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Sobretaxa dos EUA mantém pressão sobre o mercado de café e amplia volatilidade nas bolsas internacionais

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O mercado de café iniciou a semana com forte volatilidade nas bolsas internacionais, refletindo a continuidade da sobretaxa de 40% aplicada pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, medida que segue afetando diretamente a competitividade do produto no mercado externo.

A decisão do governo norte-americano de retirar apenas 10% da tarifa recíproca imposta sobre as importações do café do Brasil não foi suficiente para aliviar as preocupações do setor. Enquanto isso, concorrentes diretos — como Colômbia, Vietnã e países da América Central — continuam exportando com tarifas reduzidas ou isentas, o que amplia a desvantagem comercial brasileira.

Segundo especialistas, a manutenção das barreiras tarifárias deve seguir pesando sobre as exportações brasileiras de café, que já registram queda acumulada desde setembro de 2025, conforme dados de mercado e estimativas do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Bolsas internacionais operam com oscilações acentuadas

Na manhã desta segunda-feira (17), os preços do café apresentaram movimentos mistos nas principais bolsas de referência.

O contrato de arábica, negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), registrava alta de 260 pontos, cotado a 402,20 cents/lbp no vencimento de dezembro/25. Já os contratos de março/26 e maio/26 avançavam 245 e 190 pontos, respectivamente.

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Em Londres, o robusta operava com ganhos de mais de 4% nos vencimentos mais próximos, refletindo o aumento da demanda global e a preocupação com os custos logísticos. O contrato de janeiro/26 avançava US$ 191, negociado a US$ 4.414 por tonelada, enquanto o de março/26 subia US$ 162, cotado a US$ 4.290 por tonelada.

A volatilidade observada é explicada pela combinação entre incertezas comerciais, estoques globais limitados e condições climáticas variáveis nas principais regiões produtoras, fatores que vêm determinando ajustes constantes nos preços.

Competitividade brasileira ameaçada no mercado internacional

Para o Brasil, o principal desafio continua sendo recuperar competitividade no mercado norte-americano, destino tradicional e estratégico para o café nacional.

e acordo com análises do setor, enquanto a tarifa de 40% permanecer vigente, o café brasileiro tende a perder espaço para origens com custo de entrada mais baixo, o que poderá influenciar o ritmo de contratos futuros e comprometer o desempenho das exportações no fim do ano.

Diante desse cenário, exportadores e cooperativas avaliam alternativas para diversificar mercados, fortalecendo as vendas para a Europa, Ásia e Oriente Médio — regiões que vêm demonstrando maior interesse pelo café brasileiro, especialmente nas categorias premium e sustentáveis.

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Perspectivas e próximos passos

Apesar das incertezas tarifárias, analistas destacam que o mercado ainda conta com fundamentos positivos no médio prazo, como o aumento do consumo global e a valorização dos cafés especiais. No entanto, a estabilidade cambial e o avanço nas negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos serão determinantes para definir o rumo dos preços e das exportações nos próximos meses.

Enquanto isso, os produtores brasileiros seguem em alerta, atentos às condições climáticas, custos de produção e variações cambiais, fatores que podem interferir diretamente na rentabilidade do setor no final da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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