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Produção global de açúcar alcança pico em 2025/26, mas recua em 2026/27

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A produção mundial de açúcar deve atingir o segundo maior nível da história na temporada 2025/26, mas sinais indicam que a oferta global diminuirá em 2026/27. O consumo, por sua vez, apresenta crescimento lento, pressionado por fatores econômicos e mudanças no comportamento do consumidor.

Produção global deve alcançar 186,7 milhões de toneladas em 2025/26

A estimativa atualizada aponta um aumento de 1,3 milhão de toneladas em relação à previsão anterior, totalizando 186,7 milhões de toneladas. O crescimento é impulsionado principalmente por China, Indonésia e União Europeia, onde condições climáticas favoráveis melhoraram a produtividade.

Na China, a produção deve chegar a 12 milhões de toneladas, acima das 11,7 milhões de toneladas projetadas anteriormente, graças ao clima favorável nas regiões de Guangxi e Yunnan. No entanto, apesar do preço da cana estabelecido pelo governo sustentar a renda dos produtores, as usinas estão operando com margens negativas, o que pode limitar o suporte à produção na próxima safra.

Na Tailândia, a produção deve cair em 2026/27, já que muitos produtores do Nordeste estão migrando para culturas mais rentáveis, como a mandioca. Margens de lucro apertadas também podem reduzir o uso de insumos agrícolas, impactando a produtividade.

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No Brasil, a paridade do etanol deve influenciar a decisão das usinas entre produzir açúcar ou etanol. Apesar do aumento na moagem de cana previsto para 621 milhões de toneladas em 2026/27 (ante 610 milhões anteriormente), a produção de açúcar deve recuar para 40 milhões de toneladas, uma redução de 700 mil toneladas em relação à estimativa anterior.

Consumo global permanece fraco, mas com leve recuperação prevista

O consumo mundial de açúcar deve alcançar 178,5 milhões de toneladas, aumento de apenas 0,2 milhões em relação à projeção anterior. Para 2026/27, a expectativa é de crescimento de 2 milhões de toneladas, impulsionado pela queda nos preços do açúcar e a recomposição dos estoques globais.

Apesar disso, o consumo enfrenta desafios estruturais, como maior conscientização sobre os efeitos do açúcar, regulamentações mais rigorosas sobre alimentos e bebidas açucaradas, e a popularização de medicamentos GLP-1 para perda de peso, que podem reduzir a ingestão de açúcar globalmente.

Excedente de produção atinge segundo maior nível desde 2017/18

Para 2025/26, projeta-se um excedente global de 8,3 milhões de toneladas, apenas atrás do registrado em 2017/18. Em 2026/27, o excedente deve cair para 3,4 milhões de toneladas, refletindo a redução na produção e ajustes no mercado.

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A safra indiana de açúcar começou de forma promissora, com expectativa de 32,8 milhões de toneladas em 2025/26. Embora a floração da cana em Maharashtra possa afetar parcialmente a produtividade das soqueiras, os impactos parecem localizados e não devem comprometer significativamente o excedente indiano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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