AGRONEGÓCIO
PIB do agronegócio do Tocantins deve crescer 16,4% em 2025, impulsionado por soja e milho
AGRONEGÓCIO
O agronegócio do Tocantins deve registrar crescimento de 16,4% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo a Resenha Regional do Banco do Brasil (outubro/2025). O resultado representa o segundo maior avanço do país, ficando atrás apenas de Mato Grosso do Sul, que apresentou alta de 17,9%.
De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar e dados da Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), o desempenho reforça a posição do estado como uma das principais forças do agronegócio brasileiro.
Produção de grãos e pecuária intensiva impulsionam o crescimento
O levantamento aponta que o avanço do PIB é sustentado por três pilares: produção de grãos, pecuária intensiva e fortalecimento da agroindústria. Segundo o boletim, esses fatores refletem o impacto da tecnologia e da eficiência no campo, que vêm garantindo resultados consistentes e sustentáveis.
Safra 2025/26 deve registrar aumento de área e produção
O 1º levantamento da safra 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirma o bom momento do agro tocantinense. A área plantada deve atingir 2,57 milhões de hectares, um aumento de 6,7% em relação à safra anterior, com produção estimada em 9,63 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 4,8%.
A soja, principal cultura do estado, deve ocupar 1,68 milhão de hectares, com produção de 5,74 milhões de toneladas. Já o milho deve registrar alta de 7,8% na área plantada, alcançando 2,74 milhões de toneladas na colheita.
Exportações do estado crescem mais de 25% em 2025
Entre janeiro e setembro de 2025, o Tocantins exportou US$ 2,5 bilhões, o que representa crescimento de 25,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O superávit comercial atingiu US$ 2,3 bilhões, com destaque para soja em grão (58,8%), carne bovina (18,1%) e milho (4,4%).
A China manteve a liderança como principal destino das exportações tocantinenses, respondendo por 59,5% do total. Na sequência aparecem Espanha, Egito, Países Baixos e Estados Unidos.
Estado aposta em tecnologia, irrigação e cooperativismo
Com 4,8 milhões de hectares irrigáveis, crescente uso de biotecnologia e expansão das cooperativas, o Tocantins desponta como um dos estados mais promissores do agronegócio brasileiro.
O informativo ressalta que a combinação entre produtividade, sustentabilidade e diversificação faz do agro tocantinense um modelo de desenvolvimento equilibrado, com forte potencial de crescimento nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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