AGRONEGÓCIO
RCF amplia crédito verde e financia soja livre de desmatamento no Cerrado com US$ 60 milhões
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O Responsible Commodities Facility (RCF) concluiu sua quarta rodada de captação, garantindo US$ 60 milhões para financiar a produção de soja no Cerrado brasileiro durante a safra 2025/26. A iniciativa, viabilizada por uma estrutura inovadora de blended finance (finanças combinadas), fortalece a produção agrícola sustentável e atrai novos parceiros internacionais.
Financiamento via CRA Verde e certificações ambientais
O programa RCF Cerrado é sustentado por Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos pela Opea, listados na Bolsa de Viena e na B3. Os CRAs Senior receberam rating “brAA (sf)” da S&P Global — equivalente a B+ na escala global — e foram certificados segundo os Green Bond Principles e Green Loan Principles, conforme parecer técnico da consultoria ERM-NINT.
A operação contou com a coordenação da Sustainable Investment Management (SIM), em parceria com a Opea Securitizadora e a Traive, especializada em crédito agrícola. O escritório Pinheiro Neto Associados atuou na assessoria jurídica.
Investidores e novos parceiros estratégicos
Entre os principais financiadores do RCF estão as redes britânicas Tesco, Sainsbury’s e Waitrose, o Rabobank e o fundo AGRI3. Nesta nova rodada, ingressaram o programa Mobilising Finance for Forests (MFF) — gerido pelo banco de desenvolvimento holandês FMO e financiado pelos governos do Reino Unido e da Holanda — e o IDB Invest.
Impactos ambientais e produtivos
O investimento deve contemplar cerca de 280 propriedades rurais, com previsão de 240 mil toneladas de soja certificada como livre de desmatamento. Além disso, serão preservados 90 mil hectares de vegetação nativa, sendo 29 mil hectares acima do exigido por lei, o que representa 22 milhões de toneladas de carbono que deixarão de ser emitidas.
Crescimento contínuo e metas futuras
Criado em 2022 com aporte inicial de supermercados britânicos, o RCF vem expandindo sua atuação e deve ultrapassar US$ 200 milhões em recursos na safra 2026/27. Os financiamentos são destinados a produtores que se comprometem a não desmatar áreas nativas e a preservar vegetação excedente ao mínimo legal, contribuindo para combater as mudanças climáticas e proteger a biodiversidade.
Cerrado como bioma estratégico na agenda climática
Com a COP 30 em Belém no horizonte, o Cerrado ganha relevância internacional por sua biodiversidade e vulnerabilidade à conversão ilegal para agricultura. O programa RCF atua oferecendo crédito a agricultores que adotam o desmatamento zero, inclusive renunciando ao direito legal de converter vegetação nativa em áreas agrícolas.
Declarações de líderes do setor
Mauricio de Moura Costa, fundador e COO da SIM:
“O RCF cresceu com solidez graças a uma estrutura bem planejada. Com o apoio do Rabobank, conseguimos diversificar a carteira, reduzir riscos e ampliar nossa capacidade de financiamento.”
Renato Barros Frascino, Head de Agronegócio da Opea:
“O aumento do interesse de investidores estrangeiros no agronegócio sustentável reforça o papel dos CRAs como ponte para o capital internacional.”
Huib-Jan de Ruijter, Co-CIO do FMO:
“O vínculo entre financiamento e compromisso real de desmatamento zero é uma estratégia eficaz para proteger ecossistemas valiosos.”
Mário Ferreira, Head de Wholesale do Rabobank Brasil:
“O RCF prova que produtividade e preservação podem caminhar juntas. É um modelo de agricultura que respeita o planeta e valoriza o produtor responsável.”
Governança e integração com outras iniciativas
A governança ambiental do programa é conduzida por um conselho consultivo com especialistas de instituições como The Nature Conservancy, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Conservation International, Proforest, IPAM, BVRio, entre outros.
O RCF Cerrado também complementa iniciativas como o UK Soy Manifesto, a Forest Positive Coalition e integra a Innovative Finance for the Amazon, Cerrado and Chaco (IFACC), coordenada pelo UNEP FI, TNC e Tropical Forest Alliance.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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