AGRONEGÓCIO
Nova cultivar de cajueiro da Embrapa promete dobrar produtividade e fortalecer a cajucultura no Ceará
AGRONEGÓCIO
A Embrapa Agroindústria Tropical (CE) anunciou o lançamento do clone de cajueiro BRS 805, uma nova cultivar desenvolvida para regiões litorâneas do Ceará e áreas com condições similares. O lançamento, previsto para dezembro de 2025, busca impulsionar a produtividade da cajucultura no estado — maior produtor nacional de castanha — e aumentar a sustentabilidade dos pomares.
O edital para aquisição dos propágulos está programado para 12 de janeiro de 2026, permitindo que viveiristas licenciados iniciem o cultivo do novo material genético.
Desenvolvimento e características da cultivar BRS 805
O clone BRS 805 foi desenvolvido pela Embrapa com foco em maior rendimento e resistência a doenças, resultado de um trabalho iniciado no início da década de 1990. Segundo o pesquisador Dheyne Melo, coordenador do Programa de Melhoramento Genético do Cajueiro, o material surgiu a partir de experimentos realizados em Pio IX (PI) e foi testado por anos em diferentes municípios do Ceará.
Após duas décadas de pesquisas, o clone demonstrou desempenho superior nas regiões de Pacajus, Cruz e Itapipoca, alcançando produtividade média de 1.800 kg de castanhas por hectare, o dobro da cultivar mais plantada no país, o CCP 76. Além disso, a produção de pedúnculo chegou a 23,8 toneladas por hectare, também duas vezes maior.
Maior resistência e menores custos de produção
O BRS 805 apresenta elevada resistência a doenças como mofo-preto, antracnose e septoria — problemas recorrentes que afetam a rentabilidade da cajucultura. O pesquisador Marlon Valentim destacou que a nova variedade é ainda mais tolerante ao oídio, a doença mais severa da cultura no Brasil.
Essas características reduzem a necessidade de aplicação de fungicidas, o que diminui os custos de produção e aumenta a sustentabilidade, além de oferecer maior segurança alimentar aos consumidores.
Cultivo adaptado à mecanização e melhor manejo
De acordo com o pesquisador Luiz Serrano, o BRS 805 apresenta porte intermediário, com plantas entre 3 e 4 metros de altura e copa compacta em formato de taça, o que facilita o manejo mecanizado. O especialista recomenda espaçamento mais amplo entre as plantas para otimizar o cultivo e evitar danos aos ramos produtivos durante a operação de tratores.
Castanha valorizada e pedúnculo rico em vitamina C
O novo clone também atende à demanda da indústria de processamento, oferecendo castanhas com massa média de 10 gramas, semelhantes às do clone BRS 226, bem avaliadas no mercado. As amêndoas, classificadas como tipo LW ou W210, apresentam rendimento industrial médio de 23,2%.
O pedúnculo, de coloração vermelha intensa e formato cônico, possui cinco vezes mais vitamina C que a laranja (270 mg/100 g de polpa) e é indicado para processamento industrial.
Licenciamento e público-alvo
Inicialmente, a comercialização do clone será realizada por edital público, por meio do qual a Embrapa licenciará os propágulos do BRS 805 para viveiristas registrados no Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas).
A nova cultivar reforça o portfólio da empresa, ampliando a diversidade genética dos pomares e reduzindo os riscos associados a pragas e doenças. “Recomendamos sempre que o produtor diversifique o pomar, pois isso traz mais segurança frente a novas ameaças fitossanitárias”, ressalta Dheyne Melo.
Cajucultura passa por transformação tecnológica
O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroindústria Tropical, José Roberto Vieira, afirma que a cajucultura vive um momento de inflexão, com dois caminhos possíveis: manter o modelo semiextrativista, de baixa produtividade e aproveitamento, ou adotar o modelo tecnificado, que aposta em clones de alto rendimento.
Segundo Vieira, o novo modelo pode atingir mais de 1.500 kg de castanha por hectare/ano e alto aproveitamento do pedúnculo. Apesar de exigir investimento inicial maior, o custo por quilo produzido é menor devido à produtividade. “Em municípios como Severiano Melo e Apodi (RN), quando incluímos o pedúnculo no cálculo, o custo cai ainda mais”, explica.
Brasil bate recorde na produção de castanha em 2024
De acordo com o IBGE, o Brasil produziu 161.014 toneladas de castanha de caju em 2024, o maior volume desde 2018 e 38% superior ao de 2023. O Ceará, líder nacional, registrou alta de 61%, passando de 63.256 toneladas para 101.930 toneladas.
O Piauí ficou em segundo lugar, com 26.172 toneladas, e o Rio Grande do Norte manteve produção em torno de 21 mil toneladas. O rendimento médio nacional subiu 30%, alcançando 358 kg/ha.
Os municípios cearenses Bela Cruz, Beberibe, Ocara, Cascavel e Aracati se destacaram como os principais produtores — justamente nas áreas onde o BRS 805 foi avaliado.

Programa de Melhoramento Genético amplia opções ao produtor
Com o BRS 805, a Embrapa totaliza 14 clones lançados por seu Programa de Melhoramento Genético, cada um adaptado a diferentes solos e condições climáticas. O objetivo é garantir rentabilidade mesmo em anos de baixa chuva, já que o cajueiro é uma espécie resistente à seca, capaz de produzir com apenas 600 a 800 mm de precipitação anual.
Entre os clones de maior sucesso estão o CCP 76, voltado à produção de caju de mesa, e os BRS 226 e Embrapa 51, conhecidos pela resistência hídrica e alta produtividade, que pode chegar a 2.000 kg de castanha por hectare em condições ideais.
Em um cenário de mudanças climáticas e escassez hídrica, o lançamento do BRS 805 reforça o papel estratégico da pesquisa agropecuária na sustentabilidade da cajucultura nordestina.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Preços do trigo sobem no Brasil com oferta restrita e ajuste no mercado em abril
O mercado brasileiro de trigo encerrou abril com valorização nas principais regiões produtoras, sustentado pela oferta restrita, firmeza dos vendedores e necessidade de recomposição de estoques por parte dos moinhos. O movimento reflete um ajuste no mercado interno, especialmente diante da menor disponibilidade no Sul e da crescente exigência por qualidade do grão.
Mercado interno: escassez e qualidade sustentam preços
A baixa oferta disponível nas regiões produtoras foi determinante para a sustentação das cotações ao longo do mês. A comercialização mais seletiva, com foco em lotes de melhor qualidade, também contribuiu para o cenário de valorização.
No Paraná, a média FOB interior avançou 3% em abril, alcançando R$ 1.407 por tonelada. Já no Rio Grande do Sul, o movimento foi mais expressivo, com alta de 8%, elevando a referência para R$ 1.295 por tonelada.
O comportamento reforça um mercado mais ajustado, com menor volume disponível e maior rigor na negociação, principalmente em relação ao padrão do produto.
Acumulado de 2026 mostra recuperação relevante
No primeiro quadrimestre de 2026, a alta acumulada dos preços é significativa, indicando uma mudança importante na dinâmica do mercado desde o início do ano:
- Paraná: +20%
- Rio Grande do Sul: +25%
Apesar da recuperação no curto prazo, na comparação anual as cotações ainda permanecem abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior, com recuos de 9% no Paraná e 10% no Rio Grande do Sul.
Esse cenário evidencia que o mercado doméstico reage aos fundamentos internos, mas ainda enfrenta limitações impostas pelo ambiente externo.
Mercado externo: referência argentina e incertezas de qualidade
A Argentina segue como principal referência para a formação de preços do trigo no Brasil. Em abril, as indicações nominais para o produto com teor de proteína acima de 11,5% permaneceram estáveis, ao redor de US$ 240 por tonelada.
No entanto, o cenário internacional aponta para possíveis ajustes. O trigo hard norte-americano registrou valorização de 7,8% no mês e acumula alta de 27% em 2026, sinalizando pressão altista global.
Além disso, persistem incertezas quanto ao padrão de qualidade do trigo argentino disponível para exportação, o que pode influenciar diretamente a competitividade e os preços no mercado regional.
Câmbio limita repasse da alta internacional
Apesar do viés altista nos fundamentos domésticos e da pressão externa, o câmbio tem atuado como principal fator de contenção para os preços no Brasil.
A valorização do real frente ao dólar reduz a paridade de importação, limitando o repasse das altas internacionais para o mercado interno. Com isso, mesmo diante de um cenário global mais firme, os avanços nas cotações domésticas ocorrem de forma mais moderada.
Tendência: mercado segue sensível à oferta e ao câmbio
A perspectiva para o curto prazo é de manutenção de um mercado ajustado, com preços sustentados pela oferta restrita e pela demanda pontual dos moinhos.
No entanto, a evolução do câmbio e o comportamento das cotações internacionais seguirão sendo determinantes para a intensidade dos movimentos no Brasil, especialmente em um cenário de integração crescente com o mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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