AGRONEGÓCIO
PIB de Goiás cresce 4,8% em 2023 e supera média nacional, impulsionado pelo agronegócio e pela indústria
AGRONEGÓCIO
Goiás cresce acima da média nacional
O Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás avançou 4,8% em 2023, superando o desempenho da economia brasileira, que cresceu 3,2% no mesmo período. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pelo Instituto Mauro Borges (IMB), apontam que a economia goiana alcançou R$ 336,7 bilhões em valores correntes, consolidando o estado como a nona maior economia do País e segunda do Centro-Oeste, com 29% de participação na economia regional.
Governo destaca ambiente favorável a negócios
O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, destacou que o desempenho reflete o amadurecimento e a competitividade da economia goiana.
“Esse crescimento acima da média nacional mostra que Goiás consolidou um ambiente de negócios favorável, inovador e competitivo. É um estado que diversifica, investe em infraestrutura, reduz entraves e dá segurança ao investidor”, afirmou.
O secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Joel de Sant’Anna Braga Filho, também ressaltou o planejamento e o diálogo como pilares do avanço econômico.
“Goiás vive um ciclo sólido de expansão porque trabalha com planejamento, responsabilidade e diálogo com o setor produtivo. O estado segue no rumo certo, atraindo investimentos, ampliando a industrialização e gerando oportunidades”, pontuou.
Agropecuária puxa o crescimento com alta de 15,1%
O destaque do ano foi o setor agropecuário, que apresentou um crescimento expressivo de 15,1% em volume, impulsionado pelo avanço da soja, milho e cana-de-açúcar.
- Milho: crescimento de 35%
- Soja: alta de 14,4%
- Cana-de-açúcar: aumento de 11%
Com esses resultados, Goiás manteve posições de liderança nacional: maior produtor de girassol, sorgo e tomate, segundo maior em alho e terceiro maior em soja, milho e cana-de-açúcar.
Indústria goiana cresce 3,6% e mantém ritmo de expansão
A indústria também teve um papel importante na alta do PIB estadual, com avanço de 3,6% em 2023.
Os principais destaques foram:
- Eletricidade, água, gás e saneamento: alta de 7,1%
- Indústria de transformação: crescimento de 4,7%
Em valores correntes, o setor industrial goiano movimentou R$ 66,8 bilhões, refletindo o fortalecimento da base produtiva e a ampliação da capacidade industrial.
Setor de serviços responde por mais de 60% da economia
O setor de serviços, responsável por mais de 60% da economia goiana, também apresentou desempenho positivo, com alta de 2,5% em 2023.
Entre os segmentos que mais cresceram estão:
- Informação e comunicação: +8%
- Educação e saúde privadas: +7,6%
- Atividades financeiras e de seguros: +7,3%
Além disso, transporte e armazenagem, bem como atividades profissionais, científicas e técnicas, também tiveram avanços relevantes, reforçando a diversificação e o dinamismo econômico do estado.
Goiás mantém 2ª posição no PIB do Centro-Oeste
Com um PIB per capita de R$ 47.721, Goiás ocupa a 11ª posição nacional e mantém-se como a segunda maior economia do Centro-Oeste, atrás apenas do Distrito Federal.
Entre 2021 e 2023, o estado apresentou crescimento médio de 4,1% em volume, superando a média nacional de 3,7%.
Desde 2010, a economia goiana mais que triplicou em valores correntes, evidenciando solidez, diversificação e continuidade no ritmo de expansão.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
MP das dívidas rurais entra na reta final sem garantir renegociação aos produtores
A Medida Provisória 1.376/2026, criada para permitir a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, entra nesta semana em uma fase decisiva no Congresso sem que produtores tenham acesso amplo e uniforme às novas linhas de crédito. A partir de sábado (29.08), o texto passa a tramitar em regime de urgência e começa a bloquear a votação de outras matérias na Câmara dos Deputados.
O primeiro período de vigência da MP termina em 12 de setembro. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias caso a votação não seja concluída, mas o calendário expõe a distância entre a urgência financeira das propriedades e o ritmo de execução da medida. A comissão mista encarregada de analisar o texto foi instalada em 12 de agosto e ainda precisa aprovar um parecer antes que a proposta siga para os plenários da Câmara e do Senado.
Enquanto o Congresso discute alterações, os produtores enfrentam dificuldades para transformar a autorização legal em contratos. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) foi publicada em 23 de julho, mas a portaria que permitiu ao Tesouro Nacional equalizar as taxas de juros saiu apenas em 13 de agosto, quase um mês depois da edição da MP.
A Portaria 2.423 autorizou limites próximos de R$ 25,8 bilhões para operações com juros subsidiados. Os recursos foram distribuídos entre dez bancos e sistemas cooperativos, incluindo Banco do Brasil, Banrisul, Banco da Amazônia, Banco de Brasília, Banpará, Sicoob, Sicredi, Cresol, Credicoamo e Banco DLL.
A publicação retirou um dos principais entraves regulatórios, mas não tornou a contratação automática. Cada instituição ainda precisa organizar seus procedimentos internos, verificar o enquadramento das dívidas e analisar a capacidade de pagamento, o risco e as garantias apresentadas pelo produtor. Até agora, não foi divulgado um balanço nacional consolidado que mostre quanto dos R$ 25,8 bilhões já se converteu efetivamente em contratos.
A diferença entre o volume autorizado e o tamanho do problema também aumenta a pressão. Levantamento elaborado a partir de informações do Banco Central aponta que o crédito rural acumulava R$ 197,2 bilhões em saldos considerados problemáticos em junho, equivalentes a aproximadamente 22,5% da carteira ativa.
Desse total, R$ 38,1 bilhões estavam inadimplentes, R$ 20,9 bilhões correspondiam a operações em atraso, R$ 31,6 bilhões haviam sido prorrogados e R$ 106,4 bilhões estavam em financiamentos já renegociados. Os números indicam que o valor disponível nas linhas subsidiadas poderá atender apenas a uma parcela da demanda.
O próprio Banco do Brasil, principal financiador do campo, identificou uma carteira potencial de até R$ 100 bilhões que poderia ser enquadrada na medida. O montante envolve aproximadamente 113 mil clientes, entre produtores inadimplentes e tomadores com contratos anteriormente prorrogados ou renegociados.
A MP atende produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. Também é necessário demonstrar redução mínima de 30% da renda bruta esperada, causada por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços dos produtos financiados.
A comprovação depende de laudo elaborado por profissional legalmente habilitado. Esse requisito é um dos pontos questionados por representantes do setor, principalmente em regiões nas quais as perdas foram generalizadas e já reconhecidas por levantamentos oficiais, decretos de emergência e registros das próprias instituições financeiras.
Pelas regras gerais, agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) podem contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano. Para os médios produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o limite é de R$ 2 milhões, com taxa de 9%. Os demais produtores podem acessar até R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano.
Nessa modalidade, o prazo de pagamento chega a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação. Os juros, contudo, precisam ser pagos durante o período de carência.
Há condições melhores para produtores que comprovem perdas mais severas. Quem registrar prejuízos em pelo menos três safras, provocados por eventos climáticos extremos, e redução mínima de 40% da renda poderá obter prazo de até dez anos. Os limites chegam a R$ 500 mil no Pronaf, R$ 2,5 milhões no Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores, com taxas de 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente.
Mesmo preenchendo os requisitos, o produtor não tem aprovação garantida. O risco das operações continua sob responsabilidade das instituições financeiras, que podem exigir novas garantias ou negar o crédito após a análise. Essa condição ajuda a explicar por que a existência de recursos autorizados não significa que todo produtor endividado conseguirá aderir.
O prazo para contratação termina em 12 de novembro. Como parte desse período já foi consumida pela regulamentação, produtores e entidades do setor alertam para o risco de concentração dos pedidos nas últimas semanas, demora na análise dos documentos e esgotamento dos limites disponíveis em determinadas instituições.
No Congresso, a quantidade de propostas de mudança revela a insatisfação com o alcance do texto original. A MP recebeu 144 emendas. Entre as alterações sugeridas estão a inclusão de mais operações de investimento, capital de giro e Cédulas de Produto Rural (CPRs), a ampliação das datas de enquadramento, a redução das exigências para comprovação das perdas e a extensão dos prazos de pagamento.
Também há pressão para que a medida contemple produtores que renegociaram contratos anteriormente, mas voltaram a perder safras, além daqueles cujas dívidas foram transferidas, cedidas ou substituídas por outros instrumentos financeiros. O desafio será ampliar o público sem elevar o custo fiscal a um nível que impeça um acordo para a aprovação.
Para o produtor, a orientação é procurar imediatamente a instituição credora e formalizar o interesse na renegociação. Contratos, extratos das operações, comprovantes de perdas, registros de produtividade, documentos fiscais e laudos técnicos devem ser reunidos antes da abertura do pedido. O protocolo da solicitação também é importante para demonstrar que a procura ocorreu dentro do prazo.
A entrada da MP em regime de urgência aumenta a pressão política, mas não resolve os obstáculos encontrados nas agências bancárias. O resultado da medida será definido menos pelo volume anunciado e mais pela quantidade de produtores que conseguirem superar as exigências, aprovar o crédito e assinar os contratos até novembro.
Fonte: Pensar Agro
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