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Setor de soja defende maior uso de biodiesel para conter alta do diesel no Brasil

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A indústria de processamento de soja no Brasil voltou a defender o aumento da mistura de biodiesel ao diesel como alternativa para amenizar os impactos da alta nos preços da energia. A proposta foi reforçada pela Abiove, em meio ao cenário de volatilidade global provocado por tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Segundo a entidade, o governo brasileiro deveria permitir maior flexibilidade no uso do biodiesel, possibilitando que o próprio mercado defina níveis superiores à mistura obrigatória atual.

Setor propõe mistura de até 20% de biodiesel

Atualmente, o Brasil adota uma mistura obrigatória de 15% de biodiesel ao diesel. No entanto, o setor produtivo defende o avanço para patamares mais elevados, podendo chegar a 20% (B20), caso haja demanda.

De acordo com Daniel Amaral, diretor de assuntos econômicos da Abiove, a ampliação da mistura poderia funcionar como um mecanismo de proteção contra oscilações nos preços internacionais.

A proposta também inclui a liberação para que consumidores utilizem percentuais superiores ao mínimo obrigatório, conforme as condições de mercado.

Conflito no Oriente Médio pressiona preços do petróleo

A defesa por maior uso de biodiesel ocorre em meio à alta dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

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Os ataques recentes e as retaliações na região do Golfo Pérsico elevaram os custos internacionais da energia, impactando diretamente o preço do diesel importado pelo Brasil.

Atualmente, cerca de um quarto do diesel consumido no país é importado, enquanto o restante é produzido pela Petrobras. Com a valorização do combustível fóssil, o biodiesel passou a se tornar mais competitivo em termos de custo.

Biodiesel pode reduzir impacto no preço ao consumidor

Segundo a Abiove, o aumento da mistura de biodiesel poderia ter amenizado os reajustes recentes nos combustíveis. A entidade avalia que uma elevação para 17% já seria suficiente para reduzir o impacto de altas recentes nos preços nas bombas.

Além disso, o biodiesel é visto como uma alternativa estratégica para garantir maior segurança energética ao país, especialmente em momentos de restrição na oferta de diesel.

Governo avalia impactos e mantém cautela

Apesar da pressão do setor, o governo brasileiro ainda adota uma postura cautelosa. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou recentemente que são necessários mais testes antes de qualquer aumento na mistura obrigatória.

Já o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reconheceu que o tema está em discussão, mas não é prioridade imediata.

A principal preocupação do governo está relacionada ao possível impacto inflacionário, já que o aumento da produção de biodiesel pode elevar a demanda por óleo vegetal, influenciando os preços dos alimentos.

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Safra recorde de soja reforça argumento do setor

Por outro lado, a indústria argumenta que o Brasil possui condições de ampliar a produção sem comprometer o abastecimento alimentar. A estimativa é de uma safra recorde de soja próxima de 180 milhões de toneladas.

Segundo a Abiove, o crescimento da produção permitiria expandir simultaneamente a oferta de biodiesel e de farelo de soja, utilizado na alimentação animal.

Na avaliação do setor, o avanço do biodiesel não compete com a produção de alimentos. Pelo contrário, contribui para ampliar a oferta e reduzir custos ao longo da cadeia, especialmente na produção de proteínas animais.

Debate segue aberto no governo

O tema segue em discussão dentro do governo federal, com diferentes áreas avaliando os impactos econômicos, energéticos e inflacionários da medida.

Enquanto isso, o setor produtivo mantém a defesa por maior flexibilidade e pelo avanço gradual da mistura de biodiesel, apontando a estratégia como uma resposta relevante diante da volatilidade no mercado global de energia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil

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Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.

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Fonte: Pensar Agro

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