AGRONEGÓCIO
TCP registra alta e movimenta 690 mil TEUs no acumulado de 2026 em Paranaguá
AGRONEGÓCIO
A TCP, responsável pela administração do Terminal de Contêineres de Paranaguá (PR), registrou movimentação de 690 mil contêineres de 20 pés (TEUs) entre janeiro e maio de 2026. O resultado representa alta de 2% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionado principalmente pelo aumento no fluxo de cargas cheias e pela expansão das exportações brasileiras via modal marítimo.
Crescimento é puxado por cargas cheias e avanço do comércio exterior
O desempenho operacional foi sustentado pelo crescimento de 7% no fluxo de embarques e desembarques de cargas cheias, que somaram 4,8 milhões de toneladas em 2026, contra 4,5 milhões no ano anterior.
Segundo a empresa, o avanço reflete maior demanda do comércio exterior e maior eficiência nas operações logísticas do terminal, que segue ampliando sua capacidade de atendimento a grandes volumes.
Exportações crescem 8% e importações avançam 6%
Considerando apenas o volume de cargas (sem o peso dos contêineres), as exportações totalizaram 3,5 milhões de toneladas, alta de 8% na comparação anual.
As importações também registraram crescimento, chegando a 1,3 milhão de toneladas, aumento de 6% frente a 2025, evidenciando o fortalecimento da cadeia industrial e do abastecimento de insumos no país.
Contêineres refrigerados ganham destaque com avanço da proteína animal
Um dos principais destaques do período foi a operação de contêineres refrigerados (reefers), utilizados no transporte de carnes e produtos congelados.
Foram movimentadas 64.470 unidades, crescimento de 9% sobre as 59.054 unidades do ano anterior. O desempenho reforça a importância do terminal na exportação de proteínas animais brasileiras.
O terminal conta ainda com a maior área de armazenagem de contêineres refrigerados do Brasil, com 5.280 tomadas, e previsão de expansão da capacidade ainda em 2026.
Conectividade logística reforça liderança da TCP no país
A TCP mantém posição de destaque na costa brasileira com 22 serviços marítimos semanais, entre operações de longo curso e cabotagem.
Entre janeiro e maio, o terminal recebeu 427 navios, reforçando sua conectividade com América, Europa, África e Ásia, além de rotas domésticas.
No modal ferroviário, foram registrados 545 trens encostados, com movimentação de 972 mil toneladas de cargas.
Já o transporte rodoviário liderou em volume operacional, com 267 mil contêineres movimentados, crescimento de 6% na comparação anual.
Carnes lideram exportações e setor automotivo impulsiona importações
O segmento de carnes e congelados permaneceu como principal motor das exportações, com 1,7 milhão de toneladas embarcadas, alta de 13% sobre 2025.
De acordo com a TCP, o desempenho foi impulsionado pela retomada dos embarques de carne de frango após a normalização de restrições sanitárias e pela ampliação das vendas de carne suína no mercado internacional.
O setor de madeira, voltado para a indústria de móveis, embalagens e construção civil, manteve estabilidade com 598 mil toneladas exportadas.
Já o segmento de papel e celulose apresentou crescimento de 9%, atingindo 446 mil toneladas.
Nas importações, o setor automotivo liderou com 236 mil toneladas, alta de 3%, refletindo maior abastecimento do polo industrial de Curitiba e região metropolitana.
Em seguida, o segmento químico importou 214 mil toneladas, com destaque para insumos destinados à produção de fertilizantes e defensivos agrícolas.
Panorama geral
O desempenho da TCP no acumulado de 2026 reforça a consolidação do Terminal de Contêineres de Paranaguá como um dos principais hubs logísticos do país, com crescimento consistente em exportações, importações e operações especializadas, especialmente no segmento refrigerado e na integração multimodal.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mercado de sementes de R$ 47 bilhões abre congresso hoje
Um mercado estimado em R$ 47,3 bilhões e decisivo para a produtividade das lavouras estará no centro do 23º Congresso Brasileiro de Sementes, que começa nesta terça-feira (25.08), em Foz do Iguaçu (640 km da capital, Curitiba), no Paraná. O encontro prossegue até sexta-feira (28) com debates sobre custos, genética, biotecnologia, qualidade, armazenamento e combate à comercialização clandestina.
O congresso ocorre em um momento de margens apertadas nas principais culturas e de aumento da preocupação com o custo da implantação das lavouras. Para o produtor, a escolha da semente interfere no potencial produtivo, na população de plantas, na resistência a doenças, na adaptação climática e na eficiência dos investimentos realizados durante todo o ciclo.
Estimativas da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), elaboradas com base na safra 2024/25, mostram que o mercado nacional de sementes certificadas das principais culturas movimenta R$ 47,3 bilhões. A soja responde por R$ 27,6 bilhões, ou aproximadamente 58% desse total.
O milho ocupa a segunda posição, com R$ 14,5 bilhões. Na sequência aparecem algodão, com R$ 2,4 bilhões; trigo, com R$ 1,5 bilhão; sorgo, com R$ 600 milhões; feijão e arroz, com cerca de R$ 300 milhões cada.
O tamanho do mercado acompanha o avanço da área cultivada e a incorporação de tecnologias genéticas às sementes. Além do material utilizado para iniciar a lavoura, o preço inclui investimentos em pesquisa, desenvolvimento de cultivares, multiplicação, beneficiamento, controle de qualidade, tratamento, armazenamento e distribuição.
Parte desse potencial, entretanto, permanece fora do mercado certificado. O uso de sementes salvas e de material clandestino representa uma perda estimada de R$ 14,6 bilhões no faturamento potencial da cadeia.
A soja concentra R$ 10,7 bilhões desse valor. Aproximadamente 29% das sementes usadas na cultura não são certificadas. No algodão, o percentual chega a 35%; no arroz, a 38%; no trigo, a 25%; e no feijão, a 85%. Milho e sorgo apresentam taxas menores, próximas de 3%, devido às características dos híbridos e à necessidade de aquisição de novas sementes para preservar o desempenho produtivo.
Nem toda semente não certificada é ilegal. A legislação permite que o agricultor reserve parte da própria produção para uso na safra seguinte, desde que cumpra as regras aplicáveis, utilize o material exclusivamente na propriedade e faça as declarações exigidas. A venda desse produto a terceiros, porém, caracteriza comércio clandestino.
O material pirata não passa necessariamente pelos testes de germinação, vigor, pureza genética e sanidade exigidos das sementes certificadas. Também pode transportar plantas daninhas, fungos, bactérias e outros agentes capazes de comprometer o estabelecimento da lavoura.
O preço aparentemente menor pode transformar-se em prejuízo quando há falhas de emergência, necessidade de replantio ou formação desuniforme do estande. Como adubação, defensivos e operações mecanizadas são calculados para determinada população de plantas, uma semente de baixa qualidade reduz o retorno dos demais investimentos realizados pelo produtor.
A pirataria também diminui os recursos destinados ao desenvolvimento de novas cultivares. Estimativas apresentadas pelo setor indicam que a redução do comércio ilegal de sementes de soja poderia acrescentar quase R$ 10 bilhões à receita dos diferentes elos da cadeia.
Desse total, aproximadamente R$ 2,5 bilhões poderiam chegar aos produtores como resultado de ganhos de produtividade. A indústria de sementes teria aumento de R$ 4 bilhões na receita, enquanto as agroindústrias de farelo e óleo poderiam agregar R$ 1,2 bilhão. O efeito projetado inclui ainda R$ 1,5 bilhão em exportações, R$ 90 milhões adicionais em pesquisa e desenvolvimento e a criação de cerca de 1,5 mil empregos diretos.
O Brasil também ganha espaço como fornecedor internacional. Entre janeiro e outubro de 2025, foram exportadas 39,1 mil toneladas de sementes agrícolas, com a maior receita para o período em cinco anos. Sementes de milho e de espécies forrageiras responderam por 74% do faturamento, enquanto Paraguai, Colômbia e Argentina estiveram entre os principais destinos.
A posição de Foz do Iguaçu, próxima ao Paraguai e à Argentina, aproxima o congresso de uma região estratégica para o comércio e a produção de sementes no Mercosul. A expectativa é reunir mais de 1,5 mil participantes, provenientes de pelo menos 15 países.
Promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), o encontro terá mais de 60 palestrantes e a apresentação de aproximadamente 600 trabalhos. O evento é realizado desde 1979 e chega à 23ª edição com o tema “Sementes: alicerces para ciência, tecnologia e produção”.
A programação começa com uma análise dos riscos e das oportunidades para a safra 2026/27. Ao longo dos quatro dias, serão discutidos secagem, beneficiamento, armazenamento, tratamento industrial, bioinsumos, propriedade intelectual, qualidade sanitária e formação dos preços.
O impacto das sementes sobre a margem das empresas e das propriedades aparece de forma direta nos painéis. Um dos debates discutirá quando erros no planejamento da produção e na escolha do portfólio se transformam em perda comercial. Outro tratará dos limites da tecnologia embarcada em sementes de milho de alta produtividade.
Também serão apresentadas ferramentas de inteligência artificial, análise de imagens e sensores capazes de identificar danos, impurezas e diferenças de qualidade com maior rapidez. Essas tecnologias procuram reduzir erros nas unidades de beneficiamento e aumentar a precisão da classificação dos lotes.
A aplicação de bioinsumos às sementes terá espaço próprio. O desafio é preservar germinação e vigor durante o tratamento e o armazenamento, assegurando que microrganismos e outros produtos biológicos cheguem ao solo em condições de desempenhar a função esperada.
Quatro encontros ocorrerão simultaneamente ao congresso: os simpósios brasileiros de sementes de espécies forrageiras, análise de sementes, patologia de sementes e tecnologia de sementes florestais. A programação inclui ainda um espaço para exposição de máquinas, equipamentos, insumos e sistemas de controle de qualidade.
Para o produtor, a discussão econômica vai além do preço do saco. A comparação precisa considerar germinação, vigor, adaptação da cultivar, população recomendada e risco de replantio. Uma semente mais barata deixa de representar economia quando não entrega o número de plantas necessário para sustentar a produtividade planejada.
Serviço
Evento: 23º Congresso Brasileiro de Sementes
Data: 25 a 28 de agosto de 2026
Local: Rafain Palace Hotel & Convention, Foz do Iguaçu (PR)
Público esperado: mais de 1,5 mil participantes
Fonte: Pensar Agro
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