AGRONEGÓCIO
Paraná impulsiona crescimento da safra brasileira e amplia participação na produção nacional de grãos
AGRONEGÓCIO
O Paraná voltou a se destacar no cenário agrícola nacional com o avanço das estimativas de produção divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) referente ao mês de maio, o Estado registrou acréscimo de 261,1 mil toneladas em relação à projeção anterior, consolidando-se entre os principais responsáveis pela expansão da safra brasileira em 2026.
O desempenho coloca o Paraná na terceira posição entre os estados com maior crescimento mensal da produção agrícola, atrás apenas de Mato Grosso, que ampliou sua estimativa em 819,1 mil toneladas, e Mato Grosso do Sul, com avanço de 525,3 mil toneladas. O resultado paranaense supera os incrementos observados em Minas Gerais, Tocantins e Alagoas.
Com os novos números, o Paraná mantém a condição de segundo maior produtor nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, respondendo por 13,6% da produção brasileira. Mato Grosso segue na liderança, com participação de 31% do total nacional. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (10,7%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (8,3%) e Minas Gerais (5,5%).
A projeção do IBGE aponta que o Brasil deverá colher 350,4 milhões de toneladas de grãos na safra atual, estabelecendo um dos maiores volumes já registrados pelo levantamento.
Soja segue como principal destaque no Paraná
A soja permanece como carro-chefe da agricultura paranaense. O Estado deverá produzir cerca de 22 milhões de toneladas da oleaginosa, mantendo a segunda maior produção do País.
Apesar de pequenos ajustes em relação ao levantamento anterior, o volume previsto representa crescimento de 2,7% na comparação com a safra de 2025. No cenário nacional, a produção de soja foi revisada para 174,6 milhões de toneladas, novo recorde histórico e aumento de 0,3% frente à estimativa divulgada em abril.
O resultado reforça a importância da cultura para o agronegócio brasileiro e para a geração de renda nas regiões produtoras do Paraná.
Milho safrinha avança com área recorde
Outro destaque da safra paranaense é o milho de segunda safra. O Estado permanece como o segundo maior produtor nacional da cultura, com estimativa de 17,5 milhões de toneladas, volume equivalente a 16% da produção brasileira.
A projeção representa crescimento de 0,9% em relação ao mês anterior. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 79% das lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento.
A área cultivada alcança 2,9 milhões de hectares, configurando um novo recorde para a cultura no Paraná e reforçando as expectativas de uma colheita robusta.
Aveia e cevada também apresentam crescimento
As culturas de inverno também contribuíram para o desempenho positivo das estimativas agrícolas.
A produção brasileira de aveia em grão foi estimada em 1,3 milhão de toneladas, com avanço de 0,7% frente ao levantamento anterior. O Paraná deverá produzir 256,5 mil toneladas, volume 2,7% superior ao registrado em abril. O Rio Grande do Sul permanece como principal produtor nacional, com 922,3 mil toneladas.
Na cevada, a projeção nacional alcançou 678,7 mil toneladas, aumento de 1,8% no comparativo mensal. Líder absoluto na produção do cereal, o Paraná deverá responder por 552,6 mil toneladas, registrando crescimento de 2,2% sobre a estimativa anterior e expansão de 12,1% em relação ao volume colhido em 2025.
Região Sul lidera avanço das estimativas
No recorte regional, o Centro-Oeste continua concentrando a maior parcela da produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas, com 175,9 milhões de toneladas, equivalentes a 50,2% do total nacional.
A Região Sul ocupa a segunda posição, com produção estimada em 92,4 milhões de toneladas e participação de 26,4%. Em seguida aparecem Sudeste (30,8 milhões de toneladas), Nordeste (29,8 milhões) e Norte (21,5 milhões).
Entre todas as regiões brasileiras, o Sul apresentou um dos prognósticos mais favoráveis na atualização de maio, confirmando o papel estratégico de estados como o Paraná para o crescimento da produção agrícola nacional.
Paraná reforça protagonismo no agronegócio brasileiro
Os números divulgados pelo IBGE evidenciam a força do Paraná no agronegócio nacional. Com crescimento consistente nas culturas de soja, milho, aveia e cevada, o Estado amplia sua contribuição para a produção de alimentos, fortalece a competitividade do setor e consolida sua posição entre os principais polos agrícolas do Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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