AGRONEGÓCIO
Produção de lúpulo no Brasil cresce e rende prêmios nacionais
AGRONEGÓCIO
O Grupo Petrópolis vem se destacando no Brasil pelo desenvolvimento do cultivo de lúpulo, ingrediente essencial na produção de cervejas. Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), o projeto pioneiro da empresa, iniciado em 2018 em Teresópolis (RJ), superou desafios climáticos e se expandiu para Minas Gerais, consolidando-se como referência nacional no setor.
O projeto começou com 316 mudas de 10 variedades para avaliar a adaptabilidade da planta. Com os bons resultados, em 2023 a produção foi ampliada para Uberaba (MG), com 5.600 mudas das variedades Comet e Cascade cultivadas em dois hectares. Atualmente, Minas Gerais concentra a maior área cultivada, enquanto o Rio de Janeiro lidera em crescimento da produção.
Sustentabilidade e inovação agrícola
O investimento em práticas agrícolas sustentáveis, uso de mudas certificadas e manejo eficiente reforça o compromisso da empresa com a qualidade e sustentabilidade. “Desde o início desta jornada estivemos juntos aos pioneiros do lúpulo nacional, seguindo as melhores práticas agrícolas, com mudas homologadas pelo MAPA e técnicas de manejo sustentáveis. Isso é motivo de orgulho para nós”, afirma Diego Gomes, diretor industrial do Grupo Petrópolis.
Premiações na Copa Brasileira de Lúpulos
O reconhecimento do setor veio na Copa Brasileira de Lúpulos. Em quatro edições da competição, o Grupo Petrópolis conquistou 10 medalhas, incluindo três na última edição: prata na variedade Chinook e bronze em Triumph e Triple Pearl. A avaliação considerou tanto características químicas, como o teor de alfa-ácidos, quanto sensoriais, como aroma e notas naturais do lúpulo.
Eficiência, sustentabilidade e impacto no mercado de cervejas
Além das premiações, o projeto promove maior eficiência e sustentabilidade. Em Teresópolis, a compostagem reduziu em 75% os custos de manejo, enriquecendo o solo. Já em Uberaba, a mecanização diminuiu o tempo de pulverização por hectare de um dia para apenas uma hora.
O crescimento do cultivo nacional contribui para a diversificação de estilos de cerveja, ampliando o acesso a rótulos mais aromáticos e encorpados e estimulando o consumo de cervejas especiais no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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