AGRONEGÓCIO
Soja recua em Chicago com pressão geopolítica, safra robusta nos EUA e avanço da colheita no Brasil
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O mercado global da soja voltou a operar em baixa nesta quinta-feira (21), refletindo a combinação de fatores externos e internos que ampliam a pressão sobre as cotações. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros seguem recuando diante da realização de lucros, do avanço do plantio nos Estados Unidos e da falta de novos anúncios de compras chinesas da soja norte-americana.
Os principais vencimentos da oleaginosa registraram perdas entre 2,50 e 3,75 pontos nas primeiras negociações do dia. O contrato julho/2026 voltou a trabalhar abaixo da marca psicológica de US$ 12 por bushel, cotado a US$ 11,97, enquanto o agosto operava a US$ 11,96 por bushel.
A pressão também se estende aos derivados. Farelo e óleo de soja acumulam desvalorizações, acompanhando o movimento negativo do milho e, principalmente, do trigo, que chegou a cair mais de 1% na CBOT.
Geopolítica e petróleo seguem no radar do mercado
O cenário internacional continua altamente influenciado pelas tensões no Oriente Médio. Os investidores acompanham atentamente os desdobramentos envolvendo Irã e Estados Unidos, além das tentativas diplomáticas de mediação conduzidas pelo Paquistão.
Na sessão anterior, o petróleo Brent recuou 6,8%, fechando a US$ 104,52 por barril, após a suspensão de uma ofensiva planejada contra o Irã. O movimento reduziu momentaneamente as preocupações com os custos energéticos e com o diesel, fator diretamente ligado à logística e aos biocombustíveis.
Nesta quinta-feira, porém, o petróleo voltou a subir, demonstrando que o mercado ainda opera sob forte volatilidade geopolítica.
China segue sem anunciar novas compras de soja dos EUA
Outro ponto de atenção dos investidores é a ausência de novos negócios envolvendo a China e os produtos agrícolas norte-americanos. O mercado vinha sustentando parte das altas recentes na expectativa de avanços nas negociações comerciais entre Washington e Pequim.
Sem anúncios concretos de compras chinesas, fundos e investidores intensificaram o movimento de realização de lucros, pressionando novamente os preços futuros da soja.
Além disso, o clima favorável no Meio-Oeste dos Estados Unidos reforça a expectativa de uma safra cheia na temporada 2026/27, ampliando a pressão sazonal sobre o mercado internacional.
Colheita avançada no Brasil amplia oferta e pressiona preços
No Brasil, o avanço da colheita também contribui para o ajuste das cotações no mercado físico. Segundo dados da TF Agroeconômica, importantes estados produtores já se aproximam do encerramento dos trabalhos de campo.
No Rio Grande do Sul, a colheita alcançou 95% da área semeada. Apesar da quebra estimada em 6% pela Emater/RS-Ascar, a qualidade física dos grãos segue considerada positiva. No porto de Rio Grande, a soja recuou 0,76%, com a saca cotada a R$ 130,00.
Em Santa Catarina, o mercado interno apresentou leve retração, enquanto o porto de São Francisco do Sul manteve ritmo forte de exportações. O terminal embarcou 789 mil toneladas em abril, volume 44% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, tendo a China como principal destino. A referência no porto ficou em R$ 131,00 por saca.
No Paraná, Paranaguá manteve os preços em R$ 130,00 no disponível. O estado já colheu 96% da área cultivada e enfrenta crescente pressão logística e de armazenagem com a chegada da safrinha de milho.
Custos elevados e armazenagem desafiam produtores
Mesmo diante de safras recordes em algumas regiões, os produtores continuam enfrentando desafios relacionados aos custos de produção e à armazenagem.
Em Mato Grosso do Sul, a produção histórica de 17,759 milhões de toneladas não foi suficiente para aliviar a pressão sobre as margens do produtor. O principal impacto vem da disparada de 65,2% nos preços dos fertilizantes NPK nos últimos 12 meses.
Já em Mato Grosso, onde a safra encerrada atingiu 51,56 milhões de toneladas, o setor ainda convive com forte estresse logístico e falta de espaço nos armazéns. Ao mesmo tempo, a comercialização antecipada da safra 2026/27 já alcança 13,53% da produção esperada.
Processamento recorde e exportações sustentam demanda brasileira
Apesar da pressão sobre os preços, os fundamentos da demanda brasileira seguem positivos. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou sua projeção de processamento interno de soja para um recorde de 62,5 milhões de toneladas em 2026.
No comércio exterior, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima embarques acima de 16 milhões de toneladas em maio, com a China respondendo por cerca de 70% das compras da soja brasileira.
O cenário reforça a posição do Brasil como principal fornecedor global da oleaginosa, embora o mercado siga sensível às oscilações climáticas, geopolíticas e ao comportamento da demanda internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra
Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.
O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.
O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.
A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.
No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.
Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.
No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.
O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.
Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.
A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.
Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.
Fonte: Pensar Agro
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