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Oferta elevada e câmbio pressionam mercado de milho no Brasil, enquanto Chicago reage com altas moderadas

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Excesso de oferta mantém pressão sobre preços no Sul do Brasil

O mercado de milho segue sem força para reação no início de 2026, especialmente nos estados do Sul e Centro-Oeste, onde a oferta elevada tem mantido o cenário de preços em queda e baixa liquidez.

De acordo com a TF Agroeconômica, no Rio Grande do Sul, o preço médio estadual recuou 1,40% na semana, passando de R$ 62,27 para R$ 61,40 por saca, reflexo do aumento da oferta e da demanda enfraquecida no mercado spot.

Em Santa Catarina, o impasse entre produtores e compradores persiste: as indicações de venda permanecem próximas de R$ 80,00/saca, enquanto as ofertas de compra giram em torno de R$ 70,00/saca, limitando os negócios. No Planalto Norte, poucos negócios foram registrados, entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, sem mudanças relevantes.

No Paraná, o cenário é semelhante — o mercado opera em ritmo lento devido ao desalinhamento entre as pedidas dos produtores e as ofertas das indústrias. As negociações seguem próximas de R$ 75,00/saca (venda) e R$ 70,00/saca CIF (compra), mantendo a liquidez reduzida.

Já em Mato Grosso do Sul, o milho voltou a operar sob pressão, com preços variando entre R$ 54,00 e R$ 56,00/saca. Em Maracaju, a desvalorização foi mais intensa, enquanto Chapadão do Sul apresentou ajuste mais leve — mostrando diferentes graus de pressão regional.

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B3 recua com perda de competitividade e estoques elevados

O milho negociado na Bolsa Brasileira de Mercadorias (B3) registrou queda nas cotações nesta quarta (28), devolvendo parte dos ganhos da sessão anterior. Segundo a TF Agroeconômica, a perda de competitividade do milho brasileiro no cenário internacional e o ajuste nas exportações de janeiro, revisadas para 3,39 milhões de toneladas, pesaram sobre o mercado.

A valorização do real frente ao dólar reduziu a atratividade do produto nacional no exterior, enquanto os altos estoques de passagem e o início da colheita no Sul diminuíram a pressão de compra no mercado interno.

Com isso, os principais contratos futuros fecharam em baixa:

  • Março/26: R$ 67,96/saca, queda de R$ 0,97 no dia e R$ 2,93 na semana;
  • Maio/26: R$ 67,63/saca, retração de R$ 0,85 no dia e R$ 2,32 na semana;
  • Julho/26: R$ 67,25/saca, baixa de R$ 0,20 no dia e R$ 1,42 na semana.

Na manhã desta quinta-feira (29), os contratos continuavam no campo negativo, variando entre R$ 67,11 e R$ 67,86, com perdas diárias de até 0,21%.

Chicago se valoriza com dólar em queda e demanda externa

Enquanto o mercado doméstico enfrenta retração, o milho na Bolsa de Chicago (CBOT) apresentou movimento oposto, com altas moderadas sustentadas pela queda do dólar no mercado internacional.

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O contrato março/26 era negociado a US$ 4,32 por bushel, o maio/26 a US$ 4,40, o julho/26 a US$ 4,46 e o setembro/26 a US$ 4,45, com ganhos entre 1,75 e 2,50 pontos.

Segundo Tony Dreibus, analista da Successful Farming, a desvalorização do dólar — que caiu 0,1% durante a noite, atingindo o menor nível em mais de quatro anos e acumulando queda superior a 11% em 12 meses — torna os produtos agrícolas dos EUA mais competitivos no mercado global.

Além do câmbio, o mercado foi impulsionado por preocupações climáticas na Argentina e pela reafirmação do uso do etanol E15 nos Estados Unidos, o que aumenta a demanda por milho destinado à produção de biocombustível.

Panorama geral: milho em transição entre oferta abundante e incerteza cambial

O cenário atual combina pressão de oferta interna no Brasil, competição internacional acirrada e oscilações cambiais que influenciam diretamente o comportamento dos preços.

Enquanto os produtores brasileiros enfrentam margens comprimidas e baixa liquidez, o mercado internacional reage positivamente à desvalorização do dólar, fator que tende a sustentar os preços em Chicago no curto prazo.

A expectativa é de que o equilíbrio entre demanda global, estoques elevados e condições climáticas na América do Sul determine os rumos do milho nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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