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Soja recua em Chicago após sequência de altas; mercado acompanha tensões geopolíticas e safra brasileira

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Os preços internacionais da soja operam em queda nesta terça-feira (10) na Bolsa de Chicago, em um movimento de correção após as altas registradas nas últimas sessões. A realização de lucros ocorre depois de um período de valorização impulsionado por fatores externos, como a alta de commodities energéticas e o aumento das tensões geopolíticas.

Mesmo com o recuo técnico nas cotações, analistas indicam que o mercado segue atento ao cenário internacional, às relações comerciais entre grandes economias e à evolução da safra brasileira, que apresenta resultados bastante distintos entre as regiões produtoras.

Soja recua em Chicago após sequência de ganhos

Nas primeiras horas do pregão, os contratos futuros da soja registravam queda entre 2,25 e 5 pontos nos principais vencimentos na Chicago Board of Trade.

Por volta das 7h20 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em maio era negociado a US$ 11,93 por bushel, enquanto o contrato de julho recuava para US$ 12,02 por bushel.

O movimento de ajuste ocorre após um período de valorização do complexo soja, que havia sido impulsionado principalmente pela alta de outras commodities, como o petróleo, e pelo ambiente de maior aversão ao risco provocado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Além da soja em grão, outros produtos do complexo também registram recuo, incluindo milho, trigo e óleo de soja.

Declarações sobre conflito no Oriente Médio influenciam o mercado

Parte da pressão sobre os preços também está relacionada à queda recente do petróleo, que chegou a registrar perdas superiores a 6% após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a guerra envolvendo o Irã poderia terminar em breve.

Esse tipo de sinalização tende a reduzir a percepção de risco global e impactar diretamente commodities ligadas ao setor energético e agrícola.

Apesar do recuo nas cotações, operadores avaliam que o mercado ainda mantém elevado nível de atenção ao cenário geopolítico, que continua sendo um fator determinante para o comportamento das commodities agrícolas.

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Relação entre Estados Unidos e China segue no radar

Outro fator importante para o mercado da soja é a relação comercial entre as duas maiores economias do mundo. Investidores acompanham de perto os desdobramentos diplomáticos entre os Estados Unidos e a China, principal compradora global da oleaginosa.

A expectativa se volta agora para um encontro previsto para abril entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping.

Qualquer avanço ou deterioração nas relações comerciais entre Washington e Pequim pode alterar significativamente o fluxo global de comércio da soja, influenciando diretamente as exportações norte-americanas e brasileiras.

Complexo da soja encerrou sessão anterior em queda

No fechamento das negociações de segunda-feira, o mercado já havia apresentado ajuste negativo após um início de pregão positivo.

O contrato de soja com vencimento em março encerrou com queda de 0,38%, a 1.180,50 cents por bushel, enquanto o contrato de maio recuou 0,37%, para 1.196,25 cents por bushel.

Dentro do complexo soja, o farelo para maio caiu 1,17%, para US$ 313,50 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja recuou 0,72%, para 66,10 cents por libra-peso.

Segundo analistas da TF Agroeconômica, o movimento reflete ajustes do mercado após a forte valorização observada recentemente.

Safra brasileira apresenta cenário heterogêneo

No Brasil, a evolução da safra também influencia a dinâmica de preços e comercialização. Apesar da expectativa de produção elevada no país, as condições variam bastante entre os estados produtores.

No Rio Grande do Sul, a colheita atinge apenas cerca de 1% da área cultivada, após uma estiagem severa que provocou perdas estimadas em 2,71 milhões de toneladas. Diante da quebra produtiva, produtores têm segurado vendas à espera de preços mais altos para compensar a redução do volume colhido.

No porto de Rio Grande, a saca foi negociada a aproximadamente R$ 132,50, enquanto no interior do estado os valores chegaram a cerca de R$ 120,00 por saca.

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Santa Catarina e Paraná avançam na colheita

Em Santa Catarina, o cenário é mais positivo, com expectativa de safra recorde impulsionada pela demanda da agroindústria de suínos e aves. No porto de São Francisco do Sul, a saca foi cotada em torno de R$ 130,10.

Já no Paraná, a colheita atinge cerca de 42% da área plantada, mas enfrenta dificuldades logísticas. Problemas como falta de armazenagem e interrupções no fornecimento de energia têm afetado a operação de secadores, aumentando os riscos de perda de qualidade dos grãos.

No porto de Paranaguá, os preços encontram suporte principalmente na valorização do óleo de soja no mercado internacional.

Centro-Oeste enfrenta desafios logísticos e sanitários

No Centro-Oeste, principal região produtora do país, os números da colheita avançam, mas produtores enfrentam desafios logísticos e sanitários.

Em Mato Grosso do Sul, a colheita supera 43% da área cultivada, porém o aumento dos custos de frete e a ocorrência de mais de 60 casos de ferrugem asiática preocupam os produtores.

Já em Mato Grosso, estado líder na produção nacional, a colheita alcança cerca de 89,15% da área plantada. Apesar da safra recorde, gargalos logísticos, fretes elevados e déficit de armazenagem continuam pressionando a rentabilidade do produtor.

Mercado brasileiro acompanha prêmios e câmbio

Além das cotações internacionais, o mercado brasileiro também monitora o comportamento dos prêmios de exportação, que sofreram forte pressão nos últimos dias após a valorização das cotações em Chicago.

Outro fator acompanhado pelos agentes do setor é o comportamento do câmbio e as sinalizações da política monetária conduzida pelo Banco Central do Brasil, que influencia diretamente a competitividade das exportações agrícolas brasileiras.

Mesmo com o ajuste negativo observado nesta terça-feira, especialistas indicam que o mercado da soja segue sensível ao noticiário internacional e às condições de oferta global, fatores que devem continuar direcionando o comportamento dos preços nas próximas sessões.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pesquisas preparam agro para mercado de carbono que já gera R$ 556 bilhões por ano

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Pesquisas realizadas por universidades e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começam a dimensionar quanto o campo brasileiro pode reduzir de emissões e retirar de carbono da atmosfera por meio da recuperação de pastagens, do plantio direto, da rotação de culturas, dos sistemas integrados e do uso de microrganismos. Além do efeito ambiental, os resultados ajudam a construir as bases técnicas para a futura participação dos produtores no mercado de carbono.

As pesquisas ganham cada vez mais importância, dado o tamanho crescente do mercado mundial de carbono. Segundo o Banco Mundial, os sistemas de precificação de carbono geraram mais de R$ 556 bilhões em receitas públicas no mundo em 2025, considerando a conversão pela Ptax mais recente. O resultado reúne a arrecadação com impostos sobre emissões e sistemas regulados de comércio de carbono. Atualmente, 87 instrumentos desse tipo estão em funcionamento e alcançam pouco mais de 29% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Uma dessas pesquisas reuniu cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), da Embrapa Agricultura Digital e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O estudo conjunto, publicado em 2026 na revista científica Nature Communications, estimou que a conversão de áreas naturais para uso agropecuário retirou aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas de carbono dos solos brasileiros.

O volume equivale a cerca de 5,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. A estimativa foi calculada com base em 4.290 registros reunidos por 372 estudos realizados ao longo de três décadas, com informações dos seis biomas brasileiros.

Os pesquisadores chamam essa diferença de “dívida de carbono”: o espaço existente entre o estoque encontrado na vegetação nativa e o mantido atualmente nas áreas produtivas. Isso não significa que todo o volume possa ser recuperado, mas indica que o manejo pode devolver ao solo parte da matéria orgânica perdida.

Os resultados variam conforme o bioma e o sistema produtivo. No Cerrado, a substituição da monocultura por sistemas integrados apresentou potencial teórico de elevar em 15,3% o estoque de carbono no solo. Na Amazônia, a adoção da rotação ou do consórcio de culturas pode proporcionar incremento de 14,1%.

Parte desse potencial já foi observada em experimentos de campo. Em Sinop, no norte de Mato Grosso, a Embrapa Agrossilvipastoril e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) acompanharam durante quatro anos diferentes combinações de lavoura, pecuária e floresta.

Ao final do período, todos os sistemas avaliados apresentaram remoção de carbono superior às emissões contabilizadas. O melhor resultado foi registrado na integração pecuária-floresta, com saldo de 51,3 toneladas de dióxido de carbono equivalente por hectare. Na integração lavoura-pecuária-floresta, a diferença chegou a 39,5 toneladas por hectare.

Os valores correspondem ao resultado acumulado nos quatro anos, e não a uma taxa anual. As árvores armazenaram carbono nos troncos, galhos e raízes, enquanto as pastagens bem manejadas contribuíram para ampliar a matéria orgânica do solo. O aumento da produtividade também reduziu a emissão calculada por quilo de carne produzido.

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Outro acompanhamento da Embrapa foi realizado na Fazenda Santa Brígida, em Ipameri, Goiás. A propriedade começou a adotar sistemas integrados em áreas de pastagens degradadas em 2006, combinando plantio direto, rotação de culturas, braquiária, milho, soja, pecuária e árvores.

Nos primeiros seis anos, o teor de matéria orgânica na camada de até 20 centímetros do solo passou de 1,8% para 2,8%. O aumento correspondeu à incorporação de mais de 11 toneladas de carbono orgânico por hectare.

O resultado ambiental ocorreu junto com o aumento da produção. A produtividade do milho saiu de aproximadamente 80 para 180 sacas por hectare, enquanto a produção de carne passou de duas para até 16 arrobas por hectare. O caso mostra que a recuperação do solo e o aumento do estoque de carbono podem acompanhar a elevação da produtividade.

Na pecuária, a Embrapa Gado de Corte desenvolveu os protocolos Carne Carbono Neutro e Carne Baixo Carbono. O primeiro utiliza árvores plantadas em sistemas integrados para compensar o metano liberado pelos bovinos durante a digestão.

Experimentos indicaram que cerca de 200 árvores em crescimento por hectare podem armazenar carbono suficiente para neutralizar as emissões anuais de metano entérico de 11 bovinos adultos. Isso não significa, porém, que toda a propriedade seja automaticamente neutra. A conta completa precisa incluir fertilizantes, combustível, energia, manejo do solo e todas as demais fontes relevantes de gases de efeito estufa.

Nas lavouras, outra frente de pesquisa utiliza microrganismos para reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados. A fixação biológica de nitrogênio, desenvolvida e aperfeiçoada no país por instituições como a Embrapa Agrobiologia e a Embrapa Soja, permite que bactérias associadas às raízes forneçam às plantas o nutriente retirado do ar.

Na soja, essa tecnologia praticamente elimina a necessidade de aplicação de nitrogênio mineral. A Embrapa estima que a substituição do fertilizante pela ação das bactérias evite a emissão de aproximadamente 12 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. A redução ocorre tanto na fabricação e no transporte do insumo quanto pela menor liberação de óxido nitroso no solo.

Essas medições ganham importância com o avanço dos mercados de carbono. Nesse sistema, cada crédito representa, em regra, uma tonelada de dióxido de carbono equivalente que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera. O ativo pode ser comprado por empresas que precisam cumprir obrigações legais ou que assumiram voluntariamente metas de redução.

O mercado mundial está dividido entre sistemas regulados, nos quais governos estabelecem limites de emissão, e mercados voluntários, formados por negociações realizadas sem obrigação legal. Em 2026, o Banco Mundial contabilizou 87 políticas de precificação de carbono em funcionamento, sete a mais do que no ano anterior. Esses instrumentos alcançavam pouco mais de 29% das emissões globais de gases de efeito estufa.

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A quantidade de créditos emitidos no mundo cresceu 8% entre 2024 e 2025, mas os preços médios recuaram. Projetos considerados mais confiáveis, com metodologias robustas e maior segurança sobre a permanência do carbono, continuaram recebendo valores superiores. Isso mostra que não basta afirmar que uma propriedade captura carbono: é necessário provar o resultado.

No Brasil, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) foi criado pela Lei nº 15.042, de 2024. A produção agropecuária primária e a infraestrutura diretamente associada aos imóveis rurais ficaram fora das obrigações impostas pelo mercado regulado.

A exclusão impede que o produtor seja obrigado a entregar cotas por causa das emissões da atividade primária, mas não o afasta das oportunidades econômicas. Projetos rurais poderão gerar créditos de carbono e, quando atenderem aos critérios oficiais, Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões, conhecidos pela sigla CRVE.

Para isso, será necessário adotar uma metodologia reconhecida, estabelecer quanto carbono havia antes do projeto, medir a redução ou a remoção obtida, demonstrar que o resultado não ocorreria sem a iniciativa e passar por verificação independente. Também será preciso garantir que o mesmo benefício ambiental não seja vendido ou contabilizado duas vezes.

O mercado regulado brasileiro ainda está em implantação. A proposta apresentada em 2026 prevê o início gradual do monitoramento, relato e verificação das emissões a partir de 2027, inicialmente em setores industriais e no transporte aéreo. As metodologias aceitas para transformar reduções e remoções em certificados oficiais ainda dependem de regulamentação.

Esse processo explica por que a pesquisa será determinante para a entrada do agro no mercado. Resultados obtidos em uma propriedade não podem ser transferidos automaticamente para outra, mesmo quando os sistemas produtivos parecem semelhantes. O estoque de carbono muda conforme o tipo de solo, o clima, a cultura, a profundidade analisada e o histórico de manejo.

Também é necessário diferenciar estoque, remoção e emissão evitada. Encontrar carbono em uma camada profunda do solo não demonstra, isoladamente, que ele tenha sido retirado da atmosfera pelo manejo atual. A comprovação exige uma linha de base, repetição das coletas ao longo dos anos e o desconto de todas as fontes relevantes de emissão.

A pesquisa brasileira avança justamente nessa direção. O objetivo não é apenas mostrar que o solo, as árvores e os microrganismos armazenam carbono, mas calcular quanto permanece, por quanto tempo e sob quais condições. Quanto mais confiável for essa medição, maior será a possibilidade de transformar o benefício ambiental em produtividade, acesso a mercados e renda adicional para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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