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Safra de pêssego no Rio Grande do Sul encerra com bons resultados, mas preços sofrem pressão no fim do ciclo

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A colheita de pêssegos voltados à indústria foi concluída na região administrativa de Pelotas (RS), encerrando o ciclo das cultivares Eldorado e Santa Áurea, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar.

O desempenho da safra foi considerado positivo, apesar de alguns desafios enfrentados durante o pico da colheita. Problemas logísticos, como escassez de caixas para transporte, longas filas de entrega nas indústrias e déficit hídrico pontual em algumas áreas, afetaram parte da produção.

Além disso, houve ocorrências isoladas de podridão-parda, que exigiram atenção dos produtores. A Emater informou que uma reunião de avaliação da safra deve ser realizada nas próximas semanas para discutir os resultados e os aprendizados do ciclo.

Colheita segue em Caxias do Sul com leve atraso na maturação

Na região de Caxias do Sul, os pomares das variedades tardias Barbosa e Eragil ainda estão em colheita. As temperaturas mais baixas retardaram o processo de acúmulo de açúcares e uniformização da coloração dos frutos, provocando um ligeiro atraso na maturação.

Mesmo assim, os técnicos da Emater destacam que os frutos mantêm boa qualidade, sanidade e calibre comercial, além de apresentarem a coloração típica de cada cultivar.

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Após a colheita, os produtores têm focado nas práticas de manejo pós-colheita, como podas verdes, que favorecem o equilíbrio vegetativo-produtivo, melhoram a entrada de luz e reduzem a pressão de patógenos nos pomares.

Preços variam e rentabilidade é afetada no fim da safra

Os valores de comercialização variam conforme a região e o tipo de fruta. Na Ceasa/Serra, as médias registradas foram:

  • R$ 4,80/kg para a cultivar Fascínio;
  • R$ 4,25/kg para a Eragil;
  • R$ 4,50/kg para a PS 10711, considerando frutos de maior calibre.

Já em Caxias do Sul, alguns produtores relataram preços mais baixos, recebendo R$ 2,00/kg na venda a granel diretamente na propriedade.

Em Pinto Bandeira, o grande volume de frutas estocadas em câmaras frias tem pressionado os valores, dificultando a comercialização. Os preços variam entre R$ 1,50/kg (mínimo) e R$ 3,50/kg (média geral), o que reduz a rentabilidade na reta final da safra.

Soledade encerra colheita com atenção à mosca-das-frutas

Na região de Soledade, a colheita das cultivares tardias também está próxima do fim. A Emater/RS-Ascar aponta que a alta incidência da mosca-das-frutas continua sendo um desafio, exigindo monitoramento e manejo constantes.

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Paralelamente, segue a colheita de ameixas, que compartilha parte da atenção dos produtores neste período de transição entre safras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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