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Soja Avança em Chicago com Alta do Petróleo, Mas Safra Brasileira Sofre com Crises Logísticas

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Preços da Soja em Chicago Registram Novas Altas

Nesta quinta-feira (19/03/2026), os contratos da soja na Bolsa de Chicago avançaram, mantendo a tendência positiva da sessão anterior. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os principais contratos registravam alta entre 4,5 e 10 pontos, refletindo um mercado dividido entre fundamentos e fatores técnicos.

No campo fundamental, investidores seguem atentos ao cenário geopolítico global. As tensões no Oriente Médio permanecem no radar, assim como as relações comerciais entre China e Estados Unidos, decisivas para o comportamento do complexo soja, devido à forte dependência da demanda chinesa.

O ataque do Irã a instalações energéticas na região, em resposta a ações de Israel contra o campo de gás South Pars, elevou o preço do petróleo Brent acima de US$ 115 por barril. O bloqueio do Estreito de Ormuz também contribui para a instabilidade, pressionando os preços das commodities agrícolas.

Entre os derivados do grão, o farelo lidera as altas, com valorização acima de 1%, enquanto o óleo de soja sobe de forma mais moderada. Milho e trigo também registram avanços, acompanhando a tendência de alta das commodities agrícolas globais.

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Safra Brasileira e Logística Pesam Sobre Mercado Doméstico

No Brasil, a situação difere do cenário internacional, com dificuldades operacionais impactando a colheita e o escoamento da produção.

  • Rio Grande do Sul: colheita avançando lentamente, atingindo apenas 2% da área devido à estiagem e à falta de diesel, cujo preço chega a R$ 9,00 em algumas regiões. A paralisação de máquinas compromete o fluxo de escoamento.
  • Santa Catarina: produção estimada em 3 milhões de toneladas garante abastecimento interno, mas o mercado monitora a queda de preços e impactos logísticos ligados às tensões no Oriente Médio.
  • Paraná: colheita alcança 70%, mas sofre com apagões e fretes elevados.
  • Mato Grosso do Sul: atrasos no plantio e oscilações no frete aumentam a incerteza no mercado.
  • Mato Grosso: mesmo com safra recorde, gargalos de armazenagem e logística pressionam os preços, que chegam a menos de R$ 100 por saca em algumas regiões.

Segundo a TF Agroeconômica, enquanto o cenário doméstico enfrenta esses desafios, os contratos em Chicago encerraram em alta: maio subiu 0,41% e julho 0,45%. O farelo se destacou com valorização acima de 3%, impulsionado pela demanda internacional aquecida, compensando a leve queda do óleo de soja.

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Fatores que Mantêm a Volatilidade do Mercado

A combinação de tensão geopolítica, alta do petróleo e questões logísticas brasileiras mantém a volatilidade nos preços da soja. Operadores ajustam posições rapidamente, reagindo às notícias do Oriente Médio, às projeções de safra nos EUA e aos gargalos no Brasil.

Além disso, a possibilidade de nova greve de caminhoneiros preocupa agentes do setor, uma vez que poderia comprometer ainda mais o escoamento da produção e afetar os fluxos de exportação, refletindo no mercado internacional.

Perspectivas para o Mercado

O mercado global de soja segue em alerta, com investidores monitorando:

  • Evolução do conflito no Oriente Médio e impactos no petróleo;
  • Relações comerciais entre EUA e China;
  • Andamento da colheita e logística na América do Sul;
  • Custos de frete, disponibilidade de diesel e capacidade de armazenagem.

A combinação desses fatores define a sustentação dos preços, com o mercado buscando estabilidade após recente volatilidade, enquanto operadores equilibram fundamentos agrícolas, demanda global e riscos geopolíticos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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