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Mercados Globais Enfrentam Forte Volatilidade com Alta do Petróleo e Escalada Geopolítica
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As principais bolsas de valores do Brasil e do mundo registram forte volatilidade nesta terça-feira (3), em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e à disparada dos preços do petróleo e do gás natural. O aumento do custo da energia reforça os temores de uma nova pressão inflacionária global, provocando um movimento generalizado de aversão ao risco entre investidores.
Cenário Internacional: Bolsas Globais em Queda e Investidores Cautelosos
Os principais mercados internacionais operam em queda nesta terça-feira, refletindo o agravamento do conflito entre Irã, Estados Unidos e seus aliados. Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street indicavam forte recuo antes da abertura, com o S&P 500 e o Nasdaq apresentando baixas expressivas, pressionados especialmente pelo setor de tecnologia.
A alta das cotações do petróleo e do gás, impulsionada pelo risco de interrupções no fornecimento no Oriente Médio, afeta diretamente as expectativas de crescimento e inflação das maiores economias do mundo. O resultado é uma fuga de capitais de ativos de risco e uma postura mais defensiva nos portfólios globais.
Europa e América do Norte Sentem o Impacto da Crise Energética
Na Europa, as principais bolsas recuam diante da preocupação com os custos mais altos de energia e transporte. Investidores avaliam a possibilidade de o conflito prolongado gerar novos gargalos na cadeia de suprimentos e pressionar a política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
Já na América do Norte, os futuros do índice TSX do Canadá também operam no vermelho, acompanhando o tom negativo dos mercados internacionais.
Mercados Asiáticos Têm Dia de Perdas Generalizadas
As bolsas da Ásia encerraram o pregão em forte queda, refletindo o aumento da aversão ao risco. O índice Nikkei, do Japão, registrou recuo expressivo, seguido por quedas acentuadas no Kospi, da Coreia do Sul. Na China, o índice de Xangai caiu 1,43%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, perdeu 1,54%.
Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,12%, com destaque para as ações de tecnologia, semicondutores e defesa, que lideraram as perdas. Em Taiwan, o Taiex caiu 2,20%, e na Austrália, o S&P/ASX 200 registrou baixa de 1,34%.
A única exceção foi Cingapura, onde o índice Straits Times avançou 0,53%, contrariando a tendência negativa regional.
Mercado Brasileiro: Ibovespa Oscila em Meio à Incerteza
No Brasil, o Ibovespa abriu o dia acompanhando o movimento de cautela global. Na sessão anterior, o índice havia encerrado próximo dos 189.300 pontos, em leve alta, após um dia de instabilidade. O avanço do petróleo no mercado internacional impulsionou ações ligadas ao setor de energia, como Petrobras, que registraram desempenho positivo apesar do cenário adverso no exterior.
Economia Brasileira Mantém Crescimento Moderado
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025, ritmo inferior ao registrado no ano anterior. A desaceleração reflete o impacto de uma política monetária ainda restritiva e das pressões inflacionárias persistentes, mesmo com o alívio recente nos preços dos alimentos e combustíveis.
Expectativas do Mercado: Cautela e Monitoramento Geopolítico
Analistas destacam que o cenário de tensão no Oriente Médio tende a manter os mercados voláteis nos próximos dias. A alta dos preços de energia, combinada com riscos geopolíticos e incertezas sobre as próximas decisões dos principais bancos centrais, deve seguir influenciando o comportamento dos investidores globais.
A recomendação predominante é de cautela, com foco em ativos defensivos e diversificação de portfólio enquanto o conflito na região persiste.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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