AGRONEGÓCIO
Nova tecnologia identifica origem e combate adulterações em cafés brasileiros
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Pesquisas recentes da Embrapa Rondônia demonstram que a espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) pode revolucionar a rastreabilidade e o controle de qualidade do café brasileiro. A tecnologia permite identificar rapidamente a origem geográfica do grão e detectar adulterações, sem destruir a amostra e com baixo custo operacional.
Como a tecnologia funciona
A NIR mede a interação da luz infravermelha com os compostos químicos presentes no café, gerando um “espectro químico”, considerado a impressão digital do grão. Por meio de algoritmos e bancos de dados, o sistema compara o espectro da amostra e identifica:
- Origem geográfica do café
- Pureza e autenticidade
- Misturas ou adulterações com materiais estranhos
O processo é rápido: em poucos segundos, é possível detectar fraudes sem o uso de reagentes químicos ou preparo complexo da amostra, como ocorre nos métodos convencionais.
Diferenciando cafés por terroir
Segundo o pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia, a NIR consegue identificar o terroir do café — até o nível da área produtiva. Pesquisas realizadas em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e centros de pesquisa internacionais mostraram que a técnica é capaz de diferenciar:
- Cafés robusta amazônicos, inclusive variedades indígenas
- Conilons do Espírito Santo e Bahia
- Misturas entre diferentes regiões
A análise quimiométrica aplicada à espectroscopia permitiu criar padrões espectrais que reconhecem origens, detectam adulterações e valorizam a identidade territorial e cultural dos cafés.
Combate às fraudes de forma rápida e segura
A espectroscopia NIR também se mostrou eficiente para detectar materiais usados em adulterações, como:
- Milho e soja
- Casca e borra de café
- Sementes de açaí
“Se houver contaminante ou mistura de grãos, a curva espectral muda, permitindo confirmar a adulteração em segundos”, explica Baqueta, doutor em Química e responsável pelo estudo.
Além de prevenir fraudes, o método aumenta a confiança do consumidor e facilita a fiscalização, podendo ser utilizado diretamente em cooperativas, laboratórios ou no campo com equipamentos portáteis.
Benefícios econômicos e ambientais
A validação científica da NIR contribui para:
- Fortalecer certificações de origem e indicações geográficas
- Valorizar cafés indígenas e tradicionais
- Ampliar o acesso a mercados de cafés especiais
- Reduzir custos e tempo de análise (até 95% mais rápido que métodos convencionais)
A tecnologia também oferece suporte ao melhoramento genético, permitindo analisar perfis químicos relacionados a teor de cafeína, minerais e características sensoriais, reforçando a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.
Aplicações futuras e inovação digital
A NIR não se limita ao café e pode ser aplicada em outras cadeias agroalimentares, como cacau, leite, frutas, soja e vinhos, promovendo rastreabilidade e controle de qualidade.
Pesquisas futuras incluem:
- Ampliação do banco de dados espectral com amostras de todo o Brasil
- Desenvolvimento de plataformas digitais de autenticação em tempo real
- Integração com dispositivos móveis e sistemas na nuvem, conectando produtores, certificadoras e consumidores
Números que impressionam
- Até 1.000 acessos do banco genético de café podem ser analisados
- Redução de custos: até 95%
- Tempo de análise: segundos
- Equipamentos: versões de bancada ou portáteis
“Com NIR, cooperativas e órgãos de certificação têm acesso a uma ferramenta rápida, confiável e acessível, democratizando a autenticação e rastreabilidade do café brasileiro”, afirma Baqueta.
Por que essa tecnologia importa
- Torna certificações viáveis para pequenos produtores
- Combate fraudes e falsificações
- Valoriza cafés com identidade territorial e indígena
- Aumenta a transparência e confiança do mercado
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões
O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.
Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.
A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.
A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.
A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.
Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.
A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.
Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.
A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.
Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.
A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.
O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.
A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.
O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.
As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.
No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.
Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.
Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.
O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.
Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.
Fonte: Pensar Agro
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