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Milho enfrenta fim de ano com liquidez reduzida e pressão internacional em meio a recuo nas exportações

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O mercado de milho iniciou a semana com pouca movimentação e queda nas cotações, tanto no Brasil quanto no exterior. O cenário reflete o ritmo lento das negociações domésticas, o enfraquecimento das exportações norte-americanas e o impacto da baixa do trigo na Bolsa de Chicago (CBOT). Segundo analistas, o comportamento dos preços é resultado da retração da demanda e da postura cautelosa dos produtores diante do encerramento do ano.

Negociações lentas e impasse entre produtores e indústrias no Brasil

De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, o mercado de milho segue sem força em diversos estados, com produtores e indústrias mantendo posições distantes e dificultando os negócios.

No Rio Grande do Sul, as referências variam entre R$ 58,00 e R$ 75,00 por saca, com média estadual de R$ 62,17, queda de 0,81%. A consultoria aponta falta de estímulos e baixa liquidez no mercado spot, com demanda interna moderada e exportações em ritmo lento.

Em Santa Catarina, o descompasso entre pedidas e ofertas segue travando as negociações. Produtores pedem em torno de R$ 80,00 por saca, enquanto as indústrias ofertam próximo de R$ 70,00. No Planalto Norte, poucos negócios são realizados, variando entre R$ 71,00 e R$ 75,00.

O Paraná também apresenta lentidão nas negociações, com produtores pedindo R$ 75,00 e compradores ofertando R$ 70,00 CIF, cenário que mantém o impasse. Já no Mato Grosso do Sul, algumas regiões registraram valorização, com preços entre R$ 52,00 e R$ 57,00 por saca. Chapadão do Sul lidera as altas, enquanto Sidrolândia e Campo Grande permanecem estáveis.

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Milho futuro oscila na B3 com cautela do mercado interno

Na Bolsa Brasileira (B3), o milho iniciou a terça-feira (16) em leve recuperação, após quedas registradas na segunda-feira. Por volta das 9h56, os principais contratos eram negociados entre R$ 70,61 e R$ 75,17 por saca.

  • Janeiro/26: R$ 71,92 (+0,59%)
  • Março/26: R$ 75,17 (+0,49%)
  • Maio/26: R$ 74,51 (+0,51%)
  • Julho/26: R$ 70,61 (+0,13%)

Apesar do movimento positivo, a consultoria destaca que o mercado segue pressionado pela menor demanda e pela concentração de produtores em outras atividades, como a comercialização da soja e o plantio da safra de verão.

O Cepea reforça que, após uma breve alta no início da semana passada, as cotações voltaram a cair com o enfraquecimento do consumo doméstico e a previsão de maior oferta na safra 2025/26.

Mercado internacional sente peso da queda do trigo e das exportações dos EUA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho operam em baixa, refletindo a pressão exercida pelo trigo e pelas exportações norte-americanas em ritmo menor.

  • Março/26: US$ 4,39 (-0,75 ponto)
  • Maio/26: US$ 4,47 (-0,75 ponto)
  • Julho/26: US$ 4,53 (-0,75 ponto)
  • Setembro/26: US$ 4,48 (-0,25 ponto)

De acordo com o portal Successful Farming, os preços do milho recuam à medida que cresce a possibilidade de um cessar-fogo no Mar Negro — fator que pode destravar a oferta de grãos da região e pressionar as cotações globais.

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Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou queda nas inspeções de milho para exportação, totalizando 1,58 milhão de toneladas na semana encerrada em 11 de dezembro, abaixo das 1,74 milhão de toneladas registradas na semana anterior.

Perspectivas para 2026 e estimativas de produção no Brasil

No Brasil, a Conab estima uma produção de 138,87 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26 — volume ligeiramente inferior ao da temporada passada, mas ainda o segundo maior da série histórica. O retorno das chuvas nas principais regiões produtoras trouxe alívio aos agricultores, favorecendo o desenvolvimento das lavouras e a semeadura da segunda safra.

Produtores mantêm a expectativa de que os preços possam reagir no início de 2026, com o retorno das indústrias e cooperativas ao mercado após o recesso de fim de ano.

Resumo: milho entre pressões externas e apatia interna

O mercado de milho segue pressionado por dois fatores principais: a retração interna nas negociações e a fraqueza das cotações internacionais. Enquanto produtores aguardam uma melhora nas margens, compradores seguem seletivos e priorizando estoques já garantidos.

A combinação entre oferta elevada, demanda contida e incertezas no cenário internacional mantém o cereal operando em patamares estáveis, porém com viés de baixa no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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