AGRONEGÓCIO
Milho e girassol avançam no plantio na Argentina; trigo mantém boas condições de cultivo
AGRONEGÓCIO
De acordo com dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), o plantio de milho para grão na Argentina segue em ritmo positivo. Na última semana, a semeadura avançou 6,1 pontos percentuais, atingindo 12,3% da área estimada para esta safra.
Em valores absolutos, já foram cultivados cerca de 1 milhão de hectares, frente a 700 mil hectares no mesmo período do ano anterior. As províncias de Córdoba, Santa Fe e Entre Ríos apresentam desempenho acima do registrado em 2023, enquanto a região de Buenos Aires enfrenta chuvas em excesso, o que tem atrasado o plantio e forçado ajustes para semeaduras tardias no centro e oeste da província.
Girassol registra avanço significativo
O plantio de girassol também apresentou crescimento. Houve aumento de 5,4 pontos percentuais na última semana, alcançando 31% da área projetada, equivalente a 2,6 milhões de hectares.
Comparado ao ciclo anterior, o avanço é de 22 pontos percentuais, e frente à média dos últimos cinco anos, supera em 12,9 pontos. As chuvas recentes favoreceram o término do plantio no nordeste da região NEA e a retomada das atividades no Centro-Norte de Santa Fe.
Entretanto, no sul da região agrícola, as precipitações têm adiado o início da semeadura. Atualmente, 82,1% das lavouras apresentam condição hídrica adequada ou ótima, e 100% do cultivo está classificado entre normal e excelente.
Trigo mantém perspectivas positivas
No caso do trigo, 70,9% da área estimada em 6,7 milhões de hectares já se encontra em estágio de encanamento ou mais avançado. As chuvas frequentes garantem boa umidade em 81,7% das lavouras, principalmente nas regiões central e norte, o que tem elevado as expectativas de rendimento para patamares acima da média histórica.
Apesar da presença de novos focos de doenças fúngicas, a condição geral das lavouras permanece favorável, com 96,9% classificadas entre normais e excelentes. Contudo, os excessos hídricos no oeste e centro de Buenos Aires podem comprometer práticas como a refertilização e a aplicação de fungicidas, o que representa risco à sanidade do cereal.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.
O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.
Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade
A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.
Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas
No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.
O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.
Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.
A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.
Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado
Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.
A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.
Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.
Desafios estruturais e competitividade
Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.
A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.
Cenário político e limites do acordo
Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.
Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.
Perspectivas para o agro brasileiro
A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.
A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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