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Retração de vendedores mantém preços do arroz firmes mesmo com pressão da colheita

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O mercado brasileiro de arroz encerra fevereiro em alta, especialmente no Rio Grande do Sul, principal referência nacional. Apesar da intensificação da colheita — que costuma pressionar os preços para baixo —, a retração vendedora e a postura cautelosa dos produtores têm sustentado as cotações.

Produtores mantêm ritmo lento de comercialização

Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o mercado segue em um ambiente de espera e baixa liquidez, com comercialização em ritmo reduzido e preços considerados “meramente nominais”, devido à ausência de vetores claros de demanda no curto prazo.

No Rio Grande do Sul, os valores praticados variam entre R$ 52 e R$ 55 por saca de 50 quilos na região da Fronteira Oeste. No posto porto, as negociações giram entre R$ 60 e R$ 62 por saca, com relatos pontuais de até R$ 64/saca, sem, no entanto, se consolidarem como referência de mercado.

“A leitura dominante é de lateralidade técnica, com baixa formação de negócios e pouca profundidade”, explica Oliveira.

Exportações ganham força e novos mercados surgem

Mesmo com o cenário interno de lentidão nas vendas, há perspectivas positivas para o mercado externo. De acordo com o consultor, a Costa Rica tem se consolidado como o segundo maior comprador de arroz em casca do Brasil e demonstra interesse em ampliar as compras para até 200 mil toneladas na nova temporada.

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O Panamá, atual quinto maior importador, também surge como um mercado com potencial de crescimento. Segundo Oliveira, a fidelização desses compradores pode permitir que o Brasil ultrapasse 2 milhões de toneladas exportadas (base casca) na próxima temporada comercial.

Conab anuncia recursos para apoiar a comercialização

No campo institucional, a Conab anunciou durante a 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizada em Capão do Leão, um investimento de R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização da safra 2025/26. O valor, considerado abaixo das expectativas do setor, tem como meta o escoamento de cerca de 300 mil toneladas.

Para o analista da Safras & Mercado, o anúncio é positivo, mas não deve alterar de forma imediata a dinâmica de preços, que seguem sustentados mais pelo comportamento dos produtores do que por medidas institucionais.

Preços encerram fevereiro em alta no Rio Grande do Sul

A média da saca de 50 quilos de arroz (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) no Rio Grande do Sul fechou o dia 26 a R$ 55,45, alta de 0,93% na semana. Em relação ao mesmo período de janeiro, o avanço é de 4,73%, enquanto na comparação com fevereiro de 2025, o mercado ainda acumula queda de 39,75%.

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Mesmo com a tendência sazonal de baixa provocada pela colheita, o sentimento predominante entre os agentes é de maior retenção da oferta, sustentado pela expectativa de melhora nas cotações no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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