócios. fao.org
A vulnerabilidade aumenta diante de secas, calor e enchentes. A FAO aponta que o acesso limitado a recursos dificulta a adaptação das famílias chefiadas por mulheres às mudanças climáticas. Investir em orientação técnica, infraestrutura e financiamento também faz parte da preparação para enfrentar perdas na produção.
recuperação de terras. A cobrança inclui proteção social e serviços que reduzam a sobrecarga de cuidados. O objetivo é permitir que a participação das mulheres na produção se traduza também em renda e poder de decisão sobre o próprio negócio.
Fonte: Pensar Agro
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