AGRONEGÓCIO
Safra de grãos 2026 tem leve queda com impacto do clima irregular e avanço de pragas no Brasil
AGRONEGÓCIO
A safra brasileira de grãos em 2026 teve sua projeção revisada para baixo, refletindo um cenário marcado por instabilidade climática e aumento da pressão de pragas ao longo do ciclo produtivo.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a produção deve alcançar 344,1 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 0,6% em relação ao recorde de 346,1 milhões registrado em 2025. Mesmo com a retração, a área colhida cresceu 1,6%, chegando a 82,9 milhões de hectares.
Clima irregular no Centro-Oeste reduz produtividade de milho e arroz
A principal razão para a revisão negativa está na queda de produtividade de culturas importantes, impactadas por condições climáticas adversas e maior incidência de pragas.
No Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas e períodos de estiagem comprometeram o desenvolvimento das lavouras, especialmente de milho e arroz. A produção de milho está estimada em 134,3 milhões de toneladas, queda de 5,3% em relação ao ciclo anterior. Já o arroz apresenta recuo ainda mais expressivo, de 8,0%.
Soja mantém protagonismo e alcança produção recorde
Na contramão das demais culturas, a soja segue como destaque positivo na safra 2026. A produção da oleaginosa deve atingir um recorde de 173,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual.
Apesar do bom desempenho, o avanço da soja não foi suficiente para compensar as perdas registradas em outras culturas relevantes.
Safrinha concentra maior preocupação com queda de produção
A segunda safra de milho, conhecida como safrinha, concentra grande parte das preocupações do setor. Responsável por cerca de 79% da produção nacional do cereal, essa etapa está estimada em 105,4 milhões de toneladas, com retração de 9,1%.
O desempenho negativo é atribuído, principalmente, ao atraso no plantio após a colheita da soja e ao aumento da pressão de pragas no início do ciclo.
Colheita avança, mas ritmo ainda é desigual entre regiões
Levantamentos recentes indicam que a colheita da safra de verão no Centro-Sul segue dentro da normalidade, alcançando 48,7% da área até meados de março, em linha com o mesmo período do ano passado.
No entanto, o ritmo é desigual entre as regiões. Estados do Sul apresentam avanço mais acelerado, enquanto áreas do Centro-Oeste ainda registram início mais lento dos trabalhos.
Pressão de pragas aumenta e exige manejo mais rigoroso
No campo, o cenário é de maior complexidade, com aumento da incidência de pragas de forma regionalizada e mais intensa.
Entre os principais desafios estão percevejos, corós, lesmas, roedores e a cigarrinha-do-milho, que tem causado prejuízos bilionários nas últimas safras e impactado significativamente a produtividade.
A presença de palhada deixada pela soja, embora essencial para a conservação do solo, tem favorecido a proliferação de pragas, exigindo mudanças nas estratégias de manejo.
Doenças como ferrugem asiática elevam custos na soja
Na cultura da soja, o aumento da incidência de doenças como a ferrugem asiática também pressiona os custos de produção, podendo representar parcela significativa das despesas em cenários mais críticos.
Esse contexto reforça a necessidade de planejamento antecipado e uso de tecnologias com diferentes modos de ação para o controle fitossanitário.
Manejo eficiente e uso de tecnologia são decisivos para a safra
Diante dos desafios, especialistas recomendam que produtores intensifiquem o monitoramento das lavouras desde antes da semeadura e adotem práticas mais rigorosas de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Entre as estratégias indicadas estão o controle biológico, a rotação de defensivos e o uso de variedades adaptadas às condições regionais, fatores essenciais para mitigar riscos e preservar o potencial produtivo.
Segundo Douglas Vaz-Tostes, a escolha correta de insumos é determinante para o desempenho da safra. Ele destaca que o uso adequado de fertilizantes, na dose e no momento certo, contribui para reduzir perdas, aumentar a rentabilidade e proteger o potencial produtivo.
Agro brasileiro mantém capacidade de adaptação
Apesar dos desafios, o setor segue demonstrando resiliência. A agricultura brasileira continua se destacando pela capacidade de adaptação diante de cenários adversos.
Para especialistas, o desempenho da safra 2026 dependerá da combinação entre conhecimento técnico, decisões estratégicas e eficiência no manejo. Essa integração será fundamental não apenas para sustentar a produção atual, mas também para fortalecer o potencial futuro do agronegócio brasileiro, que permanece como um dos principais motores da economia nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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