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Mercado do Boi Gordo Inicia a Semana com Alta e Demanda Firme nas Indústrias

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O mercado físico do boi gordo começou a semana com valorização nas principais praças pecuárias, refletindo um cenário de oferta ajustada e indústrias mais ativas nas compras.

De acordo com análise do boletim “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, divulgada nesta segunda-feira (23), o ambiente de negócios em São Paulo foi considerado firme, embora com ritmo inicial mais lento em parte do mercado.

Alguns frigoríficos permaneceram fora das aquisições, mas aqueles que continuaram comprando aumentaram as ordens, o que resultou em reajuste positivo nas cotações. A vaca gorda teve alta de R$ 5,00 por arroba, a novilha subiu R$ 3,00 e o chamado “boi China” registrou avanço de R$ 2,00 por arroba.

As escalas de abate estão em média programadas para seis dias, indicando maior necessidade de reposição de matéria-prima nas plantas ativas.

Arroba acumula valorização consistente em fevereiro

Desde o início de fevereiro, os preços do boi gordo e do “boi China” acumulam alta de R$ 20,00 por arroba, segundo dados da Scot Consultoria.

No mesmo período, a vaca gorda subiu R$ 21,00 e a novilha R$ 18,00, com todos os valores considerados brutos e a prazo.

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A firmeza dos preços indica equilíbrio entre oferta e demanda, em um momento em que o consumo interno ainda dá sinais moderados, mas o ritmo de abates se mantém ajustado à disponibilidade de animais terminados.

Rondônia registra aumento de preços com oferta limitada

Na região Sudeste de Rondônia, a menor oferta de animais prontos e escalas curtas também impulsionaram as cotações.

O preço do boi gordo teve alta de R$ 2,00 por arroba, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis.

As escalas de abate na região estão, em média, ajustadas para quatro dias, o que reforça o quadro de oferta controlada e sustentação das cotações locais.

Atacado mantém equilíbrio e carcaças sobem até 1,8%

No mercado atacadista de carne com osso, a reposição de estoques foi considerada satisfatória para a segunda quinzena de fevereiro, mesmo com leve redução no volume frente à semana anterior.

Esse comportamento é típico do período, quando o consumo se volta para proteínas de menor valor agregado, mantendo o equilíbrio entre oferta e demanda.

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As carcaças casadas seguiram sustentadas:

  • A do boi capão teve alta de 1,1%, equivalente a R$ 0,25 por quilo;
  • A do boi inteiro subiu 1,8%, ou R$ 0,40 por quilo;
  • Entre as fêmeas, vaca e novilha registraram avanço de 1,2%, com acréscimo de R$ 0,25 por quilo em ambos os casos.
Frango recua e suíno mantém estabilidade no segmento de proteínas alternativas

Entre as proteínas concorrentes, o preço do frango resfriado apresentou recuo de 1,8%, o que representa queda de R$ 0,12 por quilo.

O suíno especial, por sua vez, manteve a cotação estável, refletindo um mercado ajustado e sem grandes variações de oferta.

Perspectiva: firmeza nas cotações deve continuar no curto prazo

A tendência para os próximos dias é de manutenção da firmeza nas cotações, especialmente enquanto as escalas de abate permanecerem curtas e o consumo doméstico seguir estável.

Com a reposição equilibrada no atacado e a oferta limitada no campo, o mercado do boi gordo deve manter a sustentação dos preços no curto prazo, segundo analistas da Scot Consultoria.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

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O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

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As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

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As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

Fonte: Pensar Agro

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