AGRONEGÓCIO
Sanidade suína que gera lucro: importância do controle do Mycoplasma hyopneumoniae e circovirose
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Na suinocultura moderna, a eficiência produtiva depende diretamente da manutenção da saúde do plantel. Dois patógenos de alta relevância econômica são destaque: o Mycoplasma hyopneumoniae (Mhyo), principal agente da pneumonia enzoótica suína, e o Circovírus Suíno tipo 2 (PCV2), causador da circovirose. Controlar essas doenças é estratégico para melhorar a conversão alimentar, uniformidade de lotes e desempenho zootécnico.
Impactos do Mycoplasma hyopneumoniae na produção
O Mhyo provoca lesões pulmonares que comprometem a função respiratória, causando inflamação crônica e redução da eficiência respiratória. Estudos indicam que infecções podem gerar queda de até 16% no ganho de peso diário (GPD) e aumento na conversão alimentar, especialmente em casos subclínicos.
A coinfecção com bactérias oportunistas, como Pasteurella multocida e Actinobacillus pleuropneumoniae, intensifica os danos pulmonares, eleva a severidade clínica e reduz a uniformidade e produtividade dos lotes. Além disso, lesões pulmonares podem resultar em condenações parciais nos frigoríficos, gerando perdas econômicas pós-abate.
Segundo Felipe Betiolo, gerente de marketing da Ceva Saúde Animal, “a pneumonia enzoótica continua sendo um dos principais fatores de redução de desempenho em sistemas semi-intensivos e intensivos, afetando a eficiência respiratória e energética dos suínos”. A vacinação precoce, aliada a medidas de biosseguridade, é essencial para controlar a doença.
Circovirose suína: desafios silenciosos para a produtividade
O PCV2 afeta principalmente leitões pós-desmame, provocando perda de peso, apatia, dispneia, linfadenomegalia e mortalidade em casos graves. O impacto econômico não se limita às mortes; há queda no GPD, aumento da conversão alimentar e descarte precoce de animais.
A circovirose atua via replicação intensa nos tecidos linfóides, causando imunossupressão e predispondo a infecções secundárias. “Mesmo casos subclínicos geram perda de desempenho, aumento de descarte e imprevisibilidade na terminação”, ressalta Betiolo. A vacinação contra PCV2 é a medida mais eficaz para reduzir impactos zootécnicos e econômicos.
Coinfecções: efeito sinérgico agrava perdas
A presença simultânea de Mhyo e PCV2 é comum e aumenta a gravidade clínica e lesões histopatológicas, elevando a variabilidade de desempenho e comprometendo a homogeneidade dos lotes. “Infecções subclínicas combinadas geram efeito cumulativo nos indicadores zootécnicos, afetando índices de abate e densidade de alojamento”, explica Felipe.
Estratégias integradas de prevenção
A suinocultura eficiente exige abordagem integrada baseada em três pilares:
- Vacinação estratégica de leitões e animais adultos;
- Gestão rigorosa da biosseguridade no plantel;
- Monitoramento contínuo por meio de exames laboratoriais, avaliação de lesões pulmonares e análise de indicadores zootécnicos.
Betiolo reforça: “A sanidade é uma decisão estratégica que impacta diretamente a eficiência produtiva. Produtores que dominam seus indicadores sanitários obtêm previsibilidade, controle de custos e maior margem operacional”.
Sanidade como fator econômico e sustentável
Controlar efetivamente o Mhyo e o PCV2 não é apenas recomendação técnica, mas uma necessidade econômica. Protocolos consistentes e monitoramento constante asseguram estabilidade sanitária, que se traduz em eficiência produtiva, previsibilidade de resultados e sustentabilidade da suinocultura a longo prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Senado aprova uso do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas do agro
O Senado aprovou na quarta-feira (11.06) o projeto de lei que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos. A proposta, que também prevê a utilização de recursos dos fundos constitucionais do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), segue para sanção presidencial.
O texto aprovado estabelece condições especiais para produtores que registraram perdas em pelo menos duas safras e prevê taxas de juros entre 3,5% e 7,5% ao ano. Diferentemente da versão aprovada pela Câmara dos Deputados, que previa a destinação de R$ 30 bilhões a R$ 100 bilhões para a operação, o parecer do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), transferiu ao Poder Executivo a definição do volume de recursos que poderá ser utilizado.
A proposta foi defendida por parlamentares ligados ao agronegócio como uma alternativa para enfrentar o aumento do endividamento no campo, agravado pelas perdas provocadas por secas e enchentes em diferentes regiões do País. O projeto beneficia produtores atingidos por eventos climáticos reconhecidos oficialmente.
O governo federal, no entanto, manteve restrições ao texto durante a tramitação. O Ministério da Fazenda defendia mudanças nos critérios de enquadramento dos produtores e propôs juros mais elevados para a renegociação. Parte das sugestões foi rejeitada pelo relator.
Criado em 2010, o Fundo Social do Pré-Sal tem como objetivo financiar políticas públicas permanentes com recursos da exploração de petróleo. Atualmente, metade das receitas é destinada à educação e a parcela restante atende áreas como saúde, habitação, ciência e tecnologia, cultura e meio ambiente.
Críticos da proposta argumentam que a medida pode reduzir recursos disponíveis para outros programas financiados pelo fundo. Estimativas indicam que o Fundo Social do Pré-Sal destinou cerca de R$ 35 bilhões ao programa Minha Casa, Minha Vida entre 2025 e 2026, contribuindo para a ampliação da meta de contratação de moradias.
A aprovação ocorre em meio à pressão do setor agropecuário por medidas de socorro financeiro. O aumento do endividamento dos produtores levou entidades do setor e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) a defenderem a criação de mecanismos permanentes para enfrentar os impactos das mudanças climáticas sobre a produção.
Fonte: Pensar Agro
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